OPINIÃO

Transição e equipe de governo

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O prefeito Luciano Azevedo e o prefeito recém eleito, Pedro Almeida, passaram praticamente toda a terça-feira reunidos, a portas fechadas, para tratar da transição de governo. Avaliaram os resultados de cada área e discutiram temas como a retomada da economia. Pedro Almeida também tem se dedicado à formação da nova equipe de governo, deixando claro que pretende mexer em alguns nomes do primeiro escalão para oxigenar a gestão. A promessa é de divulgar logo a composição, sem criar muitas expectativas. O prefeito eleito trabalha com três grupos de possibilidades: os que permanecem na gestão, aqueles que, por iniciativa própria, querem deixar o governo, e o grupo que precisa ser mudado por razões diversas. É possível que uma das mudanças ocorra na Secretaria de Saúde. Assim como é provável que Adolfo Freitas permaneça no comando da PGM. Neste momento, os secretários trabalham na conclusão de seus relatórios para a transição. Dado os prazos que são muito curtos, Pedro Almeida não vai parar para aquele descanso que é sempre tradicional depois de uma campanha exaustiva. Quem tira uma folga de quatro dias é o prefeito Luciano.


Brasília

A última ida do prefeito Luciano Azevedo a Brasília dentro de seu mandato terá a companhia do prefeito eleito Pedro Almeida. Em dezembro, os dois visitarão Ministérios e a Câmara dos Deputados, dando sequência à articulação política que garantiu importantes recursos para Passo Fundo nos últimos anos.


Das coisas que ficaram

Na entrevista que concedeu ao Programa Café Expresso da Rádio UPF/UPFTV esta semana, Luciano Azevedo disse que o grande desafio do próximo prefeito, dentre tantos, será dar destino a Codepas. Uma empresa pública criada para promover o Desenvolvimento de Passo Fundo e que acabou se transformando em empresa de transporte e recolhimento de lixo. Por decisão da atual administração a área do transporte não foi incluída no último edital de licitação do transporte público. Como o edital foi suspenso e aguarda-se o próximo, talvez possa se pensar em outra alternativa. Mas, segundo Luciano, não se trata apenas de manter empregos e salários, é preciso analisar a viabilidade econômica da empresa. “O importante e que este tema seja resolvido”.


Reforço

O presidente estadual do PCdoB, Juliano Roso está em Porto Alegre, desde segunda-feira. Trabalha na articulação política da candidatura de Manuela D´Ávila, que disputa o 2º turno das eleições com Sebastião Mello, MDB. Neste fim de semana, outras lideranças do partido se deslocam para a capital para reforçar a campanha, cuja eleição já acontece no próximo domingo, 29 de novembro. 


Demanda judicial cresceu 500%

A campanha eleitoral deste ano em Passo Fundo teve um acréscimo de 500% na demanda judicial. Em 2012, foram 26 ações julgadas pela Justiça, enquanto neste ano foram 138 ações. O aplicativo Pardal, disponibilizado pelo TSE para que o cidadão denunciasse algum tipo de irregularidade, recebeu 90 denúncias. Os dados foram revelados pela Juíza da 33ª Zona Eleitoral, Lisiane Sasso, em entrevista ao programa Café Expresso da Rádio UPF/UPFTV esta semana. 


Na suplência

Com 983 votos o ex-prefeito Osvaldo Gomes, que insiste em voltar para a vida pública há três eleições (duas como candidato a prefeito), ficou na primeira suplência do PP. O Progressista reelegeu Claudio Luiz Solda, o Rufa, com 1.166 votos. Rufa já foi campeão de votos em 2012 com mais de 3 mile tem sido a resistência do PP na Câmara.


Democratas

Seguindo tendência nacional de bom desempenho, o DEM foi o único que manteve o mesmo número de vereadores para a próxima legislatura, com a reeleição de Rafael Colussi, e Nharam Carvalho, que assumiu a cadeira neste ano, depois que Patric Cavalcanti foi para Brasília, no Ministério da Cidadania. A aposta de Patric atingiu a meta, mesmo em cenário adverso. 


Presidência da Câmara

Os vereadores eleitos terão muitas reuniões pela frente para chegar a um consenso sobre a composição da Mesa Diretora e os próximos presidentes. Na atual legislatura esse formato foi alterado: ao invés de dois anos, o presidente tem mandato de um ano. Então, caberá aos futuros legisladores definirem, em acordo prévio, quem serão os próximos comandantes da Casa. Numa composição de 15 bancadas, sendo 11 com apenas um vereador demandará muita conversa e negociação. Naturalmente se credenciam para a disputa o vereador eleito mais votado, Rodinei Candeia, PSL, um dos quatro vereadores do PDT, que tem a maior bancada, e vereadores mais experientes, entre eles, Alberi Grando, MDB, que está retornando ao Legislativo.


