Confrades

Das mais novas, as mais antigas, as confrarias de Passo Fundo reúnem grupos com interesses em comum e buscam mudar a história da cidade

Por
· 2 min de leitura
Você prefere ouvir essa matéria?

Em meio a uma gargalhada alta e sincera, a prosa ganha espaço e a conversa entre amigos e parceiros se torna o único motivo do encontro. Lutar por causas comuns, trocar ideias, conhecer novos produtos e até estudá-los são alguns dos objetivos das confrarias da cidade de Passo Fundo. Com quase quatro décadas de existência ou pouco mais de um ano, todas têm um mesmo propósito: reunir pessoas em prol de uma causa. Os tempos em que o termo “confraria” estava diretamente associado a grupos religiosos, deram lugar a novos significados. E eles são diversos.

 

Confrarias de bar

Criada por volta da década de 80, a Confraria da Mesa Um, nem sempre teve esse título. Marcada pela pluralidade, a formação do grupo se deu no tradicional horário do cafezinho. Influentes na cidade, eles se reúnem por volta da uma da tarde, para conversar e discutir assuntos políticos da cidade no famoso Bar Oásis. Os encontros eram tão corriqueiros que tiveram que ser oficializados. A mesa localizada na porta do bar passou a ser o ponto de encontro e o nome surgiu naturalmente, já que no Oásis encontravam-se apenas 3 mesas.

As reuniões sociais vieram logo em seguida, além do bar, os integrantes do grupo promovem um jantar mensal. O convocador oficial, Aldo Batisti é o responsável por reunir toda essa turma, que atualmente é composta por 31 membros. Além deles, os amigos e convidados são sempre bem-vindos. “Quem promove a janta é o responsável por pagar ela e se quiser pode trazer mais amigos ou familiares, e se ele se adaptar ao grupo e o grupo a ele, os outros responsáveis também vão convidando ele e assim a turma vai se renovando.”, explica Aldo.  

O Dr. Ruy Donadussi é o Presidente vitalício da Um e gosta de ressaltar que “na mesa não tem espaço para discurso, nós todos estamos lá para conversar”. Com o passar dos anos, a Um ficou pequena e hoje a mesa que o grupo senta é considerada a mesa Um, independente de qual seja. Apesar das quase quatro décadas de histórias para contar, o lema segue o mesmo “É ao redor da mesa de um bar, que se consolidam os verdadeiros laços de amizade entre os homens e isso é a Mesa Um”, ressalta o presidente.

 

Seguindo o caminho das confrarias de bar, nasce a Confraria do Xôk’s. Os quase 20 anos de história não são atoa, afinal para os 24 membros não tem tempo ruim. A confraria que começou os encontros no extinto “Café Paris”, precisou mudar de local e seguiu para o também extinto “Carolinas” e, depois de uma certa procura, fixou suas raízes na rua Moron, na Chocolates Xôk’s.

Aldo Batisti, que também é o convocador oficial da confraria, faz jus ao cargo quando mostra cada uma das lembranças do grupo, sejam as fotos (cuidadosamente guardadas e legendadas, com local, data e nomes), os recortes de jornais ou a lista de membros, que ele guarda com carinho. O objetivo da confraria segue o mesmo, conversar sobre a cidade e seus rumos. E se na confraria da Mesa Um os encontros são semanais, na Xôk’s o sábado já está reservado na agenda dos integrantes.

 

A nossa arte

Fundada a pouco mais de um ano, em fevereiro de 2016, a Confraria das Artes é a responsável por reunir artistas dos mais diversos cantos e gêneros, em prol de desenvolver atividades que atinjam o máximo de pessoas possíveis através da arte. O Conselho Municipal de Cultura, por meio da setorial de Artes Visuais foi quem deu o ponto pé inicial na proposta.

A artista plástica Lindiara Paz, atual coordenadora da Confraria, representa as Artes Visuais a cerca de 12 anos na cidade e recebeu uma proposta para reunir artistas, para trabalhar com cultura na cidade. “Eu deveria reunir cinco artistas, mas logo no primeiro momento o número já chegou a trinta. Todos abraçaram a causa.”, afirma. E as atividades que começaram a ser desenvolvidas nas praças da cidade, passaram a pedir por mais. A confraria queria um espaço.

 

Gostou? Compartilhe