Após a chuva, hora da limpeza e de contabilizar os prejuízos

Alto volume de precipitação forçou o desalojamento das residências. Ao todo, 98 pessoas foram retiradas de suas casas

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No bairro Entre Rio, moradores precisaram se desfazer de móveis e objetos atingidos pela água - FOTO: KLEITON VASCONCELLOS/ONNo bairro Entre Rio, moradores precisaram se desfazer de móveis e objetos atingidos pela água - FOTO: KLEITON VASCONCELLOS/ON
No bairro Entre Rio, moradores precisaram se desfazer de móveis e objetos atingidos pela água - FOTO: KLEITON VASCONCELLOS/ON
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Entre a noite de segunda-feira (20) e a terça-feira (21), Passo Fundo registrou uma chuva histórica. Na estação pluviométrica da Embrapa, o volume acumulado foi de 174 mm. Já conforme a Prefeitura, um dos pontos de medição da cidade registrou 218 mm. Com tanta água em pouco tempo, muitas famílias tiveram que deixar suas residências.

Os pontos críticos concentraram-se nos bairros Victor Issler e Santa Maria. Durante a noite, também houve alagamentos nos bairros Entre Rios, Maggi de Césaro e Vila Floresta. Ao todo, as equipes da Coordenadoria Municipal de Proteção e Defesa Civil, das secretarias municipais, da Guarda Municipal de Trânsito, do Corpo de Bombeiros, da Brigada Militar, além de voluntários e demais órgãos de apoio, retiraram 98 pessoas de suas residências, principalmente de moradias localizadas às margens do Rio Passo Fundo.

Dessas pessoas, 19 necessitaram de acolhimento e foram encaminhadas ao Albergue Municipal e à Casa da Mulher, equipamentos especializados para esse tipo de atendimento. Na quarta-feira (22), duas pessoas ainda permaneciam abrigadas na Casa da Mulher, enquanto, no Albergue, havia apenas um casal. As demais, que estavam alojadas na casa de parentes, retornaram para iniciar o processo de limpeza e reconstrução.

Além do atendimento às famílias, o programa É o Bicho realizou o resgate de 60 animais, que foram encaminhados à Coordenadoria de Bem-Estar Animal, onde recebem os cuidados necessários.

Limpeza e prejuízos

Passada a chuva intensa, a quarta-feira foi de retorno aos lares atingidos. No bairro Entre Rios, ruas e construções estavam tomadas pela lama. Moradora da Rua Parobé, ao lado da ponte sobre o Rio Passo Fundo, Jacira Aneris Ribeiro precisou de ajuda para sair de casa na noite de terça-feira. No imóvel moram cinco crianças e dois adultos.

"Nós perdemos eletrodomésticos e agora estamos limpando a casa, que ficou cheia de lama", disse. Vale ressaltar que o muro da residência acabou servindo de escora para os materiais arrastados pela correnteza e retirados do rio, como colchões, pedaços de madeira, um sofá e até um vaso sanitário.

Na esquina, outra moradora também fazia a limpeza da casa. Daiane da Cunha contou que não precisou sair do imóvel, pois a residência possui dois pavimentos. Entretanto, o casal que mora no primeiro andar precisou deixar o endereço temporariamente, retornando na quarta-feira.

"Tivemos prejuízos materiais com armários, máquina de lavar, cama e um veículo que ficou submerso. Essa é a terceira enchente, um pouco pior do que a de 2024. É aterrorizante", relata.

Cuidadora de animais, ela também precisou agir rapidamente para levar os cães ao andar superior.

Na Rua Pedro Dias, o cenário era de mais prejuízos. Casas foram tomadas pela água do Rio Passo Fundo e, em alguns casos, as perdas materiais foram totais. A quarta-feira foi dedicada ao recolhimento do que virou lixo. Caminhões da Prefeitura recolheram o material, que foi encaminhado ao Ecoponto.

Defesa Civil

Segundo o coordenador municipal de Proteção e Defesa Civil, Fernando Carlos Bicca, o trabalho das equipes esteve concentrado na preservação da vida e no atendimento imediato às famílias atingidas.

"Desde as primeiras horas da chuva, intensificamos o monitoramento das áreas de risco e mobilizamos todas as equipes. O principal objetivo sempre foi garantir a segurança das pessoas. Realizamos a retirada preventiva das famílias em situação de risco, prestamos assistência às ocorrências e seguimos acompanhando o comportamento do rio e das áreas mais vulneráveis. O monitoramento permanece contínuo", frisou Bicca.

O coordenador também destacou que, ao longo da terça-feira, o Rio Passo Fundo atingiu 3,59 metros de elevação, enquanto a cota de alerta é de 2,90 metros. "Verificamos uma elevação súbita e, já na quarta-feira, a situação voltou à normalidade", pontuou.

No total, as equipes registraram ocorrências em 11 bairros: Entre Rios, Ocupação Floresta, Bela Vista, Vila Alegre, Victor Issler, Parque Farroupilha, Santa Maria, São Luiz Gonzaga, Integração, Vila Ipiranga e Santa Marta.

Alerta sonoro

Na terça-feira, a população de Passo Fundo recebeu um alerta sonoro nos celulares orientando que deixasse as áreas com risco de alagamento. Contudo, muitas pessoas não seguiram a recomendação encaminhada pela Defesa Civil.

"O alerta não funcionou da forma esperada, pois muitas pessoas não se conscientizaram de que precisavam deixar suas casas antes do momento crítico da inundação. Nossas equipes fizeram visitas, mas não conseguiram convencê-las. Depois, essas mesmas pessoas pediram ajuda", concluiu Bicca.

Previsão

Conforme o observador meteorológico da Embrapa Trigo, Aldemir Pasinato, a chuva deve retornar a Passo Fundo na sexta-feira (24), com volume máximo previsto de 15 mm. Para quinta-feira (23), não há previsão de chuva, embora o céu permaneça nublado.

A atenção se volta para o domingo (26), quando o volume de chuva poderá ser superior ao previsto para sexta-feira.

Na região

Ainda na terça-feira, policiais militares realizaram levantamento fotográfico, monitoramento de áreas alagadas e resgate de pessoas nos municípios de Passo Fundo, Panambi, Carazinho, Ronda Alta, Pontão, Tio Hugo, Mormaço, Nonoai, Erechim e Frederico Westphalen. NA VRS -851 entre os municípios de Serafina Correa e Nova Bassano, o volume de água danificou a estrutura de uma ponte e a rodovia precisou ser interditada. A alternativa é seguir pela ERS-324.

No início da noite, no município de Nonoai, os policiais militares também apoiaram o resgate de moradores de áreas consideradas críticas, localizadas próximas a arroios e sujeitas a alagamentos.

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