O Conselho Municipal das Pessoas com Deficiência (Compede) está promovendo a Semana Municipal da Pessoa com Deficiência. As atividades começam com mateada no dia 21 de agosto na praça Tamandaré, quando estiveram reunidos representantes das entidades de assistência às pessoas com deficiência e familiares. No dia seguinte, quinta-feira (22), a atividade começa foi no turno da noite, com a exibição do filme Como Estrelas na Terra e posterior debate. No dia 27 de agosto, terça-feira, a programação segue com sensibilização na Câmara de Vereadores, atividade proposta e que será desenvolvida pela vereadora Claudia Furlanetto. A sensibilização acontece em dois momentos: às 9h e às 14h. A programação inclui ainda, até dia 31 de agosto, a exposição Trajetos da APAE/PF, realizada na sala de exposições do Sesc.
Com todas estas atividades, o objetivo do Compede é conscientizar a população para as deficiências. Um das grandes lutas é pelo fim do preconceito. Neste sentido, conhecer as deficiências é um dos principais eixos. Aproveitando a Semana Municipal da Pessoa Com Deficiência, O Nacional conversou com o médico neuropediatra José Renato Donadussi Pádua. Confira.
O Nacional – Diagnosticar autismo é difícil? É preciso uma avaliação multidisciplinar? Quem pode fazer o diagnóstico? Quanto tempo leva?
José Renato Donadussi Pádua – Com relação às dificuldades encontradas para diagnosticar o autismo, cada caso é um caso, ou seja, o paciente deve ser visto de forma individual, pois o número de sintomas e as combinações entre os mesmos é bastante variável. Normalmente é o pediatra que escuta as queixas dos pais quanto aos comportamentos “estranhos, diferentes”, observados nos seus filhos. E após o Pediatra analisar e verificar realmente a não normalidade destes comportamentos e atitudes, encaminhará para uma avaliação especializada, normalmente a um neurologista ou a um psiquiatra, mas que atendam e tenham experiência no atendimento de crianças (neurologista pediátrico ou psiquiatra infantil). Algumas vezes o paciente é levado inicialmente a um psicólogo ou fonoaudiólogo, pelas suas dificuldades comportamentais, na interação social ou na comunicação com os demais, e estes profissionais, desde que acostumados com crianças autistas, saberão identificar a sintomatologia condizente, e até mesmo enquadrar esta criança como sendo autista. Mas, mesmo assim a criança é levada ao médico para que o mesmo confirme o diagnóstico, além de investigar causas (genéticas, metabólicas) que expliquem o comportamento autista, bem como verifique a presença, ou não, de co-morbidades (epilepsias, deficiência mental), para o correto encaminhamento do tratamento mais adequado. O tempo que leva para fazer o diagnóstico também é variável. Quanto mais precoce, melhor, pois o tratamento iniciará mais precocemente. O importante é que, mesmo não tendo ainda um diagnóstico totalmente firmado, cada sintoma significativo que surge deve ser devidamente avaliado e iniciado o tratamento (por exemplo, a criança está com atraso no desenvolvimento da linguagem: deve ir à fonoaudióloga para que inicie o quanto antes os atendimentos). Enquanto isso, segue sendo acompanhado pelos demais profissionais, até que o diagnóstico seja feito.
O Nacional – A partir de qual idade é possível fazer esse diagnóstico?
José Renato Donadussi Pádua – Os sintomas iniciam antes dos três anos de idade, porém, bebês que futuramente receberão um diagnóstico de autismo já poderão demonstrar sinais bem precocemente. É evidente que estes sinais não são confirmatórios de um diagnóstico específico, mas servem de alerta. Exemplos de comportamentos em bebês, que podem ser preocupantes: olham pouco para as mães, mesmo durante a amamentação; demonstração de desprazer/pouco prazer ao ser carregado no colo (fato que gera pouca solicitação para ser carregado); não se virar para procurar a origem dos sons, mesmo que seja a voz da mãe; não modifica a sua mímica à voz materna (não demonstra alegria, ou sorri, quando a mãe ou o cuidador chegam perto); demonstra demora para reconhecer o seu nome.
O Nacional – Existem diferentes "graus" de autismo?
José Renato Donadussi Pádua – Sim. Por isso, também, a preferência do emprego do termo Transtornos do Espectro Autista. Como já foi dito acima, o número de sintomas, a sua intensidade e a combinação de sintomas nas três áreas deficitárias (interação social, comunicação e comportamentos repetitivos) é bastante variável. Então teremos casos leves até casos severos.
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