OPINIÃO

Teclando - 30/09/2026

Sejamos democráticos e diplomáticos

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Sejamos democráticos e diplomáticos

Política é diplomacia. Campanha eleitoral é discussão de ideias, um confronto de propostas em defesa do interesse coletivo. Teoricamente, é claro.

Neste ano, porém, a campanha política mais parece uma disputa entre facções. A elegância há muito se foi para as cucuias. Em vez de argumentos, preferem atirar no ventilador. Assim, o fedor abafou o glamour dos embates de antigamente. A ironia e a finesse sucumbiram.

O alinhamento, outrora fervoroso, agora parece uma milícia do ódio. Vigora o marketing da contradição: mentir e desmentir, desrespeitar e pedir perdão, ameaçar e recorrer ao papel higiênico, ofender e não sustentar.

Poucos defendem bandeiras de interesse coletivo, aperfeiçoamento da sociedade ou pilares para a evolução humana. Falta calor humano nas palavras e nos artifícios de campanha. Pior, falta sociabilidade.

É cada um de olho no rabo do outro e continua sobrando para o ventilador. Bandeirolas coloridas poluem os canteiros, caraminholas agressivas contaminam o horário eleitoral.

Parece briga de piá bobalhão, que intica e não justifica. É triste. Mas assim arrasta-se a campanha eleitoral.

A minha esperança é saber que bandeirolas e caraminholas não votam. Então, longe das baboseiras e agressividades, vamos votar. Simples e necessário.

Mas não esqueça, não é apenas o exercício da democracia. É diplomacia.

 O ano era 1976

Há 50 anos, iniciei profissionalmente no jornalismo. Antes disso, aos 11 anos, em 1967, já apresentava um programa infantil na Rádio Erechim. Mas, como se diz, o que vale mesmo é a carteira assinada. Engatinhei e dei meus primeiros passos profissionais sob a sombra da ditadura. E, antes que perguntem, sim: havia censura. Toda a programação musical e jornalística era preparada em três vias. Uma delas era entregue aos bisbilhoteiros do DOPS ou ficava arquivada.

O ano era 1976, e a prova de fogo veio nas eleições. Enquanto nomes e números saltavam das urnas, tínhamos que estar à frente da emissora concorrente. Para minha sorte, a rádio era comandada por Euclides Tramontini – um mestre em dar nó na concorrência. Ali, aprendi o gostinho pela informação em primeira mão. Em dois ou três dias de apuração, também tive que improvisar e encher linguiça. Senti-me eleito e diplomado!

O ano é 2026

Na cobertura de 1978, a ditadura mantinha o bipartidarismo: um partido dizia ‘amém’ e o outro ‘sim, senhor’. Em 1982, na equipe do Padre Paulo Farina, pela Planalto, cobrimos a eleição no retorno do multipartidarismo. Em 1986, em parceria entre O Nacional e Rádio Passo Fundo, demos um salto tecnológico e realizamos a primeira cobertura informatizada no interior do RS! Vieram outras, chegou a urna eletrônica e a informatização reduziu de três dias para três horas a apuração.

Agora, o ano é 2026 e o resultado surgirá ainda mais rápido. Os macetes, as manhas, a regrinha de três, o papelzinho no gancho e a informação de cocheira não adiantam mais nada. Basta apertar uma tecla e teremos os números prontinhos. Da censura à informatização ou do bipartidarismo ao país partido, o cenário é outro. Porém, ainda há resquícios de chumbo. Pra mim, vale comemorar 50 aninhos de apurações.

Fermento no Batatas

É difícil definir ou enquadrar o estilo do Batatas. É um templo do rock, tem a magnífica batata suíça da Ivone Maravilha, o Menor Palco do Mundo®, salada de gerações e muito mais. Agora, o Batatas incorporou a área ao lado – onde era o Boteco, e vêm muitas novidades por aí. Serão dois ambientes com propostas diferentes. Ou, tudo junto incluído. Bisbilhotei pela obra e vi lustres com quatro dígitos bem multiplicados. O Gringo abriu a mão e a cozinha é zero km. Para alegria do Elias, os obsoletos ventiladores de teto saem de cena. Enfim, nosso Batatinhas cresceu. Detalhes em breve.

80 Anos

Na quinta-feira (24), o Instituto Histórico realizou atividade alusiva aos 80 anos da Radiodifusão em Passo Fundo. Foi um encontro de gerações no Stage UPF Parque. Depois, com os irmãos Carlinhos e Juliano Flores, espichamos a pauta no Bokinha. Volto ao tema com mais espaço na próxima semana.

Pastelaria

Olho para frente e vislumbro a Chaminé da Brahma, enquanto continua o fedor da pastelaria aqui embaixo. Há indícios de que em breve a icônica chaminé de Passo Fundo será iluminada.

Trilha sonora

Elis Regina - Romaria


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