Após Passo Fundo registrar um volume histórico de 218 milímetros de chuva em apenas 24 horas, na terça-feira (21), o trabalho das equipes de resposta às enchentes também voltou a atenção aos animais que estavam em áreas de risco.
Em meio aos alagamentos que atingiram ao menos 11 bairros e deixaram quase 100 pessoas desalojadas, o Programa É o Bicho, a Defesa Civil e voluntários mobilizaram uma força-tarefa para retirar cães e outros animais de locais ameaçados pela elevação das águas.
As ações se concentraram, principalmente, nos bairros Entre Rios, Ocupação Floresta, Bela Vista, Vila Alegre, Victor Issler, Parque Farroupilha, Santa Maria, São Luiz Gonzaga, Integração, Vila Ipiranga e Santa Marta, onde foram registrados alagamentos, danos à infraestrutura urbana e necessidade de atendimento imediato à população.
Força-tarefa para salvar vidas
De acordo com a coordenadora do Bem-Estar Animal de Passo Fundo, Maria de Lourdes Secorum, 60 animais foram retirados de locais com risco de inundação desde o início das ocorrências.
O caso mais expressivo foi registrado no bairro Entre Rios, onde mais de 40 cães precisaram ser resgatados em uma residência. Segundo a coordenadora, a prioridade foi agir de forma preventiva para evitar que os animais fossem atingidos pela elevação das águas.
Animais voltam para casa
Maria de Lourdes explica que os animais resgatados durante a operação realizada na terça-feira (22) pertenciam, em sua maioria, a famílias que já eram responsáveis pelos seus cuidados.
“A situação desses animais resgatados era de animais que tinham tutores. São pessoas que mantêm os animais sob seus cuidados, são saudáveis, castrados e recebem atendimento veterinário. Essa foi uma ação preventiva para retirá-los do perigo e, assim que tudo se normalizou, eles retornaram para suas famílias”, destacou.
Dos animais atendidos durante essa operação, apenas um permaneceu sob os cuidados da Coordenadoria para a realização de castração antes de retornar ao tutor.
Nos demais casos atendidos pela Coordenadoria do Bem-Estar Animal, o procedimento segue um protocolo específico. Conforme Maria de Lourdes, a primeira etapa é avaliar as condições de saúde do animal.
“O primeiro passo é sempre verificar a saúde do animal: se é castrado, se possui microchip e se está saudável. Depois, vem a castração, que é essencial para que, caso seja adotado, esse animal tenha mais qualidade de vida e contribua para o controle populacional”, explica.
Quando os animais possuem tutor, eles são devolvidos após a situação ser normalizada. Nos casos em que não há um responsável identificado, permanecem sob os cuidados da Coordenadoria até serem disponibilizados para adoção.
Apelo aos tutores
Além dos resgates, a Coordenadoria do Bem-Estar Animal reforça orientações para que os tutores incluam os animais no plano de segurança da família durante episódios de chuva intensa. A principal recomendação é que cães não permaneçam presos por correntes ou cordas, já que isso pode impedir a fuga em caso de alagamento repentino.
A coordenadora reforça que, em situações de emergência, muitas famílias acabam priorizando a retirada de documentos e objetos pessoais, o que pode fazer com que os animais sejam esquecidos.
“Pedimos encarecidamente que, neste momento de fortes chuvas, mantenham os animais soltos. Por favor, não os deixem acorrentados, pois, na pressa de salvar os pertences, eles podem ser esquecidos. Eles são seres vivos que sentem medo e dor, assim como nós. Se precisar sair de casa, leve seu companheiro com você, pois ele sentirá muito a sua falta”, orienta.
Ao final, Maria de Lourdes faz um apelo para que a população mantenha os cuidados com os animais também durante situações de crise.
“Agradecemos imensamente a colaboração de todos. Cuidem dos seus animais com o mesmo amor que gostariam de receber!”, concluiu.



