Calor e urbanização aumentam mais de 67% registros de ataques de abelhas na região

Corpo de Bombeiros de Passo Fundo reforça orientações e destaca manejo com preservação ambiental

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Ambientes urbanos, telhados, forros, árvores, postes, caixas de energia e edificações em geral acabam se tornando pontos de instalação de enxames - Fotos: Divulgação/BBMPFAmbientes urbanos, telhados, forros, árvores, postes, caixas de energia e edificações em geral acabam se tornando pontos de instalação de enxames - Fotos: Divulgação/BBMPF
Ambientes urbanos, telhados, forros, árvores, postes, caixas de energia e edificações em geral acabam se tornando pontos de instalação de enxames - Fotos: Divulgação/BBMPF
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O 7º Batalhão de Bombeiros Militar de Passo Fundo tem observado um aumento significativo nas ocorrências envolvendo enxames e ataques de abelhas, especialmente nos meses mais quentes do ano. Conforme o comandante do 2º Pelotão de Bombeiros Militar, 1º Tenente Éderson Bairros, esse cenário está diretamente relacionado a fatores ambientais e às transformações do espaço urbano. “As altas temperaturas, a redução de áreas verdes, o desmatamento, o uso de agrotóxicos e as mudanças ambientais interferem no comportamento das abelhas, que passam a procurar abrigo em locais improvisados nas cidades”, explica.

 Os dados do Corpo de Bombeiros confirmam o aumento expressivo nas ocorrências envolvendo abelhas. No período de 1º de dezembro de 2025 a 12 de janeiro de 2026, foram atendidas 214 ocorrências na região, sendo 47 em Passo Fundo. No mesmo intervalo do ano anterior, entre 1º de dezembro de 2024 e 12 de janeiro de 2025, haviam sido registradas 128 ocorrências na região e 36 no município. O comparativo indica um crescimento de 67,2% nas ocorrências regionais e de 30,6% em Passo Fundo, reforçando o alerta para os riscos e a importância de seguir as orientações de prevenção.

 Segundo o oficial, em ambientes urbanos, telhados, forros, árvores, postes, caixas de energia e edificações em geral acabam se tornando pontos de instalação de enxames. Quando se sentem ameaçadas, as abelhas adotam um comportamento defensivo, o que eleva o risco de ataques, principalmente em locais com circulação intensa de pessoas. “Os registros aumentam principalmente na primavera e no verão, períodos marcados por maior atividade das colmeias, reprodução das abelhas e busca por alimento”, afirma.

 

Prevenção

 Diante desse contexto, Bairros reforça a importância de a população adotar comportamentos preventivos e adequados ao identificar um enxame. A principal orientação é manter distância e evitar qualquer tipo de aproximação. Sempre que possível, o local deve ser isolado, com portas e janelas fechadas, além de avisar vizinhos para que também evitem a circulação na área. “É fundamental que as pessoas não tentem remover, espantar ou provocar o enxame, nem façam barulho ou vibrações, pois essas atitudes podem desencadear ataques”, alerta o 1º Tenente.

 

Orientação

Em situações de ataque, ele recomenda que o melhor é afastar-se rapidamente do local, protegendo principalmente o rosto e o pescoço, regiões mais sensíveis às ferroadas. Buscar abrigo em locais fechados, como residências ou veículos, é uma medida essencial para interromper a ação das abelhas. “Casos de múltiplas ferroadas, especialmente quando envolvem crianças, idosos ou pessoas com histórico de alergia, exigem acionamento imediato do Corpo de Bombeiros e do serviço de emergência médica, devido ao risco de complicações graves, como o choque anafilático”, relata.

Bairros pondera que o acionamento do Corpo de Bombeiros pelo telefone 193 é indicado sempre que houver ataque em andamento, risco iminente ou quando o enxame estiver localizado em áreas de grande circulação, como escolas, creches, hospitais, praças, vias públicas ou locais com presença de pessoas em situação de vulnerabilidade. A orientação é que, no momento da ligação, sejam informados o endereço completo, a localização exata do enxame e se há pessoas feridas ou em risco.

 

Risco

O 1º Tenente Bairros reforça que a tentativa de remoção por conta própria representa um risco elevado. “Sem treinamento e equipamentos adequados, a pessoa pode provocar um ataque grave, com múltiplas ferroadas, ferimentos sérios e até óbito. Além disso, uma remoção inadequada pode causar danos ambientais, já que as abelhas têm papel fundamental na polinização e no equilíbrio ecológico”, destaca.

Bairros explica que no atendimento às ocorrências, as equipes do Corpo de Bombeiros realizam inicialmente uma avaliação técnica do risco, levando em conta a localização do enxame e o potencial de ameaça à população. “Quando necessário, a área é isolada para garantir a segurança das pessoas. O manejo do enxame é feito de forma segura e controlada, sempre priorizando a proteção humana. Sempre que viável, as abelhas não são eliminadas. Elas são capturadas e realocadas em locais adequados, com o apoio de apicultores parceiros ou de órgãos ambientais, respeitando a legislação vigente e as diretrizes de preservação ambiental”, diz.

O oficial argumenta que há situações em que a remoção do enxame não é recomendada. Isso ocorre quando não há risco à população, quando o enxame está localizado em área afastada ou quando se trata de um enxame temporário, que pode se deslocar naturalmente em curto período. “Nesses casos, nossa orientação é que não haja intervenção e que o manejo seja buscado junto a apicultores da região, à Secretaria Municipal de Meio Ambiente ou a associações e cooperativas de apicultura, que possuem conhecimento técnico para a remoção adequada”, acrescenta.

 Como forma de prevenção, o Corpo de Bombeiros orienta a adoção de medidas simples no dia a dia, como vedar frestas em telhados, forros e paredes, manter áreas externas limpas, evitar o acúmulo de materiais inutilizados, como móveis, eletrodomésticos, pneus e entulhos, e realizar manutenção periódica nas edificações. Essas ações reduzem a possibilidade de instalação de colmeias em áreas residenciais e comerciais.

 Por fim, o Corpo de Bombeiros reforça que o telefone 193 deve ser utilizado exclusivamente quando houver risco à população, ataque em andamento ou possibilidade de vítimas. “Quando o enxame não oferece risco, o mais importante é não intervir e buscar orientação especializada. Dessa forma, é possível garantir a segurança das pessoas e, ao mesmo tempo, preservar as abelhas, que são essenciais para o meio ambiente”, conclui o 1º Tenente Bairros.

 



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