Embora o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que mede a inflação oficial no país, tenha ficado praticamente estável de junho para julho (de 0,15% para 0,16%), o perfil do resultado teve diferenças significativas entre os dois meses. De acordo com a coordenadora de Índices de Preços do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Eulina Nunes dos Santos, em julho, a taxa foi pressionada, principalmente, pela alta nos combustíveis, cujos preços subiram, em média, 0,47% no mês, depois de caírem 4,25% em junho. O litro da gasolina, que havia registrado queda de 3,94% um mês antes, teve alta de 0,15% no período.
“Em julho a maioria dos grupos apresentou resultado inferior ao observado em junho. A pressão veio basicamente dos combustíveis, que vinham durante dois meses apresentando resultados negativos, e voltaram a pressionar a inflação, especialmente por causa do etanol, que por sua vez pressiona os preços da gasolina”, destacou Eulina.
“Esse é um dos itens mais importantes no orçamento das famílias. Qualquer movimento nele mexe no bolso do consumidor e nos índices de inflação”, explicou, acrescentando que somente este ano a gasolina acumula alta de 6,30%, superior à elevação registrada durante todo o ano passado (1,67%). O etanol subiu, de janeiro a julho, 10,19%. Já ao longo de 2010 acumulou aumento de 4,36%.
Segundo Eulina, a alta no etanol pode ser explicada por problemas na safra da cana-de-açúcar, que deve ter redução de 5% este ano, e pela perda de qualidade do produto em função de problemas climáticos, além do “descompasso entre a oferta e a procura, com o aumento da frota de carros flex no país”.
Com isso, a taxa do grupo transportes, também pressionada pelas tarifas de ônibus interestaduais (de 0,55% para 5,60%), que tiveram reajuste em julho, passou de – 0,61% para 0,46% no período.


