O encolhimento da liberdade
Não podemos confundir liberdade com libertinagem. Enquanto a liberdade voa nas asas da legalidade, a libertinagem traveste-se de liberdade para impedir a própria liberdade.
A libertinagem tem exercício constante, mas fica mais contundente nas campanhas eleitorais. É a maldade latente que aflora ou, em muitos casos, não conseguem segurar. Assim como o álcool solta a língua, os candidatos embriagados pelo calor eleitoreiro estraçalham a liberdade.
E, pior ainda, tudo em nome da liberdade de expressão. Pobre liberdade de expressão, hoje pronunciada por bocas habituadas a calar bocas. O termo liberdade de expressão virou mercadoria politiqueira.
Não é apenas uma maligna metamorfose da liberdade em libertinagem. É bem mais. Há, explicitamente, uma instrumentalização que vai muito além de atacar a verdadeira liberdade de expressão. Inclua-se no pacote a simples prática de falar mal.
Eis a arma para a desestabilização da democracia. É discurso cego de que todos, menos quem fala, estariam errados.
O falar mal de instituições é prática constante nas redes sociais. O perigo é que o Tio do Zap agora está nas ruas. Sim, e não são poucos que andam por aí pregando o terror.
Abordam funcionários de supermercados, porteiros ou outras pessoas simples para soltar o verbo. Aliás, para falar mal de tudo e de quase todos.
Assim, vivemos um clima de censura velada que é fruto do patrulhamento político orquestrado. É o encolhimento da liberdade que sofre ameaças, próximas e distantes, para gerar um clima tenso.
Tudo faz parte de um plano para conter pensamentos. Então, além do fedor da pastelaria, há um cheiro de ruptura institucional no ar.
Repeteco do incêndio
Não sou o Pai Magno para fazer previsões com os búzios. Uso apenas a lógica com base naquilo que conhecemos. Aqui, escrevi que colocariam fogo na Casa do Engenheiro-chefe da Ferroviária. Não deu outra. E o local histórico continuou invadido, atirado ao tempo para despencar. O prefeito Pedro Almeida solicitou esclarecimentos ao Ministério Público Federal. Reiterei que poderia incendiar novamente. Incendiou!
Na quinta-feira, o renomado estilista Adhemir Preschadt, que passava pelo local, viu a fumaceira. Chamou os bombeiros que, rapidamente, chegaram ao local e apagaram o fogo. Sábado, observei que as aberturas das portas foram tapadas por tijolos. Acredito que trabalho da Prefeitura. Bela iniciativa, mas ainda não é o suficiente. O prédio necessita tombamento ao Patrimônio Histórico.
CRT
Ao que parece, a maldição da borracha que apaga a história corre solta na esquina da Chicuta com a Sete de Setembro. Bem em frente à Casa Amarela, está o prédio onde funcionava a CRT. Sim, a então “nossa” Companhia Riograndense de Telecomunicações. Ali, fazíamos ligações interurbanas. Após a síndrome da privataria, que imperou no governo Britto, lá se foi a CRT que passou de mãos em mãos. Até há poucos meses, ali estavam as icônicas cabines telefônicas, balcão de atendimento, móveis e equipamentos palpáveis da história das telecomunicações. Ora, naquela área da cidade parece que a invasão de prédios é permitida. A velha telefônica não escapou. Invadiram e estão acabando com o prédio. Olhando de longe, vi que até as grades sumiram. Agora, resta esperar pelo incêndio.
Ricardo Pacheco
Mais do que um talento, Ricardo Pacheco vai além da música como personagem passo-fundense. Baita amigo, grande figura. Em alusão ao músico da turma do Asterix, digo sempre que ele é o nosso bardo. Pois, na semana passada, ele mandou mensagem reclamando que na trilha sonora desta coluna predominam músicas estrangeiras. Expliquei-lhe que seria uma espécie de compensação, pois, por aqui, não é apenas o Brasil que canta. Caríssimo, a arte é universal, ‘así como su latinidad’. Orelhas puxadas, hoje vamos com a cantora a quem sempre o comparei. Beijão!
Sal de aipo
Esses tempos, lembrei do saudoso amigo Antoninho Ferri e sua predileção por um sal de aipo. Gosto muito, especialmente para temperar uma salada, mas é difícil de encontrar. Então, a querida Miriam Lago Magro decidiu preparar um maravilhoso sal de aipo. Pensou em enviar por Sedex, mas confiou na agilidade logística do não menos querido Paulinho Magro. Demorou, mas chegou. Maravilhoso! Beijos, queridos.
Pastelaria
Prossegue, o fedor da pastelaria aqui embaixo. Ainda predominam fortes notas de óleo de soja em ebulição.
Trilha sonora
Elis Regina – O Bêbado e a Equilibrista

