OPINIÃO

Conjuntura Internacional

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A política ambiental e a política externa do governo brasileiro tomarão destaque na Cúpula do Clima, evento que ocorreu a convite do Presidente americano, Joe Biden, de forma virtual nos dias 22 e 23 de abril, quando reuniu, aproximadamente, 40 líderes mundiais, para discussão de políticas ambientais e questões climáticas. O evento foi um importante ensaio ao governo brasileiro, na tentativa de readequação de suas narrativas diplomáticas, após a vitória eleitoral de Biden. Uma das primeiras medidas de Biden, quando assumiu o governo, foi a de retornar ao Acordo de Paris, com metas ambiciosas na redução de emissões até 2030. As alusões de Biden à Amazônia e à questão climática já ocorriam nos próprios debates eleitorais americanos. O governo brasileiro vem nas últimas semanas fazendo uma readequação em seus discursos sobre o meio ambiente, no sentido de tornar a aproximação com Biden mais factível. O governo brasileiro foi um dos últimos a reconhecer a vitória de Biden, o que gerou um desgaste diplomático, totalmente evitável.

Discursos 

O primeiro sinal claro da mudança de discurso do governo brasileiro foi o envio de uma carta ao Presidente Biden, onde por, aproximadamente, sete páginas levou seus planos para o meio ambiente, com a preservação de florestas, regularização fundiária, créditos de carbono etc. O Ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, em meio a mudança de discurso, solicitou aos americanos cerca de 1 bilhão de dólares, para investir na redução do desmatamento da Amazônia. A resposta americana preferiu focar na questão de resultados, antes mesmo de promessas.

 Os movimentos políticos 

Tanto nos EUA como no Brasil, os políticos querem ser voz ativa na discussão climática, evidentemente desempenhando um papel mais ideológico do que prático. Nos EUA, um grupo de Senadores enviou uma carta ao Biden manifestando suas desconformidades com o governo brasileiro, na área da gestão climática. No Brasil foi a vez dos governadores, 24 no total, entregarem suas manifestações ao Embaixador americano no Brasil, Todd Chapman, preocupados com a “emergência climática global”.

 O empresariado 

Alguns empresários também manifestaram as suas preocupações com o evento, em documento assinado por grandes companhias. Segundo eles, a preocupação com a neutralidade nas emissões, poderia favorecer um mercado de US $17 bilhões, de negócios voltados às questões da natureza, até 2030, prevendo-se uma redução drástica nas emissões.

Próximos passos 

O evento será um teste importante ao governo, pois: 1) trará a nova narrativa do mesmo em relação ao meio ambiente, no desafio de não permanecer apenas na promessa, mas com indicativos claros de mudança; 2) deverá, de forma pragmática, atender os anseios do empresariado; e 3) será o ensaio para a diplomacia brasileira, agora com novo Ministro das Relações Exteriores, em que pese a participação seja restrita ao Presidente.

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