"Acho fascinante ter a chance de errar e acertar"

Armandinho, que faz show nessa sexta-feira em Passo Fundo, conversou com o Segundo sobre música, álcool e a relação com os fãs

Por
· 3 min de leitura
Você prefere ouvir essa matéria?

Há quase 15 anos, a explosão: foi no início de 2002 que os versos de Ursinho de Dormir dominaram as rádios do país. Dominaram. De lá pra cá, dezenas de outras composições se tornaram parte de playlists, trilhas de novelas e de vida. Armandinho é, ao lado de Chimarruts e Natiruts, um dos nomes mais marcantes do reggae no Brasil. São de autoria dele outras tantas músicas que, logo nos primeiros acordes, proporcionam um reconhecimento que é imediato: Desenho de Deus, Outra Vida, Semente, Outra Noite Que Se Vai e, mais recentemente, Sol Loiro são apenas alguns dos títulos que fazem parte dos cinco discos lançados desde o início da carreira. Em Passo Fundo nessa sexta-feira, Armandinho conversou com o Segundo sobre música, planos para o futuro e as mudanças desde que assumiu, publicamente, o problema com o alcoolismo.

Dono da própria carreira
Ele é tranquilo, gosta de ouvir um pouco de tudo e é um apaixonado pela natureza. Gaúcho, escolheu Praia Brava para morar com a mulher e as duas filhas. Hoje, com a carreira consolidada, acredita que morar longe do centro Rio-São Paulo não é um problema. “Existe muita concorrência e ir para os grandes centros é longe e caro. Fui criando meu público pela rede social. Não preciso da TV. E o meu público nem gosta de me ver na TV porque sabe onde me encontrar. Temos uma relação muito boa e ninguém tem o direito de destruir isso. Sou dono da minha própria carreira e sei o caminho a traçar, sei o meu destino. Acho fascinante ter a chance de errar e acertar”, comenta o músico.

Na música, a vida
O sucesso se deve às músicas que, ao longo dos anos, foram capazes de expressar experiências de vida e o segredo talvez esteja na identificação que cada nova letra gera com o público. “A experiência me inspira a fazer música. Ontem mesmo um amigo meu falou uma frase e na hora escrevi uma música inteira. São histórias reais. Por isso as pessoas curtem: porque não são inventadas”. Ainda que todas contem parte da história da vida do músico algumas são especiais. “Outra Vida, Eu Juro, Outra Noite Que Se Vai. Essas são muito especiais. Eu Juro fiz para a mãe da minha filha, quando ainda namorávamos. Outra Vida me emociona bastante. Outra Noite Que Se Vai foi para uma ex-namorada que namorei enquanto meu amigo também namorava ela. Fizemos a música juntos, inclusive”, se diverte.

O álcool
Há dois meses, o Brasil se voltou para Armandinho não pela música, mas pelo surto do cantor nas redes sociais. Depois do surto, um pedido de ajuda: Armandinho assumiu que estava consumindo álcool demais e que precisava ser ajudado. Com mais de 1 milhão de curtidas na página oficial do Facebook, Armandinho tem, de fato, um público consolidado, atento ao trabalho e a vida do músico e que viu no problema uma forma de falar mais sobre o alcoolismo. “O que acontece é que todo mundo está bebendo muito. Comecei a beber, ia pra conveniência e ficava ali. Quando me dei conta, voltava pra casa embriagado e não conseguia passar um dia sem tomar cerveja. Fiz comentários embriagados, falei basteira e não apaguei porque seria muito covarde. Falei e assumi. Graças a Deus, procurei ajuda psiquiátrica e hoje estou usando medicação que me tirou a vontade de beber. Hoje viver sem álcool é a melhor coisa do mundo”, explica.

E o futuro?
O episódio assustou, mas foi a motivação necessária para que Armandinho pudesse encarar a carreira de forma mais madura. “Agora vamos ver o Armandinho sem o álcool. Não estou fazendo campanha contra, que fique claro. Tem pessoas que conseguem tomar uma cerveja e ir pra casa. Eu não. Eu sou eu. É a minha cabeça. Não posso. Tem gente que pode”. Com o álcool no passado, Armandinho só tem olhos para o futuro. O último CD, Sol Loiro, lançado em 2013 foi uma surpresa na vida do músico e agora está sendo trabalhado. “Duas músicas desse CD entraram para o meu show para a vida toda. A Ilha me surpreendeu. E Sol Loiro se eu não cantar, o show não é o mesmo”. Além delas, Trilha do Sol é a próxima candidata a se tornar a mais pedida entre o público. Para Armandinho, resta esperar para ver.

Enquanto isso, os planos não param. Depois de três DVD’s, a ideia é, agora, gravar o Lual Acústico: sai a guitarra e entra o violão e o clima da beira da praia. Antes disso, tem Passo Fundo, essa noite. “Eu não tenho muito roteiro. E vou do jeito que for e dependo da minha galera”, convida. O show acontece no Gran Palazzo e os ingressos estão, obviamente, quase esgotados.

Aproveite e curta a playlist dos sucessos de Armandinho! 

Gostou? Compartilhe