A Expodireto Cotrijal 2026 foi oficialmente lançada na manhã de hoje (9), em Porto Alegre, com um forte apelo político e institucional em defesa da securitização das dívidas dos agricultores gaúchos e com o anúncio da expansão física do Parque da Expodireto, em Não-Me-Toque. O evento reuniu autoridades estaduais e nacionais, lideranças do agronegócio e representantes do setor produtivo, com destaque para a presença do governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite.
Durante a abertura, o presidente da Cotrijal, Nei César Mânica, fez um pronunciamento enfático sobre a situação financeira enfrentada pelos produtores rurais do estado após sucessivas estiagens e eventos climáticos extremos. Segundo ele, o passivo acumulado no campo exige medidas estruturantes por parte do governo federal. “O produtor quer pagar, mas não tem renda. O que falta é compreensão para alongar essas dívidas com juros compatíveis”, afirmou.
Fundo de Seguro Agrícola
Mânica defendeu a criação de um Fundo Nacional de Seguro Agrícola, com a participação de toda a cadeia produtiva, como forma de garantir suporte ao setor em momentos de crise. “É o produtor, a indústria de máquinas, de fertilizantes, de sementes, todos participando para que, quando houver um problema, a economia não pare. O dinheiro precisa continuar girando”, destacou, acrescentando que o tema do seguro agrícola estará no centro dos debates da Expodireto, que ocorre de 9 a 13 de março.
Ampliação do parque
Um dos anúncios mais simbólicos do lançamento foi a apresentação do projeto de ampliação do Parque da Expodireto, que ganhará mais 14 quadras destinadas especialmente ao setor de máquinas e equipamentos. A obra, viabilizada a partir da municipalização de um trecho de estrada que separava o parque do estacionamento, permitirá a incorporação de uma área estratégica ao espaço da feira.
Segundo o presidente, a antiga rodovia está sendo desativada e um novo traçado foi construído abaixo do parque, possibilitando a unificação da área. “Estamos preparando o parque para atender a uma demanda reprimida de mais de 200 empresas que aguardam espaço para participar da feira. Pensar grande é o que nos trouxe até aqui”, afirmou. A expectativa é de que a nova área esteja plenamente disponível até 2027.
Preparativos intensificados
Com menos de um mês para a abertura da feira, os preparativos entram em ritmo acelerado em Não-Me-Toque. Desde o início de fevereiro, as empresas iniciaram a montagem dos estandes, mobilizando entre 3,5 mil e 4 mil pessoas nas atividades pré-feira. O trabalho envolve desde a instalação das estruturas até credenciamento, segurança, logística e organização dos fluxos internos do parque.
Além disso, a organização intensifica os cuidados com manutenção, limpeza, jardinagem e paisagismo. “Queremos que o público tenha uma experiência cada vez mais positiva. A Expodireto é uma feira de negócios, inovação e tecnologia, mas também é um espaço que inspira quem vive e trabalha no campo”, ressaltou Mânica.
Expositores
Nesta edição, cerca de 550 expositores já estão confirmados. O Pavilhão da Agricultura Familiar reunirá aproximadamente 200 produtores e agroindústrias, enquanto espaços como a Arena Agrodigital, a área internacional, os setores de Produção Vegetal, Produção Animal, Meio Ambiente e os tradicionais encontros de jovens e mulheres do agro reforçam o caráter diversificado e estratégico da feira.
Governo reforça investimentos
Em seu pronunciamento, o governador Eduardo Leite destacou o papel do estado como facilitador do desenvolvimento do agronegócio, citando investimentos históricos em infraestrutura e ações para reduzir entraves burocráticos. Segundo ele, o Rio Grande do Sul passou de um cenário de restrição fiscal para um ciclo forte de investimentos. “Saímos de R$ 150 milhões por ano para R$ 1,5 bilhão em investimentos em estradas, com reflexos diretos para regiões produtoras como o Alto Jacuí”, afirmou.
Leite também enfatizou as medidas adotadas para ampliar a irrigação no estado, como a retirada da exigência de licenciamento para instalação de pivôs e a descentralização de autorizações para açudes e barramentos. Para o governador, essas ações são fundamentais diante da recorrência das estiagens.
Sobre a situação financeira dos produtores, o governador reiterou o apoio do governo estadual ao projeto de securitização das dívidas, que tramita no Senado. “Não estamos falando de anistia, mas de dar condições para que o produtor continue produzindo, invista em irrigação e mantenha a capacidade produtiva do estado”, afirmou, lembrando que o agronegócio responde por cerca de 40% do PIB gaúcho.
Leite destacou ainda que a Expodireto vai além de uma vitrine de tecnologia. “É também um espaço legítimo de reivindicação política, em defesa dos interesses do Rio Grande do Sul e da manutenção da força econômica do nosso campo”, concluiu.


