OPINIÃO

Conjuntura Internacional

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Como já alertamos uma série de vezes em nossa coluna, a disputa entre os dois principais ecossistemas tecnológicos do 5G, o americano e o chinês, iria impor em algum momento, uma postura por parte do Brasil, que está para anunciar se o seu leilão de frequências será ainda neste ano ou no início de 2022. Era notável que os embaixadores, tanto de Washington como de Pequim, vinham conduzindo encaminhamentos diplomáticos para inclinar o país às suas tecnologias. Nesta semana, o assessor de segurança nacional de Biden, Jake Sullivan, trouxe uma série de incógnitas com a possibilidade de o Brasil usar a tecnologia da gigante chinesa Huawei em sua rede de telecomunicações. A empresa chinesa está inserida em uma espécie de lista negra das exportações americanas, que visa dificultar o acesso de Pequim a alguns insumos tecnológicos importantes. Sullivan também esteve visitando o governo brasileiro na semana passada. Conforme o governo americano, o Brasil parece não ter se posicionado em relação ao possível uso de tecnologias chinesas, quando do encontro presencial.

 

OTAN 

Um ponto que ainda resta turvo, seria o de que (conforme algumas fontes) o governo americano teria encorajado a condição do Brasil como aliado extra-Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) em troca de alinhamento com a tecnologia americana. Todavia, conforme Juan Gonzalez, diretor sênior do Conselho de Segurança Nacional para o Hemisfério Ocidental, não há qualquer negociação nesse sentido, apenas o apoio americano no tocante a Otan. O Brasil teria como aliado extra-Otan alguns benefícios, auxílio na construção de uma capacidade de defesa, gestão de crises, defesa mútua, experiência da Otan no contraterrorismo e até mesmo trocas na área da inteligência, em resumo, um espaço geopolítico bem diferente da tradição da diplomacia brasileira.

 

Temores e a posição brasileira 

A disputa entre EUA e China em relação à questão tecnológica tem subido, significativamente, o tom. A principal alegação americana é a de que a China utilizaria a rede do 5G para espionagem civil e militar. O fato é que o domínio da tecnologia é sensível, uma vez que a tecnologia favorece, com maior velocidade de conexão, desde as cirurgias robóticos até a utilização no campo militar, em especial com os veículos autômatos. Muitos especialistas têm falado que atualmente os EUA e a China já enfrentam uma “Guerra Fria Tecnológica” e inclusive alertamos os nossos leitores de que o aspecto tecnológico é o braço mais curto na tensão entre os países. Nos EUA a Huawei foi banida, em nome da segurança internacional. No Brasil, algumas empresas construíram redes com a tecnologia chinesa. A posição do governo brasileiro em relação ao 5G ainda não é clara. Na era Trump, o discurso parecia ser mais inclinado à contrariedade da tecnologia chinesa, panorama que tem mudado significativamente com a pressão interna de grupos de interesse, principalmente ligados ao agronegócio. 

 

 

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