OPINIÃO

É triste negar a verdade

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Não bastassem as investidas negacionistas sobre incidentes históricos que macularam e ferem a convivência da sociedade civil, o governo insiste em derrubar bandeiras escudadas na evolução científica. Assim tem sido a tentativa arbitrária na dilapidação de celebrados foros científicos brasileiros de zelo pela saúde ambiental. O estudioso Ricardo Galvão foi exonerado do Inpe, Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, em agosto de 2019. Isso aconteceu por um único motivo. Com a credibilidade científica conquistada pela equipe do órgão que dirigia, fazia alerta sobre o perigo do desmatamento na Amazônia. Muito acima das conotações político-partidárias Galvão voltou a dar aulas no doutorado da Universidade e foi distinguido como um dos mais brilhantes cientistas da constelação mundial. Homem probo e indispensável à verdade sobre o cenário ambiental, após 50 anos de eminente militância continua sendo a referência nos debates honestos sobre a ciência. Sua verdade, no entanto, é odiada pelo palácio do Planalto.

Jaqueline

A biomédica brasileira Jaqueline Gois de Jesus, de consagrada projeção mundial foi a primeira cientista a versar sobre o sequenciamento de genomas logo que apareceu o coronavírus. Sua competência persiste no trabalho em descobertas mas não tem recebido o devido reconhecimento dos arautos negacionistas.

O marketing negacionista alveja as evidências do conhecimento, apregoando uso de alternativas inócuas no combate à pandemia com base na esquizofrênica tese da terra plana.

 

O obscuro

O surgimento de gurus apegados ao fanatismo da tese “gripezinha” já foram longe demais, mas ainda insistem em pajelanças esquisitas. Nem a realidade das prósperas conquistas da ciência médica mundial e nacional empolgam os gurus obscuros.

 

Custo

O custo da propositada demanda fundamentalista na letargia em relação às vacinas já é imensurável. A demora que afligiu o potencial de reação à doença tem custo na vida e nas finanças do país.

 

Escombros

A luta pela valorização da heroica e ágil ação médica, embora o desdém oficial de governo, ainda guarda vigor. De corpo e alma os profissionais da saúde lutam para salvar vidas. É muito amplo o leque de ações em atendimento nos postos de saúde, nos lares, na rua, nos estabelecimentos comerciais e até nas agências funerárias, para preservar pessoas do contágio. É assustador, no entanto, o surto de aglomerações sem máscara, infelizmente promovido por autoridades e a afronta ao desespero dos familiares de doentes. E mais, os escombros de meio milhão de mortos não são lembrados como aflição de mandantes. As passeatas de apoio eleitoral visam criar a cortina de fumaça ao debate essencial e inadiável da pandemia.

 

Força democrática

Salvo atuações de sabujos do palácio, são muitos os defensores da saúde do povo militando na imprensa. Com os defeitos que existem em foros de discussão da matéria, ainda é valiosa a pressão dos irresignados com a falta de compaixão nos perigos da pandemia que atinge a todos indistintamente.

 

A CPI

Nesta hora, nem em outros tempos, há pureza de propósitos numa investida de aclaramento sobre o mal que nos atormenta. Logicamente a CPI no Senado é feita por representantes partidários que não se importam em esconder interesses meramente eleitorais. Mesmo assim, a mobilização da comissão é instrumento democrático que aborda com severidade e urgência as verdades e omissões na cruzada contra a pandemia. Pouco se cogita a possibilidade de impeachment presidencial. O que será proveitoso e indispensável é coligir dados, opiniões de pessoas importantes para a matéria a fim de oferecer transparência para a questão.

O fato de existir uma comissão é a forma mais imediata de passar a limpo o entendimento sobre desmandos que geraram aumento de morte.

Um dos efeitos já apareceu. Os tíbios e relapsos que assolam iniciativas de socorro à saúde, já pensam duas vezes. Embora ainda não digam, sabem que a vacina comprova o caminho da esperança. 

 

  


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