Passo-fundense integra comissão que ajuda vítimas de Brumadinho

Leandro Scalabrin é membro da Comissão Nacional de Direitos Humanos que está na região do rompimento da barragem da Vale

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Advogado de Passo Fundo participou ontem da primeira assembleia dos moradores do interior de BrumadinhoAdvogado de Passo Fundo participou ontem da primeira assembleia dos moradores do interior de Brumadinho
Advogado de Passo Fundo participou ontem da primeira assembleia dos moradores do interior de Brumadinho
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Compaixão e indignação foram os sentimentos descritos ontem pelo advogado Leandro Scalabrin, que está em Brumadinho (MG). O passo-fundense integra o Conselho Nacional de Direitos Humanos que acompanha as vítimas do rompimento da barragem da Mina do Feijão, da empresa Vale. O rompimento ocorreu na última sexta-feira. Sentimentos que se misturam a incerteza, porque ainda não se sabe o que é área de risco. Scalabrin é membro da mesa diretora do CNDH e participou ontem da primeira assembléia dos atingidos, na comunidade Parque das Cachoeiras, no interior do município. Segundo ele, várias pessoas perderam casas, fontes de renda, há muitas pessoas desaparecidas, feridas, abaladas pelo impacto da morte e do desaparecimento de familiares e amigos. "As pessoas dizem que o odor já está insuportável na beira do rio e usam a expressão “jogaram cadáveres no meu quintal", relata o advogado.

 

Na assembléia foram colocadas as principais demandas emergenciais das famílias como o aluguel de casas e a distribuição de alimentos. O abastecimento de água é outro problema, já que a comunidade não quer mais consumir a água do local com medo de contaminação. Scalabrin disse que nao há como descrever o sentimento que predomina no local. "Um deles, é compaixão e solidariedade pelo que estão vivendo aqui. Me perguntaram se a gente podia devolver a vida dos seus parentes e eu disse que não podemos devolver mas que o momento é de união e essa união possibilitará que enfrentem esse sentimento de dor que é o que todos estão sofrendo no momento", disse.

 

Conforme o advogado, o outro sentimento muito presente é de indignação porque os relatos dão conta de que somente na segunda-feira a comunidade foi procurada para receber ajuda. "Desde o dia do rompimento da barragem ninguém foi ao local, nem defesa civil, nem empresa. No domingo chegaram com um ônibus para retirar as famílias da comunidade, que se negou a deixar o local", relata.


Nota
O Conselho Nacional dos Direitos Humanos (CNDH) emitiu nota manifestando indignação com a recorrência de uma grave violação de direitos humanos que gera consequências imensuráveis para o Brasil. Segundo o documento, desde 1986 são registrados acidentes com rompimento de barragens em Minas Gerais, que destroem rios, cidades e vidas. Antes do ocorrido, o último rompimento de barragem no Estado aconteceu em 2015, na barragem do Fundão, da empresa Samarco, em Mariana (MG), que resultou em mortos, inundações, perda irreparável para o ecossistema da bacia do Rio Doce, o fim de um rio e de seu uso tradicional. O CNDH elaborou relatório e apresentou uma série de recomendações aos órgãos para a reparação e prevenção de tais tragédias.


Apesar destas e demais iniciativas para tentar prevenir desastres similares, diz a comissão, como o Projeto de Lei de Iniciativa Popular "Mar de Lama Nunca Mais", que nunca foi votado na Assembleia Legislativa do Estado, e que exigia um maior rigor no licenciamento de barragens e a sua construção à jusante, ontem o desastre volta a acontecer. O CNDH reitera seu compromisso com a defesa dos direitos humanos e exige que sejam adotadas medidas mitigadoras, reparados e preventivas de tais desastres.

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