Alice através dos tempos

Aproveitando a exposição que o Sesc inaugura nesta semana, o Segundo revisita as várias facetas do clássico de Carroll

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Segundo ON

    Nunca é repetitivo falar de um clássico, principalmente quando ele possui não apenas diversas formas de interpretação, mas também todo um legado de inspirações e referências para as próximas gerações. É exatamente o que acontece com o livro Alice no País das Maravilhas, de Lewis Carroll. Aberta a interpretações das mais variadas - enquanto alguns a veem como um ingênuo conto infantil, outros enxergam algo de obscuro no submundo que engole Alice -, a obra permanece como um grande mistério. O que queria dizer o autor com todos os seus jogos, enigmas e questionamentos?
    Na busca por manter acesa a chama de curiosidade que alimenta o clássico, o Sesc vem promovendo no estado a exposição Alice no País das Maravilhas. Seguindo os moldes de outras mostras literárias, a exposição traz a Passo Fundo , de forma gratuita, quinze banners com belas imagens relacionadas ao clássico da literatura inglesa que apresenta a surrealista história de uma menina que cai em um buraco enquanto segue um coelho apressado e acaba descobrindo todo um mundo maravilhoso povoado por criaturas peculiares bem debaixo da terra.

Linha do tempo

1865
Ponto de partida para todo um universo de referências que atravessariam séculos, o livro Alice no País das Maravilhas foi escrito em meados do século 19 pelo matemático Lewis Carroll, que se baseou em uma das filhas de seu amigo Henry George Liddell

1871
Seis anos depois, é publicado Alice Através do Espelho, espécie de continuação da primeira história. As adaptações costumam misturar elementos das duas obras, já que, por exemplo, personagens como Jabberwocky e a Rainha Vermelha aparecem apenas nesta sequência. A obra fez sucesso e vendeu ainda mais que a sua antecessora

1903
Primeira adaptação do clássico de Carroll para o cinema, Alice in Wonderland se trata de um filme mudo britânico dirigido por Cecil Hepworthe Percy Stow. Tornou-se memorável pelo uso de efeitos especiais em cenas como a do encolhimento de Alice

1951
Numa produção que levou cinco anos, a adaptação de Alice pela Disney é uma das responsáveis por propagar a história ao redor do mundo, mesmo que de forma bastante diferente da original. Em tom de conto de fada, o filme transforma o surrealismo sombrio em colorida fantasia

1960
O escritor Martin Gardner publica uma edição especial intitulada Alice - Edição Comentada, onde combina o texto de Alice no País das Maravilhas e de Alice Através do Espelho e acrescenta notas explicativas das alusões escondidas, além de fornecer conteúdo original da época vitoriana,
tal como os poemas infantis que são objetos de paródia na obra

1969
Identificando-se com o apelo surrealistada obra, o pintor espanhol Salvador Dalí ilustra uma  edição do livro. Não é para menos: a história está cheia de elementos que parecem dialogar com os quadros do artista, como o relógio do Chapeleiro Louco, que marca os meses mas não as horas

2000
No início da década a EA lança o videogame American McGee’s Alice, baseado no clássico infantil.  Ao contrário do que fez a Disney, o jogo mergulha no lado mais obscuro da história original e transforma Alice em uma jovem que caiu no buraco da pior maneira, e agora luta contra os inimigos usando facões ensanguentados. Se tornou um dos games mais vendidos da história

2010
No ano passado, Alice voltou à tona com a nova adaptação do livro por ninguém menos que Tim Burton, mestre dos filmes com “atmosfera”. Dividindo opiniões, o filme pareceu ficar em cima do muro e não explorar profundamente nenhuma de sua facetas. Apesar disso, o filme venceu o Oscar nas categorias de melhor figurino e melhor direção de arte, além de atrair grande público com a participação de Johnny Depp como Chapeleiro Maluco

 

Serviço
Exposição Alice no
País das Maravilhas
Até 29 de abril, no
5º andar do Sesc,
das 9h às 19h

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