OPINIÃO

Aumento da Selic não ameaça o mercado imobiliário

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Quem lê minhas colunas com mais frequência sabe que tenho falado muito sobre as oportunidades que andam surgindo no mercado imobiliário nos últimos meses. Entre elas, as baixas taxas de juros que alcançaram patamares históricos devido à Selic que por muitos meses esteve estacionada em 2%. Um cenário que já não é exatamente o mesmo, mas ainda assim está longe de colocar em risco o bom momento para a aquisição de imóveis. 

Se nos últimos anos só vimos a Selic cair, hoje acompanhamos um movimento contrário. A taxa, que serve de referência para diversos investimentos e operações de crédito, saltou nos últimos dias de 2% a 2,75% ao ano como uma alternativa para controlar a inflação. Um aumento que, segundo o Banco Central, não deve parar por aí. Alguns especialistas estimam que a Selic esteja próxima de 5,5% até o final do ano.

Então se as taxas de juros para financiamento de imóveis estavam baixas devido à Selic, o efeito reverso também deve ocorrer. No entanto, mesmo sendo uma grande influência para o mercado imobiliário, a Selic não deve ser o único parâmetro para considerar o momento oportuno ou não para a tomada de crédito.

Apesar de haver a possibilidade de elevação dos custos na contratação de crédito imobiliário, devido ao aumento na Selic, esse risco ainda se mostra bem distante da nossa realidade, principalmente por conta de todo o incentivo dado ao segmento de um ano para cá. Deste modo, se torna bem improvável um aumento expressivo e imediato nas taxas de juros oferecidas pelos bancos. O mercado imobiliário está aquecido, o déficit habitacional ainda é grande, as condições são atrativas e as pessoas estão aproveitando para tirar do papel os planos de adquirir o próprio imóvel. Todo esse cenário não só é reconhecido pelas instituições financeiras como também serve como incentivo para fomentar os investimentos no setor.

É importante lembrar que grande parte da captação de recursos vem da poupança, uma modalidade ainda muito utilizada pelos brasileiros quando o assunto é guardar dinheiro. Mesmo com a crescente de saques comuns no início do ano, devido principalmente à concentração de gastos com IPTU e IPVA, por exemplo, a poupança continua com um saldo bastante positivo, algo que inevitavelmente favorece a disponibilidade de crédito nas linhas SBPE.

Para os bancos, segurar as taxas de juros por mais um tempo ainda é algo muito lucrativo, visto que o custo para captar recursos da poupança corresponde a 70% da Selic ao ano e a taxa repassada ao cliente final gira em média 6,99% ao ano. Tendo em vista essa margem de lucro e a grande procura por financiamentos, fica difícil acreditar que os bancos possam querer arriscar o bom momento por uma elevação nas taxas ainda neste ano.

Outro ponto que favorece o mercado imobiliário é justamente a variedade de linhas de crédito. Há pouco tempo a única opção disponível era a linha corrigida pela TR, uma opção que hoje já divide espaço com linhas corrigidas pelo IPCA, pelo rendimento da Poupança e linhas com taxas prefixadas.

Mesmo que os impactos do aumento da Selic não sejam imediatos, mais do que nunca é importante ficar atento se o seu objetivo é aproveitar as condições facilitadas do mercado imobiliário. Os preços ainda estão baixos e as taxas de juros não devem subir tão cedo. Porém, não dá para esperar ficar melhor do que já está, pois com a demanda alta e os estoques diminuindo, a tendência é que os preços também subam em algum momento, deixando mais restrita a lista de imóveis que podem caber no seu bolso.  

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