Literatura como farol de transformação

33ª Feira do Livro de Passo Fundo já recebeu mais de duas mil pessoas nos primeiros dias de programação

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Nos dicionários de língua portuguesa, o termo “leitura” é definido, puramente, como o ato ou efeito de ler. Nas românticas definições informais, por outro lado, há quem explique seu significado comparando a abertura de um livro com o abrir das portas da imaginação. Para o patrono da 33ª Feira do Livro de Passo Fundo, Pablo Morenno, o significado vai bem além disso. “O livro tem o papel de iluminar, como o próprio farol, a vida e o mundo para que possamos compreender melhor a nós mesmos e ao universo como um todo. Hoje, vivemos tempos em que precisamos ler mais que o livro. Precisamos ler o mundo, a realidade, sistematizar dados e interpretar situações completas”, resume. As palavras de Morenno dão conta de explicar o motivo pelo qual, neste ano, a atividade leva como tema “Livro: Farol de Transformação”. Aberta ao público desde a última sexta-feira (1º), a Feira do Livro já recebeu mais de duas mil pessoas em sua lona, no estacionamento aberto do Passo Fundo Shopping. A programação segue até o dia 10 deste mês, das 9 às 21h, com entrada gratuita.

Editor e escritor de literatura infantil, infanto-juvenil e adulta, Pablo Morenno coleciona na bagagem 12 livros publicados, diversos prêmios literários e mais de 20 patronatos de feiras do livro no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina. Essa é a primeira vez, porém, que ele é homenageado como patrono na feira passo-fundense. “Ser patrono aqui, na cidade onde eu vivo, é um sinal de que estou no caminho certo. É o auge do reconhecimento pelo trabalho que, há 17 anos, tenho feito na literatura infantil e juvenil. A literatura mexe com as pessoas e promove emoções. Receber o carinho dos leitores está sendo uma experiência muito feliz”, comenta o autor.

O tom de gratidão expresso nas palavras de Pablo Morenno é acompanhado, também, por uma carga de resistência. Assim como destacou o vice-prefeito de Passo Fundo, João Pedro Nunes, em discurso durante a abertura oficial, a atual edição do evento é um ato de “superação”. Principalmente diante de um cenário de massivos cortes nas verbas destinadas à cultura, em todo o país. “Por lei, somos a Capital Estadual e Nacional da Literatura. Mas uma lei não muda o comportamento das pessoas. É preciso que a gente fomente eventos literários e, consequentemente, o hábito da leitura. Passo Fundo já perdeu, neste ano, a Jornada de Literatura. A realização da Feira do Livro também não foi fácil. Os livreiros e a Secretaria de Cultura precisaram trabalhar muito para conseguir a captação de recursos. Felizmente conseguimos. Que capital seria essa em que a Jornada não acontece e a feira também não? O que sobra para a gente?”, questiona Morenno.

 

Programação literária

A programação segue intensa até o próximo domingo. Nesta terça-feira (5), entre as atrações, estão previstas, às 9h e às 13h30min, contações de histórias; às 9h30min e às 14h, bate-papo com o autor Cesar Obeid; além de apresentações artísticas de instituições de ensino da região, entre as 15h e as 19h30min. Na quarta, a feira segue com contações de histórias às 9h e às 13h30min; bate-papo com a autora Eleonora Medeiros, às 9h30min e às 14h; apresentações artísticas escolares às 15h, 15h30min, 16h e 17h; e, por fim, um bate-papo e mesa redonda às 18h30min, com os autores Elaine Maritza da Silveira, Eliandro Rocha e Pablo Morenno, com o tema “Literatura para a infância: temas proibidos e censura”.

O patrono da 33ª Feira do Livro destaca a importância da mesa-redonda prevista para acontecer nesta quarta-feira. De acordo com ele, a atividade é uma chance enriquecedora de reflexão para a comunidade. “É um assunto muito importante, principalmente agora que estamos voltando a debater a censura em ambiente escolar. Temos vistos exemplos de várias tentativas de censurar livros que não tratem temas bonitinhos, como se a vida fosse um mar de rosas e não existisse dor, perda e questões sobre sexualidade”. O restante da programação pode ser conferido nas redes sociais do evento.

 

Prêmio Literário Cidade de Passo Fundo

O anúncio dos vencedores do Prêmio Literário Cidade de Passo Fundo também integrou a programação da Feira do Livro, no último domingo. A segunda edição do prêmio destinou um prêmio de R$ 5.000 para cada uma das quatro categorias: conto, poesia, crônica e romance. A seleção das obras ficou sob a responsabilidade da coordenação das Jornadas Literárias: Fabiane Verardi Burlamaque, Miguel Rettenmaier e equipe que avaliaram os 21 inscritos ao prêmio. Todas as obras que passaram pelo processo de seleção, tiveram avaliados diversos critérios, tais como originalidade, técnica narrativa e desenvolvimento da ação, construção das personagens, estilo e estrutura e domínio do idioma e inventividade. O escritor Pablo Morenno, vencedor na categoria Poesia, ressaltou o reconhecimento aos gestores públicos de Passo Fundo e destacou a importância de incentivar a produção literária. “Esse prêmio nasceu de um desejo de escritores da cidade. É um movimento que viemos fazendo para consolidar a literatura em Passo Fundo. Não basta consumirmos muitos livros. A gente precisa incentivar a produção local e levá-la para todo o Brasil”.

 

Romance

1º lugar: A Última Rosa do Verão, de Letícia Copatti Dogenski

Poesia

1º lugar: Alfabeto Poético dos Nomes, de José Antônio Machado e Pablo Morenno – ilustrações de Simone Matias

Conto

1º lugar: Três Finais de um Jacaré, de Christian David – ilustrações de Laura Castilhos

Crônica

1º lugar: A Cerimônia da Lamparina, de Agostinho Both

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