Neste mês, o mundo veste rosa para dizer que sim, é possível vencer a doença responsável por 30% dos cânceres diagnosticados em mulheres brasileiras. Com avanço científico, consciência coletiva, assistência qualificada, inclusiva e abrangente, pode-se reduzir as estatísticas em ascensão. O INCA (Instituto Nacional de Câncer) mostra que a neoplasia mamária deve registrar 78.610 novos casos a cada ano do triênio 2026-2028. Em comparação ao período 2023-2025, o crescimento no número de casos de câncer de mama no novo triênio deve chegar a 5 mil novas ocorrências anuais.
Mais diagnósticos
Em relação a esse panorama, o mastologista Leandro Pacheco, que atua em Passo Fundo e coordena o Ambulatório de Mastologia do Hospital São Vicente de Paulo (HSVP), afirma que estão fazendo mais diagnósticos de câncer de mama, especialmente no Rio Grande do Sul. “Estudos apontam que o nosso estado apresenta o maior número de obesos, de fumantes, a população mais idosa, mais sedentária e que mais consome bebida alcóolica. Essa realidade configura um estilo de vida desfavorável, que contribui para aumentar o número de casos”, conclui.
Mudar hábitos é olhar além do espelho
A mudança de hábitos não saudáveis começa com uma atitude; priorizar o cuidado com a saúde. Nesse sentido, Pacheco reforça que alimentação equilibrada, mais natural ajuda manter o peso e previne câncer de mama. Da mesma forma que a prática de atividades físicas, não fumar, não consumir bebidas alcóolicas em excesso, manter exames em dia, em especial a mamografia anual a partir dos 40 anos de idade, são bons hábitos que poderão reduzir o risco para desenvolver câncer de mama e outras doenças.
Segundo o mastologista, diagnóstico precoce é fundamental para “iniciarmos o tratamento cedo, termos boa resolutividade da terapêutica recomendada e maiores chances de cura. Hoje, os tratamentos estão cada vez mais personalizados, o que é um avanço significativo para alcançarmos os melhores resultados”.
Investigar e prevenir
Há situações que as mulheres não precisam consultar com um mastologista urgentemente. Já outras, elas precisam investigar o mais breve possível. A seguir, Pacheco pontua o que deve ser investigado e o que pode esperar.
Além do laço cor-de-rosa
Durante esse mês, entidades propõem campanhas e temas que informem, instiguem a reflexão e a mudança para prevenção e uma melhor qualidade de vida. A Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) traz o tema “A vida nos une. O cuidado nos move”. A campanha reforça o posicionamento da SBM para a ampliação do acesso ao diagnóstico, tratamento, à pesquisa científica e informação sobre o câncer de mama. O Instituto Vencer o Câncer traz um conteúdo que visa enxergar além do laço, ao abordar os vários tipos de câncer de mama.
Câncer de mama é um desafio mundial
Um novo estudo publicado na revista científica The Lancet Oncology projeta que o número de casos anuais de câncer de mama deve saltar de 2,3 milhões em 2023 para 3,5 milhões em 2050. A análise reúne dados de 204 países e integra o Global Burden of Disease 2023, o maior levantamento epidemiológico do mundo.
A taxa de mortalidade padronizada por idade —indicador que permite comparar países com estruturas etárias diferentes— caiu quase 30% nas nações ricas nas últimas três décadas. Já em países de baixa renda, praticamente dobrou (crescimento de 99,3%).
OMS
Nos países de maior renda o que sustenta a queda de mortalidade são programas organizados de rastreamento, diagnóstico precoce e acesso a terapias mais modernas. Neste aspecto, muitos países não alcançarão a meta da Organização Mundial da Saúde (OMS) de reduzir em 2,5% ao ano a mortalidade por câncer de mama até 2040.
Se as projeções globais se confirmarem e os casos continuarem a crescer até 2050, os desafios para o Brasil, que não conseguiu reduzir as taxas de mortalidade, deixa de ser apenas ampliar o rastreamento. Passará a ser aumento dos diagnósticos acompanhado por acesso rápido ao tratamento e redução das desigualdades regionais.
O que investigar?
Nódulo (caroço) novo, em especial se for endurecido, fixo e indolor.
Alterações na pele da mama, como: pele vermelha, quente, inchada ou com aspecto que lembra uma "casca de laranja".
Mudanças no mamilo: retração recente (o bico do peito virar para dentro), feridas que não cicatrizam ou descamação contínua.
Secreção espontânea: líquido que sai sozinho pelo mamilo (sem apertar), principalmente se for transparente como água ou contiver sangue, e sair de apenas uma das mamas.
Caroços na axila ou pescoço.
O que pode esperar?
Dor mamária (Mastalgia).
Cistos conhecidos ou Fibroadenomas estáveis (que são benignos);
Assimetria antiga, como ter uma mama bastante diferente da outra em tamanho ou formato é comum.


