OPINIÃO

Sem racismo nasce o sol da redenção

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Temos a impressão de que o mundo retoma com mais clareza o debate sobre a discriminação racial que aflige negros, pardos os descendentes assinalados pela cor escura da pele. Sob o prisma do respeito e justiça social, felizmente alguns acontecimentos previsíveis começam a propagar o efeito de liberdade e igualdade. A compreensão do tema sofre uma carga histórica de eras remotas, a exemplo das dinastias dos filhos de Agar, narrados na Bíblia. A mulher de Abraão (Sara), estéril, designou Agar, sua serva, para ter filho com Abraão, que gerou Ismael. As divergências entre os filhos de Abraão, que casou pela segunda vez, desencadeou atrito levado a lutas internas na formação do povo hebreu. O estigma escravista virou emulação entre descendentes de Agar.

Depois vieram os ciclos de escravidão e subordinação dos povos africanos, no período mais ímpio da vida econômica, religiosa, política e social do Brasil, como ocorria em outras nações. Em nosso país, a escravidão de 300 anos foi a maior catástrofe que nos afligiu. Com a Lei Áurea de 1888, a história brasileira registra eventos de luta profunda pela liberdade e dignidade, com maior ou menor intensidade sonegada as remanescentes da escravidão. A ideia da liberdade sonhada ainda enfrenta incompreensão e maldade impregnada em mentes adoecidas pela falta de caráter ou pelo que denominamos racismo cultural. Aos poucos o Brasil e outras nações apresentam perspectivas menos sóbrias, vencendo etapas na consolidação do verdadeiro estado de direito e justiça social. Núcleos nazistas ou fascistas ainda se opõem sem qualquer razão ao sentimento igualitário. Estes núcleos agem de maneira mais afoita, perversa, covarde, apostando no anonimato. Outros que se dizem mais moderados (não menos nefastos) adotam meias verdades ou mentiras éticas pelo negacionismo em relação aos eventos de discriminação racial.

Reportando-nos às últimas eleições municipais registre-se que houve evidente projeção de talentosos candidatos e candidatas representantes da negritude que se projetaram bem. Todos percebemos a presença de lideranças políticas negras eleitas ou bem votadas. Ótimo sinal de mudança! Ao mesmo tempo vemos ataques racistas contra líderes negros eleitos. Alguns casos com maior gravidade e até ameaça racista contra a integridade física. Não é apenas lamentável. É crime violento contra a sociedade, contra as pessoas e contra a democracia.

Ao mesmo tempo verifica-se avanço participativo de pessoas negras ou pardas no cenário político, nas artes, esporte e na ciência. Isso é essencial. O sentimento é de que o pensamento de justiça e igualdade está decolando. É preciso ter paciência.

A recente manifestação em protesto contra o racismo no esporte na liga europeia, depois de ato deplorável no campo de futebol, ecoou no planeta. A vitória de Lewis Hamilton na Fórmula- 1, tornou-se reforço consciente na luta contra racismo. A presença de Artistas negros ocupando lugar de importância no teatro, música, telenovelas, jornalismo, é conquista justa. Os EUA elegem Kamala Harris, senadora negra, a primeira mulher negra na maior nação do mundo. Sua luta pela projeção igualitária é clara e forte, ao lado de Joe Biden. Parece que que o sol da redenção está mostrando nova aurora para o Brasil e o mundo.


Guerra doente

Brasileiros acompanham anúncios da grande conquista da ciência farmacêutica. Inglaterra e mais quatro países começam a vacinar contra o covid-19. Temos um país com milhares de mortos e milhões contaminados. Tudo está muito perigoso ao nosso redor. O Brasil deve entrar logo nesta guerra de combate à pandemia. O pedido de socorro está na voz, nos olhos e até no silêncio das famílias. Os laboratórios estão adiantando a pesquisa para entregar vacinas ao mundo. Enquanto o governo, ou os governos dos estados e da federação discutem picuinhas de ordem partidária, nossa estrutura logística para receber vacinas não foi acionada. Obviamente os países ricos já tomaram providências e têm mais recursos para combater a pandemia. E o Brasil parece uma grande enfermaria, onde os pacientes trancam as portas por dentro para brigar entre si, impedindo entrada do médico.

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