Curtas

· A Câmara de Vereadores de Carazinho teve renovação de 53,8% das cadeiras. Das 13 vagas, sete serão ocupadas por novatos. A Câmara também teve a primeira mulher reeleita, Janete Ross de Oliveira, do PSB.

· Carazinho reelege o prefeito Milton Schmitz. É a primeira vez na história que isso acontece. A novidade vem acompanhada de outra: a eleição de uma mulher como vice-prefeita, Valéska Walber.

· Soledade também deu passos importantes para a inclusão e diversidade. Elegeu vereadora a primeira mulher negra, Andréia Pedroso, do PT. E elegeu a primeira mulher prefeita, a atual vice-prefeita Marilda Corbelini, MDB.

· Em Marau, o prefeito Iura Kurtz, MDB, foi reeleito com votação histórica, com quase 67% dos votos.

· O prefeito Gilso Paz, PDT, foi reeleito em Tio Hugo com mais de 71% dos votos.

· Pontão reforça o reduto de esquerda com a eleição de Velton Vicente Hahn, PT. Dos nove vereadores, cinco são do PT, restando um representante do PSB, PCdoB, PTB e PP respectivamente.

· Em Ibirubá, a Câmara é das Mulheres: o município elegeu sete vereadoras, numa composição de 11. Tem cinco na atual legislatura.




ELEITO

“Ver um LGBT sendo eleito é sinal de esperança”


Eleito vereador pelo PSB, com 910 votos, Laércio Zancan, conhecido em Marau por Lalá, é o exemplo mais próximo de nós de que a diversidade ocupa com justeza o espaço que é seu por direito. Publicitário formado pela UPF, ele diz representar, de fato, “todas as pessoas (principalmente àquelas que ficaram à margem da sociedade por muito tempo), sem preconceito e com iclusão social”. Nesta entrevista gentilmente concedida à coluna, Lalá conta por que decidiu concorrer e como será sua atuação como vereador. 


Sinal de esperança

“Decidi concorrer justamente pela falta de representatividade na Câmara. Acho que minha eleição representa um novo momento político pra Marau. Ver um LGBT sendo eleito é sinal de esperança que podemos sim, viver em uma sociedade mais justa e inclusiva. Minha vitória é um marco na política marauense, sendo o primeiro vereador LGBTQIA+. Infelizmente enfrento a homofobia em relação à minha eleição. Mas, de qualquer forma, é justamente isso que vou combater”.


Causas

“Muitos já me conhecem por estar inserido na área das artes. E normalmente me conhecem por ser uma pessoa bem humorada, engraçada, divertida...

Mas isso não significa que eu não tenha propostas boas para nossa cidade.

Minha atuação será combativa ao preconceito em suas variadas formas. Estarei atento às funções de um vereador e aos princípios da administração pública. Interesses da população marauense estarão em primeiro lugar ao cumprir com minha função de fiscalizar o Executivo.”


Experiências

“Fiz uma gestão aprovada junto a Associação dos Universitários Marauenses, a ASSUMA, durante a qual as boas práticas, as melhorias e benfeitorias são lembradas pela comunidade até hoje.

Venho de uma longa trajetória nas artes, através do teatro, onde me aperfeiçoei na comédia. E também tenho uma trajetória profissional nas politicas públicas, onde trabalhei em diversas áreas como administrativa, fiscal, saúde, assistência social e habitação.”

Fazer, fazendo

“Essa maneira de levar a vida é a forma que eu tenho de ver o mundo. Mas eu vejo o mundo a partir dos lugares que trabalhei e dos espaços em que eu estive inserido. E foi nesses espaços que eu sempre fui observando coisas que eu acreditava que poderiam ser diferentes.

Mas como fazer pra mudar isso? Foi ai que tomei a decisão de dar a cara a tapa pra poder mudar a realidade da cidade onde eu vivo ao invés de ficar esperando que os outros façam isso por mim.

E foi pensando nisso que eu me propus a fazer a diferença me candidatando a vereador. Posso garantir que eu já me sinto preparado para ocupar uma vaga na Câmara e tenho a coragem necessária para dizer o que precisa ser dito e fazer o que precisa ser feito.”

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