OPINIÃO

Conjuntura Internacional

Por
· 2 min de leitura
Você prefere ouvir essa matéria?

A pandemia do coronavírus, ao lançar um dos maiores desafios à saúde global, também trouxe uma série de desafios geopolíticos, uma vez que tem colocado à prova a capacidade de liderança e resiliência dos países e seus governos em lidarem com o fenômeno. Enquanto os grandes laboratórios mundiais e os pesquisadores correram contra o tempo para a criação de vacinas, cada governo adotou o seu ritmo e entendimento, o que abriu dois cenários geopolíticos: enquanto alguns países se destacam pela liderança e resiliência, outros têm se demonstrado ineptos. Além dos alertas domésticos e diários, de um sistema de saúde em colapso, os alertas internacionais vão se acumulando. O Brasil deverá, nos próximos meses, enfrentar cenários adversos, que poderiam ter sido antecipados, se houvesse o interesse genuíno na aquisição de vacinas, ainda no ano passado. As decisões que o país está tomando ficarão inscritas em sua reputação internacional, ou seja, na percepção dos demais países.

 

Alertas internacionais 

A Organização Mundial da Saúde (OMS) já se manifestou, pela sua presidência. Tedros Adhanom apontou que a escalada do vírus no Brasil está em fase “muito preocupante” e que demanda do governo federal uma postura mais “agressiva”. Um dos principais jornais internacionais, o The New York Times alertou em uma de suas reportagens que: “Nenhuma outra nação que sofreu um surto tão grande ainda está lidando com um número recorde de mortes e um sistema de saúde à beira do colapso. Muitas outras nações duramente atingidas estão, pelo contrário, tomando medidas em direção a uma aparente normalidade”.

 

Riscos globais 

O país parece se tornar uma ameaça, uma vez que a previsão da cobertura de vacinas ainda resta indefinida, com grande parte dos lotes chegando no segundo semestre (caso da Pfizer). Enquanto restar essa indefinição e grande parte dos brasileiros sem a imunização, para os outros países não restará muitas saídas, como bloquear a entrada dos brasileiros. Ou seja, pagaremos um preço alto pela postergação das principais medidas de controle da pandemia, restando um cenário de incerteza.

 

Mudança de discurso 

Dado o cenário, o governo teve de operar uma mudança brusca em suas narrativas, principalmente em relação à China. Com a possibilidade da campanha nacional de imunização ser interrompida devido a ausência de vacinas e com a previsão de chegada dos lotes maiores da Pfizer somente no segundo semestre deste ano, coube ao Ministério da Saúde enviar uma carta ao embaixador da China, em Brasília, solicitando que a embaixada auxiliasse no contato com a fabricante chinesa Sinopharm, para possível liberação de 30 milhões de doses dos imunizantes ao Brasil.

 

Populismos 

Não bastasse o cenário desolador, na semana que passou, Lula foi absolvido em seus processos, em decisão controversa. O Brasil parece ter regredido na história. Enquanto avança o vírus, já se discute o futuro embate dos populismos, um de direita e outro de esquerda.

Gostou? Compartilhe