Rudra Engenharia vence licitação para elaborar projeto de pavimentação da Transbrasiliana

Empresa goiana apresentou proposta de R$ 1,8 milhão para realizar a execução dos projetos básico e executivo em trecho de quase 70 quilômetros da BR 153

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A pavimentação asfáltica da BR 153, no trecho entre os municípios de Passo Fundo e Erechim, está um passo mais próxima de se concretizar. É que a empresa goiana Rudra Engenharia Ltda foi anunciada, na última quinta-feira (19), como a vencedora do edital de licitação para elaboração dos projetos básico e executivo de engenharia para pavimentação, adequação de capacidade, melhoria da segurança e eliminação de segmentos críticos em 68,4 quilômetros da rodovia. Ela ganhou o pregão publicado pelo Departamento de Infraestrutura e Transportes (DNIT) no Diário Oficial da União, no dia 28 de agosto, ao apresentar proposta de pouco mais de R$ 1,8 milhão para a execução do serviço.


Segundo a presidente do Conselho Regional de Desenvolvimento (Corede) da Região da Produção – que desde 2015 participa de uma movimentação regional em busca da pavimentação da rodovia, junto com lideranças da Corede Norte, da Universidade de Passo Fundo e do Comitê Executivo Pró-Conclusão da BR 153 –, Munira Awad, o vencimento desta etapa é uma vitória para a região. “O DNIT sempre destacou a importância de haver a elaboração de um novo projeto. O que temos foi elaborado há 50 anos. De lá para cá, mudou muita coisa. Por exemplo, naquela época, havia somente uma ponte no trajeto. Hoje, nós temos 11”, aponta.


Awad salienta ainda que, por ser uma rota amplamente utilizada por caminhoneiros que transportam grãos, o asfaltamento da rodovia apresentará reflexos significativos no escoamento da produção agroindustrial e na redução dos custos para os caminhoneiros. “Se os caminhões de carga pesada passarem a utilizar a Transbrasiliana, saindo da ERS-135, eles vão ter uma redução no tempo de estrada e gastarão menos com combustível. Além disso, vai diminuir o gargalo do tráfico da ERS 153, que hoje é muito grande”, explana. A observação vai ao encontro dos cálculos do DNIT. Segundo o órgão, a rodovia tem atualmente um tráfego de 1.298 veículos por dia. A partir da pavimentação, estima-se que esse número possa chegar a 5.500 veículos diários.


Empresa tem um ano para concluir o serviço
A expectativa é de que a Rudra Engenharia inicie a elaboração do projeto em cerca de 40 dias. A presidente do Corede Produção lembra, porém, que este processo pode ser retardado. “O DNIT ainda precisa verificar toda a documentação da empresa e aguardar o prazo legal para que as outras participantes da concorrência apresentem recurso, caso desejem”. Após o início do projeto, a empresa tem um ano para conclusão dos serviços. Somente depois de findada a elaboração do projeto de engenharia, o projeto de pavimentação asfáltica da Transbrasiliana seguirá para a etapa de captação de recursos para viabilização das obras. “Há a possibilidade de a obra ser feita pelo próprio Exército. Eles já demonstraram interesse em fazer isso pelo aspecto social. Nós estamos torcendo”, comenta.


De acordo com o edital, disponível no site do DNIT, a rodovia será construída em pista simples com acostamento em ambos os sentidos. O valor estimado da obra é de R$ 248 milhões. Dentre as intervenções previstas nos projetos, destacam-se a reabilitação e adequação de 11 pontes em concreto armado. São elas: Arroio Cravo; Rio Erechim; Arroio Pardo, Arroio São Roque; Arroio Facãozinho; Arroio Inhupacá; Arroio Tigre; Arroio Bugio; Caraguatá; Arroio Miranda e Rio Passo Fundo. Haverá ainda outras intervenções, como a implantação do acesso à pedreira municipal e melhorias nos acessos às localidades de Quatro Irmãos, Erebango, Ipiranga do Sul, Estação, Entre Rios e Coxilha e às comunidades Fauth, Urbana Vila São Roque e São Judas. Também estão previstos melhoramentos dos entroncamentos da BR-153 com a ERS-135 e com a BR-285/RS.


A rodovia
A BR 153, conhecida como Transbrasiliana, é a quarta maior rodovia do Brasil e se estende de Marabá, no Párá, até a cidade de Aceguá, no Rio Grande do Sul, com mais de 4.300 km de extensão rodoviária. A rota é considerada como um dos principais corredores de escoamento da produção do país. Os 68,4 km entre Passo Fundo e Erechim, no entanto, constituem o único trecho não pavimentado da via.


Há 50 anos, as comunidades dos municípios de Paulo Bento, Jacutinga, Quatro Irmãos, Ipiranga do Sul, Estação, Getúlio Vargas, Sertão e Coxilha, que ficam às margens da BR 153, reivindicam o asfaltamento do trajeto porque a pavimentação em curso é importante para a região pelo impacto direto no escoamento da produção e para o desenvolvimento do comércio, da indústria e dos serviços, limitados pela precariedade da infraestrutura logística do trecho.

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