OPINIÃO

Deixar-se elevar

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Celebramos a solenidade da Assunção de Nossa Senhora. “A festa da Assunção é um dia de alegria. Deus venceu. Venceu a vida. Mostrou-se que o amor é mais forte do que a morte. (...) Maria foi elevada ao Céu em corpo e alma: também para o corpo existe um lugar em Deus. Para nós o Céu já não é uma esfera muito distante e desconhecida. No Céu temos uma Mãe. E a Mãe de Deus, a Mãe do Filho de Deus, é a nossa Mãe. Ele mesmo o disse. Ele constitui-a nossa Mãe, quando disse ao discípulo e a todos nós: “Eis a tua Mãe!” No Céu temos uma Mãe. O Céu está aberto, o Céu tem um coração”. (Bento XVI).

Maria não chegou à glória por si mesma confiando unicamente na sua vontade e nas suas forças, mas foi elevada por deixar-se conduzir por Deus. Foi dócil à vontade de Deus desde o dia que deu o SIM para colaborar no plano de salvação. Não fez de Deus um concorrente, alguém que estava lhe tirando a liberdade, a felicidade. Ou que estivesse limitando a sua criatividade e autonomia. No seu canto de agradecimento reconhece que sua grandeza está no fato de Deus tê-la feito grande e realizado maravilhas na sua vida e, através dela, na vida do seu povo.

Há poucos dias aconteceram as Olimpíadas de Tóquio. Ao final de cada modalidade esportiva três atletas subiam ao pódio. Entre tantos, estes atletas foram colocados no lugar mais elevado. Todos eles chegaram lá não por confiarem unicamente em si. Sim, tinham as habilidades para aquela atividade esportiva, mas todos foram conduzidos, corrigidos, exercitados por treinadores. Os ganhadores expressavam a sua alegria e reconheciam que chegaram ao pódio graças à ajuda dos treinadores.

A vida cristã é possível na medida que o cristão se deixa orientar. Temos o exemplo de Maria e no esporte os atletas. O mês vocacional recorda-nos que a graça batismal fez da vida uma missão. O batizado se põe no seguimento de Cristo que o vai conduzindo na vida. Num rumo seguro de elevação, de glória. Deixar-se conduzir exige confiança em quem conduz, exige escuta nas orientações, exige exercício constante, exige alerta para aperfeiçoar as imperfeições. O lugar mais alto chama-se santidade.

Neste domingo celebramos a vocação para vida religiosa. É uma vida consagrada. A referência sempre é Cristo. A consagração evidencia a doação integral de si a Deus, de serviço total a Ele e às pessoas. O sinal visível da consagração na vida religiosa é a profissão dos chamados conselhos evangélicos ou votos: pobreza, obediência e castidade.

 Voltado à analogia esportiva, a vivência dos conselhos evangélicos leva o religioso ao pódio. Escolher livremente o celibato por causa do Reino de Deus, de amar incondicionalmente a Cristo e de colaborar no seu projeto. Optar pela pobreza renunciando a ter bens em nome próprio, mas usá-los em comum e igualitariamente. A opção pela obediência é a adesão livre a Deus, mediado pelos projetos comunitários da Congregação e da Igreja. É viver de forma comunitária e não individualista e egoísta.

Muito obrigado a todas as religiosas e religiosos pelo vosso ser, pela presença e missão. Deus os abençoe.

 


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