Região do Planalto aposta na citricultura

Seminário abordou perspectivas para produção e mercado de citrus

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Bons preços dos citros e vocação produtiva da região do Planalto animam produtores. Esse foi um dos temas do 4º Seminário Municipal de Fruticultura, realizado em Rondinha, que contou com a presença de mais de cem produtores rurais, além de lideranças e técnicos, na quinta-feira (25). O evento foi na Câmara de Vereadores e oportunizou uma apresentação da citricultura do município de Rondinha e de Liberato Salzano, além de novidades sobre variedades de citros e momento para debates.

O seminário contou com a palestra do agrônomo José Carlos Machado, do município de Turuçu, que apresentou as novas variedades para a produção de citros de mesa. De acordo com o assistente técnico regional da Emater RS da área de fruticultura, Ivan Guarienti, a perspectiva é boa para o setor. "A laranja indústria poderá atingir o preço de R$ 0,25 o quilo, sendo que no ano passado o valor pago variou entre R$ 0,09 e R$ 0,11. Já a tendência é de que a laranja de mesa receba valor de R$ 0,46 o quilo, cerca de R$ 0,30 a mais do que no ano passado", disse Guarienti.

Conforme Guarienti, as perspectivas para o Rio Grande do Sul são boas em função da quebra de 17% na produção dos Estados Unidos e pela redução em 20% da produção nacional, pelo excesso de chuva e pela redução dos pomares para cultiva da cana-de-açúcar. "A estimativa é de colher 200 mil toneladas de citros na região administrativa da Emater de Passo Fundo", avalia o agrônomo. Ele salienta que a região tem vocação para produção de fruta de mesa, muito em especial por causa do clima favorável. "A região caracteriza-se por produzir frutas sem sementes, com cor acentuada e época elástica de produção", explica.

Na oportunidade foi realizada, também, a apresentação da citricultura do município de Rondinha, que conta hoje com uma área implantada de 171,60 hectares. Conforme apresentaram o técnico da Emater RS, Valtemir Bazeggio, e do secretário municipal de Agricultura, João Wolmann, Liberato Salzano conta hoje com 1.218 hectares cultivados com citros e 470 produtores. O início da citricultura no município foi em 1987, quando 25 produtores estavam cultivando laranjas valência em um total de 18 hectares, que tinham como destino a fabricação de sucos. Em 1990 abriu o escritório da Emater RS, quando a base da agricultura era grãos. A evolução foi lenta até o ano de 1996, quando iniciou o plantio de mudas de torrão, trazidas de São Paulo e começaram a ser introduzidas as variedades de bergamotas murcott e montenegrina e a laranja folha murcha.
O citricultor de Liberato Salzano, Jocemar Marta, que tem uma área total de 32,5 ha e em 12,1 ha cultiva citros, fez uma análise sobre as culturas da soja, milho e trigo e os citros. Segundo ele, a renda líquida por hectare que consegue com milho e soja, por exemplo, é de R$ 870,00 e R$ 975,00, respectivamente. Já na mesma área cultivada com citros a renda por hectare é de R$ 4.036,63. Para Jocemar, o segredo está na dedicação, uso de tecnologia, escolha das melhores áreas para o plantio, mecanização, cultivar variedades que possa colher em diferentes épocas, além de ocupar a mão de obra familiar.

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