Frente fria traz retorno da chuva à região

Previsão indica ainda declínio nas temperaturas no decorrer da semana

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Chuva não deve ser sinônimo de solução para o problema de falta de água na região (Foto: Luciano Breitkreitz/ON)Chuva não deve ser sinônimo de solução para o problema de falta de água na região (Foto: Luciano Breitkreitz/ON)
Chuva não deve ser sinônimo de solução para o problema de falta de água na região (Foto: Luciano Breitkreitz/ON)
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A frente fria que avança sobre o Rio Grande do Sul deve provocar áreas de instabilidade, nesta quarta-feira (5), em todo o território gaúcho. O resultado, conforme indica a previsão do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), é o retorno da chuva ao Estado e o declínio nas temperaturas. Em Passo Fundo, o início de semana com céu aberto e tempo quente dará lugar a dias nublados, com chuvas isoladas e queda brusca nas temperaturas. 

Apesar de positiva em tempos de estiagem, a notícia sobre a volta das precipitações não deve ser sinônimo de solução para o problema de falta de água na região. Quem faz o alerta é o analista do Laboratório de Meteorologia da Embrapa Trigo, Aldemir Pasinato. De acordo com ele, a frente fria de rápida passagem deve trazer chuva pouco expressiva à região e apenas entre esta quarta (5) e quinta-feira (6). O tempo firme volta a ser registrado ainda na sexta e segue durante todo o fim de semana. “A probabilidade é de chuva em torno de 30 a 40 milímetros. Se avaliarmos o déficit hídrico das lavouras, podemos dizer que a chuva vai ajudar, mas não vai amenizar muito. Será muito rápido e insuficiente para solucionar o problema de falta de água registrado, inclusive, nas barragens”, comenta.

A escassez das barragens, mencionada por Pasinato, encontra exemplo na Barragem da Fazenda da Brigada Militar, localizada às margens da BR 285, em Passo Fundo. Um levantamento feito pela Corsan, na última semana, mostrou que o volume de água no reservatório estava 3,9 metros abaixo do nível normal, em decorrência de um déficit hídrico acumulado em 677,7 milímetros. Conforme apurado em uma reportagem do jornal O Nacional, publicada no dia 28 de abril, a situação crítica da reserva hídrica responsável pelo abastecimento de aproximadamente 40% da população do município pode se refletir ainda em um plano de racionamento de água na cidade. Isto significa que é preciso mais do que dois dias de chuva, como previstos para essa semana, para que o problema seja sanado.

As chuvas abaixo da média são um dos efeitos deixados pelo fenômeno La Niña, que deve continuar em atuação no Sul do Brasil até junho, ainda que em menor intensidade. Para maio, a previsão prolongada indica chuvas pouco abaixo da média histórica, de 114mm, mas com prognóstico melhor que o observado em abril, quando o município registrou apenas 10,8mm de chuva. “Foi o segundo mês de abril com menor quantidade de chuva dos últimos quarenta anos, atrás apenas de abril de 2009, quando tivemos 4,8mm”, comenta o analista.

Declínio nas temperaturas

Quanto à queda nas temperaturas, a previsão do Laboratório de Meteorologia da Embrapa Trigo indica que, depois de um dia com máxima beirando a casa dos 30ºC, nesta quarta-feira (5), as temperaturas em Passo Fundo devem girar entre 12ºC e 20ºC. O declínio se acentua na quinta-feira (6), quando a mínima esperada é de 6ºC e a máxima não passa dos 13ºC, temperatura similar com a prevista para esta sexta-feira. “Depois da passagem da frente fria, há uma redução maior na temperatura e podemos ter ocorrência de geada no fim de semana”, adianta Pasinato.

Para a próxima semana, a expectativa é de que as temperaturas voltem a registrar elevação gradativa. As máximas podem retornar ao patamar de 25ºC. “O que se tem para maio ainda é a probabilidade de ondas de frio causadas por massas de ar de origem polar. Quando nos aproximamos do inverno, essas ondas são mais frequentes, mas ainda teremos variações na temperatura e um mês com temperaturas acima da média”, analisa.

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