Gaúcho de ouro

Emiliano Ruschel, que deu os primeiros passos da vida artística em Passo Fundo, conquistou o prêmio de Melhor Ator no Los Angeles Brazilian Film Festival e fala sobre a experiência de carregar o nome do estado pelo mundo

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Quando criança, as brincadeiras o possibilitavam viajar entre mundos. Quando não era um super-herói pronto para salvar o mundo, era um ninja capaz de enfrentar obstáculos e perigos. Desde cedo, os personagens faziam parte dele. Emiliano Ruschel viu na interpretação uma forma de expressar aquilo de mais íntimo que tem dentro de si. E foi na pele de Domingos, do filme Para Sempre Nunca Mais, que o ator recebeu o prêmio de Melhor Ator no Los Angeles Brazilian Film Festival, na sexta-feira, 19 de setembro. De lá pra cá, Emiliano se divide entre a alegria pela conquista e os planos para futuro.

Indicação e prêmio

Ele nasceu em Lagoa Vermelha, mas ainda criança se mudou para Passo Fundo e aqui encontrou um lar. Hoje, é do mundo. Morando em Los Angeles desde o início do ano, Emiliano carrega uma bagagem pesada de experiências. Dos palcos dos teatros ao prêmio no LABFF, o trabalho que realiza é resultado de estudo, dedicação e entrega. Cada passo que deu, desde a escolha pelo centro do país, foi guiada pelo desejo de atuar. Por isso, quando recebeu a notícia da indicação, Emiliano já se sentiu vitorioso. “Eu sempre falo que só de você ser indicado a um prêmio, você já é um vencedor. Na verdade você realizar um filme já é algo muito difícil mesmo. E você sair do interior do estado, ir para o centro do país, para o Rio de Janeiro ou São Paulo e conseguir fazer um teste para um filme, já é vitoria. Você passar no teste e fazer o filme é outra. O filme ficar pronto é outra. Aí você mandar para um festival e ser escolhido entre centenas de outros filmes... Você já é um vencedor!”, comenta.

Quando ouviu o seu nome ser chamado ao palco, na noite daquela sexta-feira, a emoção tomou conta daquele que interpretou de Jesus Cristo a Romeu. “É chover no molhado dizer que não tenho palavras para explicar, eu sei... Mas a verdade é que pura emoção mesmo. Passa uma vida diante dos seus olhos. É a emoção de anos de trabalho e dedicação. Descrevendo seria mais ou menos assim: Tudo fica em câmera lenta e você fica flutuando, é uma emoção incrível! Ao mesmo tempo, quando você se da conta tudo passou em um flash! Tudo que você preparou para dizer some da sua mente. É como fazer uma cena emocionado”, compara. Ainda que, na mente de Emiliano, tudo parecesse um sonho, não foi. “No outro dia quando você acorda, você olha para o lado e confere se o troféu está ali mesmo. Ufa! não foi só mais um sonho, é realidade. De vez em quando, você volta a dar uma olhada, sorri com você mesmo... E quando você percebe você esta trabalhando muito mais que ontem, agora a responsabilidade é maior”, explica. A jornada, ele sabe, está apenas começando.

O rosto de Passo Fundo

Ainda que tenha nascido em Lagoa Vermelha, Emiliano é o rosto de Passo Fundo pelo mundo. E ele sabe disso. “A responsabilidade é grande. Temos inúmeros talentos na nossa cidade e no nosso estado. Temos que valorizar mais a prata da casa, investir mais na cultura e na educação. Temos que investir, ajudar, apoiar do jeito que der os movimentos culturais. Apoiar o teatro. Freqüentar o teatro o as salas de cinema”, opina o ator que questiona também: “Quantos filmes e minisséries eles já vieram rodar no nosso estado? Muitas. Inúmeros filmes. E o Festival de Gramado? 42 anos. Nossa cultura é rica. Eu quero muito retomar isso em Passo Fundo... os filmes do Teixeirinha, os filmes com as historias dos gaúchos. Temos que registrar a nossa história no cinema. E produzir entretenimento. Criar um mercado.”, sugere.

Para Emiliano, o movimento teatral em Passo Fundo é forte e ocupa um espaço importante na cultura da cidade. “Temos que dar força para todos os grupos. Acredito que sempre surgirão talentos em todas as áreas em todos os lugares do mundo, quando eles forem em busca de sua vocação, de seu sonho”, aconselha. Como quem ouve as próprias palavras, Emiliano foi em busca daquilo que sonhava e colhe, hoje, através do LABFF, o resultado das apostas que fez. “É uma honra pra mim ter feito parte da história desse Festival. Já passaram mais de 300 filmes por esse tapete vermelho. Com certeza traz uma visibilidade incrível, maravilhosa. Abre muitas portas”.

Luz, câmera, ação. De novo.

Emiliano não tira os olhos do futuro. Futuro esse que vislumbra o nome do ator em diferentes situações. Domingos de Para Sempre Nunca Mais dá espaço para George de Nova Era, longa que se passa na Inglaterra de 2110. Depois dele, Emiliano se volta para a produção de um filme em parceria com a Dia Indústria da Arte que se passa em Passo Fundo. “Os planos são ousados: vamos rodar em inglês e em português e com a maioria dos talentos locais. Com equipamentos de última geração, mas de forma simples e coerente para darmos o primeiro passo. E espero desenvolver isso para que possamos fazer todo ano pelo menos um filme na cidade”, adianta. E tem mais: também em parceria com a Dia e através da Escola de Atores, Emiliano irá ministrar uma oficina de voltada para a interpretação. “Vamos trabalhar inúmeras coisas, do teatro ao cinema, passando pela TV. Quero preparar os atores para todos fazermos um bom e digno trabalho para a telona”, comenta. Nessa oficina, será feito, também, testes que irão resultar numa participação no filme produzido por aqui.

Emiliano tem uma carreira sólida, repleta de experiências gratificantes que aconteceram como resultado de dedicação. Resultado de um trabalho que começou pelas ruas de Passo Fundo. Ruas essas que Emiliano insiste em ficar de olho. “Como tive que sair para conseguir realizar os meus sonhos, quero devolver um pouco para minha gente a alegria que consegui mundo afora”, conclui.

Obrigado!

Se o trabalho de Emiliano é intenso, os agradecimentos do ator seguem o mesmo rumo. “Dedico esse trabalho a todos os emigrantes italianos que vieram para o Brasil, em busca de uma lar e fizeram da terra o sustendo de suas famílias. Que fazem o Brasil produzir, crescer e se orgulhar desses filhos. Em honra a todos os soldados e familiares dos mortos em batalha em Passa Quatro, Minas Gerais. Dedico esse prêmio as minhas irmãs e aos meus pais, que todos esses anos de luta, precisei morar longe deles. Sempre com o peito aberto e sangrando de saudades. Dedico a família Scalabrin e a família Ruschel. Obrigado a cidade de Passo Fundo que me acolheu e que lá tive a oportunidade de dar os primeiros passos rumo a carreira que trilho hoje. Obrigado a todos que fizeram e fazem parte da minha história”.

Assista o trailer de Para Sempre Nunca Mais:

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