“Delicadezas” na tela do Cinelaser

Jorge Alberto Salton utiliza o mise en abyme para narrar dentro da narrativa

Por
· 2 min de leitura
Yasmin Hermann em cena de Delicadezas  - Foto – DivulgaçãoYasmin Hermann em cena de Delicadezas  - Foto – Divulgação
Yasmin Hermann em cena de Delicadezas - Foto – Divulgação
Você prefere ouvir essa matéria?
A- A+

“Delicadezas” é o novo longa-metragem com direção e roteiro do passo-fundense Jorge Alberto Salton. Médico, psiquiatria, escritor, cineasta e professor de ética médica, produz filmes desde 2008. O novo trabalho chega ao Cinelesar do Passo Fundo Shopping na próxima semana, com sessões de quarta a sexta-feira, às 19h20. O elenco tem Márcio Meneghell, Yasmin Hermann e Ciciliana Rech. Tem gostinho de nosso, pois foi rodado por aqui mesmo. A trilha sonora também vem com nomes da terrinha, como Chico Fran Fran, Jader Escouto, Fabíula Mugnol, Paulo Reichert, Cláudio Wagner e Guilherme Gambetta.

Teatro na tela

“O filme nos oferece lufadas de delicadezas”, diz Salton. E, resume Delicadezas. “Após assistir, contrariada, peça de teatro com base em crônicas deixadas por seu avô, adolescente relembra passagens da vida dele e de sua vida com ele. Acontecimentos da vida do avô - médico - são reveladas diretamente na voz dele e também no formato de peça de teatro. O paciente que o fez médico, as menininhas na Emergência, o fantasma da vila difícil, o psiquiatra rural que não sabia andar a cavalo, quando aprendeu a caçar ganso e outras tantas mais”.

Filme de arte e independente

“Delicadezas é um filme de arte conforme a descrição de David Bordwel em artigo de 1979 intitulado ‘The Art Cinema as a Mode of Film Practice’. Filme independente, não é voltado para um público de massa. Deixa ao espectador do cinema a tarefa de pensar sobre: por que contar a história dessa maneira?”

Gravura em caneta esferográfica de Isaias Klein para o filme - Isaias Klein- Reprodução

Cinema em reflexão

O filme atrai quem deseja extrair insights, refletir não só sobre o conteúdo narrado, mas sobre a própria arte do cinema. “Ikiru (Viver)” (1952), de Akiro Kurosawa (1910-1998), é um ótimo exemplo de como os filmes de arte, em geral, partem de enredos muito simples. Watanabe, um homem que trabalhou como burocrata por trinta anos na prefeitura de Tóquio e está com uma doença terminal diz, em um bar, para um estranho: ‘Eu não posso morrer, pois não sei para que vivi durante todos esses anos’. O crítico Roger Ebert disse que revia “Ikiro” a cada cinco anos. Se em “Viver”, é Watanabe que se transforma, em “Delicadezas” é Ana Beatriz. Em ambos, a mudança é sutil. “Parece pequena, sem ser pequena. Uma neta que reluta a viver o luto pelo avô e admitir que, como todos, precisamos de um farol - mesmo que um velho farol - para nos iluminar o caminho”, antecipa Jorge Alberto Salton.

Mise en abyme

“Delicadezas utiliza-se de mise en abyme, termo usado pela primeira vez pelo francês André Gide, Prêmio Nobel de Literatura de 1947. É uma forma de narrar que contém outra forma narrativa dentro de si. Há teatro dentro do longa-metragem”, revela o diretor.

SERVIÇO:

"Delicadezas"

Datas: de 03 a 05 de setembro

Horário: 19h20

Local: Cinelaser - Passo Fundo Shopping.

Ingressos: no local ou pelo site


Gostou? Compartilhe