OPINIÃO

Conjuntura Internacional

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Depois de seis meses de guerra, tenho a impressão de que chegamos ao momento mais difícil para os EUA e Israel. Não me refiro ao campo militar, nesse terreno, a superioridade dos dois países ficou evidente. O Irã perdeu capacidades, sofreu ataques importantes e viu sua economia enfrentar uma pressão ainda maior. Mesmo assim, o regime continua de pé. É justamente aí que está o problema, uma coisa é atingir instalações, destruir equipamentos e reduzir a capacidade operacional do adversário. Outra, bem diferente, é transformar essa vantagem em resultado político. É por isso que observo com atenção a mudança na estratégia de Washington. O foco está se deslocando para o petróleo, as finanças e as relações comerciais iranianas. Em outras palavras, tenta-se conseguir pela asfixia econômica aquilo que seis meses de operações militares não entregaram. Há um risco nessa aposta. Quanto mais se aperta o cerco, maior pode ser o incentivo para Teerã usar os instrumentos que ainda possui. E um deles continua sendo especialmente poderoso.  

Ormuz vale mais do que muitos mísseis 

Quando olho para o mapa, volto sempre ao Estreito de Ormuz. Antes da guerra, cerca de um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito comercializados no mundo passavam por ali. É uma faixa estreita de mar com capacidade para produzir efeitos muito além do Oriente Médio. O Irã sabe disso. Perturbar a navegação em Ormuz permite compensar parte de sua inferioridade militar. É uma forma de transferir o custo da guerra para quem sequer participa diretamente dela. O preço aparece no petróleo, no transporte, nos fertilizantes, nos alimentos e, mais cedo ou mais tarde, na inflação. Também por isso China e Índia importam tanto nessa equação. Enquanto mantiverem relações econômicas relevantes com Teerã, reduzem o alcance do estrangulamento pretendido por Washington. E surge uma pergunta incômoda: até onde os EUA estão dispostos a pressionar grandes compradores do petróleo iraniano para tentar encerrar uma guerra que já dura meio ano?

O que pode acontecer agora?

Trabalho com três cenários. O provável é a continuidade desse impasse. Sanções mais duras, pressão sobre o petróleo iraniano, tensão em Ormuz, ataques pontuais e negociação acontecendo entre uma crise e outra. Vejo poucos incentivos, neste momento, para uma capitulação. O possível me preocupa mais: uma nova escalada provocada por erro de cálculo. Guerras prolongadas acumulam oportunidades para isso. Basta um ataque com muitas vítimas, um incidente marítimo maior ou uma reação desproporcional para que a dinâmica volte a escapar do controle. O desejável é a negociação. Imagino uma saída gradual, envolvendo Ormuz, sanções e algum mecanismo verificável para o programa nuclear iraniano. Para funcionar, porém, todos precisarão voltar para casa com algo que possam apresentar como ganho. Depois de seis meses, talvez essa seja a questão central. Os EUA e Israel demonstraram que podem impor enormes custos ao Irã. Resta saber se conseguem transformar o poder militar em resultado político. É nessa diferença que, muitas vezes, uma guerra termina, ou continua.

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