Segundo ON
Duas garotas irritantemente cínicas – é claro, o cinismo é sempre irritante -, que pensam ser melhores do que todos à sua volta até começarem a se perceber perdidas num mundo fantasma onde nem entre elas pode haver sintonia. Da forma mais grosseira e resumida, essa é a história de Ghost World, obra de Daniel Clowes que virou clássico independente nos anos 1990. Por outro lado, a trama também fala de amizades feitas e desfeitas, auto-exclusão, inadequação ao mundo, transição da adolescência para a maturidade, tudo de forma brutalmente sincera e por isso mesmo tocante, já que não há como fugir desses dilemas em algum momento da vida e acabar se identificando com elas.
Adaptada ao cinema em 2001, a história fez sucesso nos Estados Unidos à época do seu lançamento, chegando a ser considerada uma das dez melhores graphic novels de todos os tempos pela revista Time. Agora, finalmente, a obra é anunciada no Brasil pela Gal Editora, que tem surpreendido o público trazendo bons títulos como a premiada Fracasso de Público, de Alex Robinson. Programada para abril, a HQ vem traduzida com o nome de Mundo Fantasma. “Ghost World, licenciada nos EUA pela Fantagraphics, havia sido licenciada no Brasil há mais de uma década por uma editora chamada contato, que nunca lançou a obra por aqui”, conta o editor Mauricio Muniz, que somente recentemente descobriu que o álbum estava inédito e disponível para lançamento por aqui. O autor, nascido em Chicago em 1961, tem alguns trabalhos publicados no Brasil, entre eles Como luva de veludo moldada em ferro, graphic novel publicada pela Editora Conrad apresentando uma narrativa surreal e atmosfera noir que têm influenciado toda uma geração de artistas. Além disso, o selo Quadrinhos na Cia prometeu para 2012 a HQ Wilson.
Assista!
O clássico independente Ghost World foi adaptado ao cinema em 2001, pelo diretor Terry Zwigoff, do documentário Crumb, sobre o ícone dos quadrinhos underground. Nos papéis de Enid e Becky estão as jovens atrizes Thora Birch e Scarlett Johansson, além do sempre cômico Steve Buscemi como um excêntrico colecionador de discos. Com uma estética próxima aos quadrinhos e a típica insatisfação juvenil transbordando das cenas, o filme vale a pena por ter conseguido captar com precisão a essência da consagrada história em quadrinhos.


