Uma noite com cara de Oscar

Prefeitura Municipal e Universidade de Passo Fundo lançam I Festival Escolar de Cinema para unir, em uma mostra competitiva, as produções anuais feitas nas escolas

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Curtas-metragens selecionados serão exibidos no Teatro Municipal Múcio de CastroCurtas-metragens selecionados serão exibidos no Teatro Municipal Múcio de Castro
Curtas-metragens selecionados serão exibidos no Teatro Municipal Múcio de Castro
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Há mais de dez anos, nas escolas de Passo Fundo, tornou-se comum a produção de curtas-metragens pelos alunos como parte do processo de aprendizado, principalmente em disciplinas relacionadas à literatura. E se, em vez de serem isolados dentro de suas escolas, esses filmes protagonizassem uma saudável mostra competitiva premiando o que de melhor é realizado a cada ano? Para valorizar os esforços dos estudantes, a Prefeitura Municipal de Passo Fundo, por meio da Secretaria de Cultura, e a Universidade de Passo Fundo (UPF), por meio da Faculdade de Artes e Comunicação (FAC), lançaram nesta semana o I Festival Escolar de Cinema – Audiovisuais de Curta Duração.


Durante a semana do dia 29 de outubro, sempre à noite e com acesso liberado para o público, o Teatro Municipal Múcio de Castro exibirá curtas desenvolvidos por alunos do ensino médio em atividades realizadas em suas escolas, visando incentivar e promover a produção na área cinematográfica e estimular o desenvolvimento e a produção audiovisuais de cunho educativo e cultural. Será uma rica semana de exibições, que culmina em uma noite de gala com indicações, suspense e premiação – a cara do Oscar.

 

Nesta primeira edição do Festival, serão entregues prêmios para nove categorias: melhor filme, direção, ator, atriz, sonoplastia, direção de arte, fotografia, pôster e roteiro (os dois últimos com inscrição não obrigatória). O júri será formado por professores da UPF e convidados. A divulgação dos curtas selecionados para serem exibidos será feita no dia 21 de outubro, mas os indicados aos prêmios serão divulgados somente após as exibições, no dia 31 de outubro, quando a comissão organizadora irá revelar os cinco indicados em cada categoria. A premiação será entregue em uma cerimônia na noite de 1º de novembro, no Centro de Eventos da UPF.

 

Para o secretário de Cultura, Henrique Fonseca, o festival é consequência natural de uma ação que se desenvolve há anos. “As escolas de Passo Fundo há muito tempo vêm valorizando a linguagem do audiovisual como complemento indispensável de reflexão e formação do jovem. O festival, até então interno, passa a uma dimensão maior de profissionalismo, integração, diálogos entre escolas”, destaca.

 

Co-organizador pela UPF, ao lado da professora Bibiana de Paula Friderichs, o professor do curso de Jornalismo e coordenador do Projeto de Extensão Ponto de Cinema, Fábio Rockenbach, aposta no sucesso do formato e, sobretudo, na importância da metodologia. “Produzir os curtas vai além de ampliar a visão sobre a obra literária. Ao aprenderem sobre o audiovisual, os alunos abrem os olhos para uma linguagem que cerca o dia a dia deles e que eles não estavam acostumados a ver com atenção. É importante também por mostrar que, tanto quanto saber ler o texto, é importante entender a mensagem da imagem e do som, que afeta eles todos os dias”, destaca.

 

Escolas abraçam a ideia

Para a responsável pelo Festival de Cinema Integrado UPF, professora Nara Marley Alessio Rubert, a atividade concede ao aluno um papel ativo na relação com a arte. “É o jovem leitor, estudante do nível médio, que ainda não entrou na vida acadêmica, colocado no papel de sujeito, que não vai apenas receber a adaptação literária para o cinema profissional, mas produzir esse conteúdo”, pondera.
A visão da professora Nara não é isolada: para a professora Vanessa França, do Colégio Tiradentes da Brigada Militar, o uso de uma outra linguagem faz com que os alunos aprofundem também o interesse pelas obras e pelos autores. “Os alunos sentem-se desafiados a colocar na tela a melhor interpretação da leitura feita, tentando transmitir as mesmas emoções por eles vivenciadas. Assim, esmeram-se nos detalhes para fazer dessa transposição fílmica uma experiência única. Às vezes, acontece até mesmo de ficaram muito ligados às obras dos autores trabalhados, buscando conhecê-los mais a fundo, lendo mais obras, indo muito além da leitura de um único livro”, observa.
Indo na mesma direção, o professor Luan Fogolari, responsável pela atividade em duas escolas de Passo Fundo, o Bom Conselho e o Conceição, valoriza a produção dos filmes por também fugir à rotina escolar. “Cabe às áreas ligadas as diferentes linguagens e à equipe buscar sempre alternativas, como o ‘cinema’, já que serve como um instrumento de criação e reflexão, tão importantes na formação dos adolescentes”, explica.
Os três professores concordam que o Festival agrega muito em uma atividade que já se tornou obrigatória e muito aguardada pelos alunos. Enquanto Luan cita o benefício de um “novo espaço de discussão acerca da formação de leitores”, a professora Vanessa celebra a consequência natural do Festival: a valorização das escolas, dos professores e a motivação ainda maior para fazer o que os alunos já sentem prazer, em um encontro que, como completa a professora Nara, “independente da competição, todos ganham”.

 

Como participar?
Podem participar do Festival todos os filmes produzidos nas escolas até 31/12/2018, sem restrições, desde que a produção tenha ocorrido durante o período escolar e sob orientação de um professor, com tempo mínimo de 5 minutos e máximo de 20 minutos. As inscrições serão online e devem ser feitas pelos próprios alunos e ex-aluno até o dia 09 de outubro de 2019. A ficha de inscrição está disponível no site da Secretaria da Cultura, na aba Concursos Culturais (em http://www.pmpf.rs.gov.br/secretaria.php?c=395). Para participar, os responsáveis pelo curta preencher a ficha de inscrição que está disponível no site com as instruções para envio do curta e de outros arquivos.

 

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