Um dado alarmante foi divulgado pelo Sicredi. Os números recém-saídos do forno, trazidos por um levantamento do banco com mais de 1,3 milhão de pessoas, traduzem em estatística o que já se sentia nas ruas: uma tragédia silenciosa. Quem arriscou a sorte nas casas de apostas virtuais, as BETs, ao longo do último ano amarga, hoje, uma inadimplência 40% superior à daqueles que passaram longe da roleta digital. O abismo é ainda mais fundo para os que jogam com frequência e apostam valores altos. É o vício retroalimentando a ruína, segundo os dados da pesquisa. E o mais cruel dessa nova equação é que a tecnologia da aposta não poupa CEP ou profissão. A angústia do endividamento, que muitos poderiam imaginar como um drama essencialmente urbano, espalhou-se feito praga também pelo meio rural. Até mesmo os pequenos produtores rurais, cujas mãos calejadas sustentam o país com a ajuda de linhas de crédito essenciais do governo federal, como o Pronaf, estão vendo o dinheiro que deveria garantir a safra escorrer pelos dedos nas telas dos smartphones. Não estamos falando apenas de matemática financeira; estamos diante de uma crise de saúde pública e de um flagrante desrespeito ao direito do consumidor. Como esperar que famílias brasileiras, que historicamente já comprometem metade de sua renda anual com dívidas básicas para sobreviver, resistam ao bombardeio publicitário diário das Bets? A publicidade transforma o ato de apostar em sinônimo de sucesso, conhecimento esportivo e pertencimento, sem mostrar as famílias destruídas nos bastidores.
ELO MAIS VULNERÁVEL
O consumidor é, e sempre será, o elo mais vulnerável dessa corrente. Ele precisa de proteção ativa, de respeito à sua dignidade. Não bastam letras miúdas alertando sobre o "jogo responsável" ao final de propagandas estreladas por ídolos nacionais e influenciadores. Como bem pontuou a diretoria do Sicredi, é preciso olhar para fora, espelhar-se em experiências internacionais e impor limites severos à publicidade e ao patrocínio. É imperativo criar travas que interrompam a sangria financeira antes que o cidadão perca a capacidade de colocar comida na mesa. O problema é estrutural, corrosivo e retira da sociedade a própria capacidade de recuperação econômica.
A ARMADILHA DO PIX EXATO
Comprar pela internet tornou-se um dos rituais mais corriqueiros da nossa época. Você garimpa uma peça de roupa, escolhe aquela autopeça que faltava para o carro, joga no carrinho virtual e avança para o caixa. Na tela, surge o QR Code. Você paga. Tudo parece certo, mas um novo alerta do Procon-SP, respaldado por pesquisas de cibersegurança, afirma que criminosos encontraram uma brecha na segurança de plataformas de comércio eletrônico de pequenos e médios lojistas. Eles instalam um código malicioso que adultera o Pix no momento exato em que ele é gerado. A genialidade perversa do esquema está na maquiagem: o valor da compra não muda. A armadilha se esconde no destinatário. O Procon alerta que a forma de não cair nesse golpe é não pular a tela de confirmação do banco e verificar se o destinatário continua sendo a loja que vende o produto. O CNPJ confere? Se aparecer o nome de um desconhecido, você deve recursar imediatamente o negócio. O Banco Central criou o Mecanismo Especial de Devolução (MED), que pode ser acionado direto no aplicativo do banco em até 80 dias após a transação. Junta-se a isso o boletim de ocorrência, os prints da tela e o contato com a loja e o Procon. Mas, o problema é que depois que o dinheiro foi pulverizado, fica mais difícil ou quase impossível resgatar os valores repassados aos golpistas.

