OPINIÃO

Começa a vacinação

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Escrevemos nosso comentário, ainda na manhã desta segunda-feira. Certamente inúmeras facetas sobre a vacinação contra a pandemia terão importantes desdobramentos. Começando sobre a reunião da ANVISA, que durante cinco horas apresentou o parecer sobre o pedido de aprovação das vacinas Coronavac e Astrogênica, em regime emergencial. O rito da reunião decisória informou sobre a tarefa científica do órgão brasileiro no crivo necessário. Os diretores do órgão autorizador salientaram o feito inusitado, com esforço e competência na avaliação do amplo processo de aprovação. Nunca antes se teve notícia de que dois pedidos simultâneos, com evidente urgência exigiram o grande desafio. Literalmente os quase duzentos técnicos e cientistas da ANVISA, viraram noites, domingos e feriados para realizar a vistoria. O instituto Butantan, com forte apoio do governo de São Paulo abraçou a vacina chinesa. Foram etapas penosas de incompreensão e campanhas radicais do governo federal, empenhadas em derrubar a seriedade da vacina. Infelizmente foram pressões deliberadamente alheias ao preceito científico, com atos estigmatizantes prejudiciais. A vacina da Fiocruz de Oxford não sofreu campanha que a prejudicasse. Enfim, ambas foram autorizadas. A concentração dos laboratórios no combate ao coronavírus foi, enfim avaliada como eficiente nesta luta desesperada do Brasil que vê a vacinação em vários países. É o começo tecnológico que permite ações concretas.

Mônica Calazans

O voluntarismo ou exagero do governador João Dória, ao presidir ato concreto de vacinação na primeira criatura humana de nosso país a receber o socorro vacinal é apenas um detalhe. O braço de Mônica, seu semblante palpitante de tanto ardor pela missão de atendimento aos doentes, este sim é símbolo verdadeiro e inviolável. A significação é a própria proteção tão ansiosamente esperada pela população.

Vitória da seriedade

Todo o contexto da produção intercontinental da vacina perante o horror das mortes pela pandemia é prova de que há chance de salvação. As duas vacinas inseridas na luta pelo combate ao cenário devastador no Brasil é semente que faz surgir com sua primeira haste verdejante de esperança. A verdadeira batalha já oferece o primeiro escudo para defender vidas desta terrível pandemia. O momento indica passos mais velozes. As circunstâncias mais fugazes com uso de eventos e imagens para promover defensores de projetos vacinais, certamente terão seus efeitos, mas serão sempre secundários. A persistência fúnebre de desprestigiar o projeto do Instituto Butantan acaba de ser fragorosamente derrotado. Que sirva de lição para preferências alucinantes e depreciativas do trabalho científico.

Bateu água

O que pode ser considerado acerbo de marketing praticado pelo governador Doria - antecipando a vacinação ganha legitimidade ao instigar maior efetividade e do governo federal. O ministro antecipou a entrega da vacina para esta segunda-feira à tarde para todo o país. É uma resposta. A água bateu na bunda e obriga a nadar.

Governadores

A ação dos governadores é importante na insistência pela evolução da vacinação. Renato Casagrande, do Espírito Santo e o governo gaúcho, são exemplos desse esforço.

Manter a guarda

O presidente da ANVISA, Antônio Barra Gomes, intercalou as falas dos diretores com apelo à manutenção das medidas de cautela. O processo de aplicação da vacina, por mais exitoso que possa ser não elimina os cuidados recomendados. O diretor Alex Machado Campos foi o mais contundente na crítica ao governo federal, especialmente o negacionismo. Os pareceres da relatora Marluze Freitas, dos diretores Cristiane Rosa Giordan, enfatizaram a vacina como instrumento de cura. Afastaram as recomendações de várias receitas em vocalização leiga, como cloroquina e outros. É preciso ficarmos atentos a tais esclarecimentos acreditados.

Começou

O efeito esperançoso pela aplicação da vacina gera sensação de alívio. Os profissionais da saúde estão com suas forças exauridas. O aspecto dramático irreversível com a perda de vidas reduziu este exército de heróis da saúde. Estes se juntam à memória dos mais de 210 mil mortos. Ainda estamos sufocados pelas lágrimas da ausência de irmãos. É muita dor.   


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