Entre o consumo e a inadimplência

Segundo pesquisa, quase 60% das famílias brasileiras estão endividadas. Entenda as causas e consequências do consumismo

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O número de famílias endividadas vem aumentando no Brasil. O percentual atingiu quase 60% em setembro desse ano, o maior índice nos últimos sete anos. Os dados são da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), divulgada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) e vem acompanhado da alta do percentual de famílias inadimplentes – aquelas com dívidas ou contas em atraso.

Em setembro de 2017, a inadimplência atingiu 10,3% das famílias, também o maior patamar da série histórica (iniciada em janeiro de 2010), ante 10,1% em agosto de 2017 e 9,6% em setembro de 2016. Os números preocupam e trazem consigo uma discussão sobre as causas e consequências desse endividamento e da inadimplência.
A falta de educação financeira, o consumo desenfreado e a recessão econômica, que carrega consigo a marca de quase 15 milhões de desempregados no Brasil, aparecem entre as causas. Colocando de lado o momento econômico do país, o hiperconsumo desenvolve papel substancial na discussão. “Compramos coisas que não precisamos, com dinheiro que não temos, para impressionar pessoas de quem não gostamos”. Uma das mais famosas frases do livro Clube da Luta, escrito por Chuck Palahniuk – depois transformado em filme de nome homônimo na direção de David Fincher – é usada pelo economista e doutor em sociologia Ginez de Campos para resumir o consumismo.
Professor da UPF, Campos cita o filósofo francês Gilles Lipovetsky, cuja obra aborda o sujeito das sociedades atuais – denominado hipermoderno – e a felicidade atrelada ao ato de consumir. Conforme o autor, o homem consome para preencher um vazio existencial, o que acaba por transforma-se em um vício, uma vez que esta felicidade por comprar é efêmera. “O consumismo nasceu a partir da Revolução Industrial com a ideia de consumo e produção em massa – ou em grande quantidade. Atualmente se transformou em uma necessidade de ser aceito e amado pelo que temos e não pelo que somos”, analisa o especialista.
Por trás das estatísticas de inadimplência, esse hiperconsumo traz outras consequências. “A sociedade estimula o consumo e, muitas vezes, esse consumo se torna desenfreado e compulsivo. O que faz com que as pessoas passem por situações de endividamento e que, por consequência, levam ao sofrimento psíquico. Pesquisas apontam que há uma relação entre o aumento das dívidas e também o aumento de doenças emocionais como o estresse, ansiedade, depressão, angustia e, em casos extremos, o suicídio”, aponta Ginez de Campos.
Devido a essas consequências emocionais, dentre outros fatores que são afetados pela inadimplência, o professor considera de extrema relevância debater o assunto com a comunidade. Por isso, o tema foi abordado em mais um Diálogos Extensionistas na noite de terça-feira (31), na Universidade de Passo Fundo (UPF). Com o título “Consumismo, endividamento e sofrimento psíquico: o homoconsumericus e a Síndrome do Comprador Compulsivo na sociedade do hiperconsumo e do hiperendividamento”, os painelistas professores Ginez de Campos, Robert Felipe dos Passos e Rogério da Silva debateram o assunto de maneira multidisciplinar.
O objetivo do encontro foi estabelecer um momento de reflexão crítica sobre a questão da atual vulnerabilidade social e econômica por que passam milhares de pessoas e de famílias em função da problemática do endividamento e da inadimplência.
Os Diálogos Extensionistas são uma promoção da Vice-Reitoria de Extensão e Assuntos Comunitários da UPF. O objetivo dos painéis é mostrar à comunidade os projetos de extensão que são desenvolvidos dentro da universidade. Neste painel, os projetos envolvidos foram o de Educação Financeira, Endividamento e Gestão das Finanças Pessoais – coordenado pelo professor Ginez de Campos – e o Balcão do Consumidor – coordenado pelo professor Rogério da Silva.


SCPC realiza campanha de recuperação de crédito
Ao consumidor, a oportunidade de renegociar dívidas em atraso e restabelecer o acesso ao crédito. Ao empresário, a diminuição dos índices de inadimplência da empresa, além do aquecimento da economia com o aumento de clientes no mercado. Estas são as vantagens de participar da campanha de recuperação de crédito promovida pelo Serviço Central de Proteção ao Crédito (SCPC).
“Comece 2018 com o pé direito” é o nome da ação que acontece de 01 de novembro a 31 de dezembro. Para o diretor do SCPC Passo Fundo, Valter Ceolin, nos dois meses de campanha, as empresas participantes oferecem aos consumidores a oportunidade de renegociar suas dívidas. “O consumidor pode aproveitar o 13º salário para iniciar um ano novo com débitos quitados e a liberdade de comprar no crédito”, ressalta.
Os consumidores interessados na renegociação de dívidas podem procurar as empresas credoras identificadas com o material gráfico da campanha. Empresários que desejam participar da ação “Comece 2018 com o pé direito” podem entrar em contato pelo telefone (54) 3311-5511.

 

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