Os equívocos na preparação do Brasil para a Copa de 2006 são frequentemente usados pelo técnico Dunga para justificar o rigor da atual comissão técnica. Colocado como responsável direto no episódio, o então treinador Carlos Alberto Parreira desabafou e apontou o desinteresse — que tem como um dos exemplos o excesso de peso de alguns jogadores — como fator para a queda nas quartas de final.
“Não perdi a Copa de 2006 sozinho. Chega disso! Vamos parar de hipocrisia! Tenho parte na culpa. Formei uma seleção maravilhosa que ganhou a Copa América, ganhou a Copa das Confederações vencendo a Alemanha e Argentina. E classifiquei o Brasil três jogos antes do final das eliminatórias. Não posso fazer nada se jogadores são irresponsáveis a ponto de chegar para uma Copa pesando 100, 101 quilos. Isso não tem cabimento. Na Alemanha eu tive nas mãos um time sem comprometimento, sem ambição, jogadores enriquecidos, não se preocupando de verdade com a competição. Atletas que não perceberam ou que esqueceram o que significa ganhar a Copa. Um time de barriga cheia. Cansado de conquistas. Se a legislação da Fifa permitisse, eu teria até tirado alguns deles do grupo”, desabafou Parreira ao blog do jornalista Cosme Rímoli.
Atual técnico da África do Sul, Parreira não quis citar nomes, mas é sabido que Adriano e Ronaldo se apresentaram bem acima do peso. Ele também se eximiu de culpa na preparação em Weggis, na Suíça. “É evidente que não poderia dizer não para Weggis. Nenhum técnico poderia. A preparação não foi a ideal. Pelo contrário até. Mas é muito pobre pensar que o Brasil perdeu a Copa pelo que aconteceu em Weggis. Foi pela falta de ambição e falta de comprometimento de jogadores fundamentais”.

