A presença relativamente maciça de embarcações militares americanas em águas internacionais do Caribe trata-se de uma demarcação do perímetro estratégico de influência dos EUA, movida principalmente pelo espaço deixado na região, que abriu caminho para uma influência russo-chinesa em países como a Venezuela, por exemplo. Desde as últimas “eleições” fraudadas e atestadas, indicadas por grande parte dos institutos internacionais como um escândalo notável, ao menos aos olhos das democracias mais bem estabelecidas, Maduro continua seu discurso antiamericano. A Venezuela já pode ser entendida como um narcoestado e o decadente Maduro, um dos líderes do cartel de drogas mais conhecido como Cártel de Los Soles, envolvidos diretamente no tráfico internacional de drogas. Inclusive há processo nos EUA contra Maduro e grandes oficiais do exército venezuelano, ao menos desde 2020, em diversos tribunais americanos. Ao declarar o cartel como uma organização terrorista, uma vez que enviava drogas ao território americano, Trump muda o discurso e toma uma iniciativa substancial com o envio de embarcações militares americanas, que dão os contornos dos próximos desdobramentos que poderão transbordar para outros países.
Exercícios militares?
A frota americana destacada em águas internacionais do Caribe está longe de ser apenas um exercício militar comum, usual em prováveis teatros de guerra. Todavia, ao enviar à região grande quantidade de marines e fuzileiros navais (+ de 4 mil), bem como embarcações anfíbias do grupo especial de prontidão Iwo Jima, capaz de incursões terrestres rápidas, também foram destacados contratorpedeiros, cruzadores, submarinos e até mesmo aviões F-35 stealth (caças supersônicos furtivos de quinta geração), além de outras tecnologias militares que poderiam debelar com facilidade as forças venezuelanas (que neste momento treinam civis venezuelanos, em cenas verdadeiramente cômicas). De seu “bunker de guerra”, Maduro “comanda” possíveis operações de defesa com seus generais, de forma acuada. Maduro chegou a remeter carta à Casa Branca colocando-se à disposição para negociar com os EUA, que sequer consideraram a missiva.
Comoção externa
Maduro chegou a assinar um decreto de comoção externa, que entraria em vigor caso houvesse uma ação direta dos americanos. Enquanto isso, os EUA atacaram uma porção de embarcações clandestinas partindo da Venezuela, recheadas de drogas, explodindo os barcos. A mensagem americana é muito clara: não permitirá mais o tráfico internacional de drogas desenfreado, que representa risco à segurança internacional e aos EUA, onde grande parte dessas drogas era consumida.
O perímetro estratégico
Com o destacamento de forças militares substanciais, capazes de capitular o regime ilegítimo de Maduro, o recado é muito claro. O vácuo deixado por Biden será preenchido com ações militares cujo resultado também é claro para algumas potências que hoje possuem seus tentáculos estratégicos em diversos projetos, tornando alguns países da América Latina rota de sua influência em diferentes sentidos. A Venezuela, em que pese o tráfico internacional de drogas, é considerada um protetorado russo-chinês. Uma eventual ação militar terrestre e aérea, bem como mar-terra, poderia provocar até mesmo uma mudança de regime, levando ao poder aqueles que realmente venceram as eleições naquele país.

