Maria Eduarda Salomoni Lago está com 32 anos de idade. Mas seu nome brilha nas pistas do motociclismo há muito tempo. Conquistou seu primeiro Campeonato Gaúcho de Motocross em 2011. Depois, foi para o Velocross, onde arrebatou os títulos de 2015, 2016, 2017 e 2018. Para Duda era pouco e buscou o penta na Arena Velocross, em 2019. Veio a graduação em psicologia. Casou com o desportista Robson Lago, campeão brasileiro de Tiro ao Prato. Chegaram os filhos Heitor e Pedro. Longe das pistas, a jovem mamãe teve que saltar outro obstáculo: um diagnóstico de câncer. O salto foi preciso, veio o alívio e, agora, Dudinha retorna ao motocross. E, na reestreia, o filho mais velho também estava no grid.
De volta aos saltos
Além de saltar obstáculos com sua moto número 127, Duda ainda doma as adversidades da vida. Arrojada nos saltos, também sofreu com algumas consequências. “Já tive o pé e a clavícula quebrados”, lembra. Isso freou um pouco seu ímpeto motoqueiro. “Motocross com salto parei em 2013 e, depois, foi só o velocross que é sem saltos”. Portanto, no final de março, 13 anos depois Duda retornou ao Motocross. “Escolhi o Campeonato Catarinense, pois aqui no nosso estadual não existe mais a categoria feminina”. Disputou a prova em Indaial e ficou em terceiro no pódio. “P3 com gosto de primeiro lugar. Liderando boa parte da corrida, provando para mim mesma que ainda sou capaz. Estar de volta ao meu sonho é um presente de Deus. A essência permanece, o sonho se renova e a família agora acelera junto”, disse com entusiasmo.
Deus no comando
O entusiasmo, ao falar em Deus, vem de um momento delicado para superar um obstáculo maior. “Final de 2022, após ganhar meu filho, estava me organizando para retornar às pistas quando descobri um tumor no ovário e no peritônio. Isso me deixou bem abalada. Logo eu, que sempre levei uma vida bem saudável e até careta? Havia 98% de chances de malignidade”. Desta vez, Dudinha não estava no comando da moto e a superação veio da Fé. “Eu não acreditava em Deus, mas teve um momento em que pedi para que eu pudesse ver os meus filhos crescer. Se você existe, então me tira dessa. Em seis meses estava recuperada. Voltei a andar (nas competições). Estar de volta ao meu sonho é um presente de Deus”.
Família nas pistas
Parece que a genética também atua na família de campeões. “No início de 2025, meus filhos Heitor com 5 anos e Pedro com 4 anos começaram pedir para pilotar motos como a mamãe pilotava. Compramos as motos novamente e fomos a família completa para as pistas, retornando em algumas provas de velocross”, conta Maria Eduarda. Os filhos tiveram adaptação fácil à modalidade. “O Heitor já pode disputar, mas o Pedro não tem a idade necessária. Mesmo assim, ele vai muito bem e já tem fãs no Insta dele”, diz a orgulhosa mamãe-piloto.
Superar custos
Além de treinamentos, a proposta familiar tem um custo, pois as motos são preparadas para competições. Isso significa uma moto especial para Duda, outra para Heitor e mais uma para Pedro. E, é claro, papai Robson também brinca em duas rodas. Porém, foi necessário superar outro antigo problema: a falta de pista adequada em Passo Fundo. Duda encaminha a solução. “Este ano, estamos construindo uma pista de motocross em nossa chácara, uma luta e um sonho de mais de 20 anos. Optamos por fazer uma pista de motocross particular para, então, investir no futuro do esporte, para meus filhos que já estão iniciando em nível profissional e necessitam de local técnico para treinos”.
O retorno

Na volta à modalidade, após 13 anos longe das pistas de motocross, Dudinha regressou de Indaial feliz com seu desempenho. “Fui sem expectativa, um estadual de alto nível, correndo contra pilotas de equipes bem estruturadas. Fiz o holeshot (piloto mais rápido na primeira curva), liderei a metade da prova e terminei a corrida em 3º lugar e o troféu de holeshot. Minha expectativa era tentar 5º colocação e não liderar boa parte da prova. Bom, fiquei bem nervosa, não estava mais acostumada com a pressão de uma prova, mas tudo isso aconteceu para me mostrar que ainda sou capaz”, conta Duda em mais um salto da vida.
Heitor
Se Dudinha brilhou, a comemoração familiar foi ainda maior. “Tivemos a estreia na pista do meu filho mais velho, Heitor Lago, de 6 anos. Ele competiu na categoria de base, motos de 50cc até 10 anos. Ele Foi muito corajoso, era o mais novo do gate, e mostrou garra até o final”, avalia Duda com olhar de piloto e com coração de mãe. Ela sabe que a primeira prova é sempre uma adrenalina extra. Agora, é seguir saltando em família para chegar ao pódio. Isso porque, para Maria Eduarda, Heitor, Pedro e a vida são “presentes de Deus”.



