OPINIÃO

Teclando - 07/10/2026

Pesadelos e levianelos

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Pesadelos e levianelos

Todos temos nossos pesadelos. Nasci em 1956. Quando criança, entre os cinco e oito anos, tive episódios de pesadelos. Premonição ou reflexo do ambiente daquela época – um período tenso? Não me lembro de como eram, mas acordava meus pais.

Certa manhã, perguntaram-me se eu havia tido um pesadelo. Minha resposta foi: “Tive levianelos.” Sim, já naquela época era metido a filólogo. Os levianelos surgiram por simples obviedade infantil. Ora, se os sonhos pesados eram pesadelos, os leves seriam levianelos. Nada a ver com a leviandade humana, que só fui capaz de detectar anos depois.

 Sonhos e pesadelos nos acompanham por toda a vida. São reações inconscientes àquilo que ouvimos e enxergamos. Às vezes, com certeza, deixam sequelas profundamente conscientes. Sonhar faz bem e, na pior das hipóteses, pode render alguns palpites. Em meu léxico pessoal, seriam levianelos da sorte.

Mas, infelizmente, nem só de sonhos vive a humanidade. Traumas, más recordações ou experiências tristes provocam horripilantes pesadelos. Não sou onirologista, mas tenho teorias próprias sobre a origem dos pesadelos. Se, enquanto dormimos, nosso cérebro processa emoções, o enredo vem daquilo que vivenciamos. O cenário que nos cerca dá o tom: levianelo ou pesadelo.

Pelo manual de onirologia campeira, os pesadelos surgem quando o cérebro anda atordoado. É uma tontura consequente do medo, do sufoco da liberdade ou da sensação de estarmos em decadência. Esses elementos provocam pesadelos sobre o fim do túnel, a queda no precipício ou a ansiedade na escuridão.

Agora, já crescidinho e tratado com gotinhas de Rivotril, recordo-me dos pesadelos que tive entre meus 5 e 8 anos de idade. Há sintomas de ansiedade e sufoco da liberdade ali no horizonte. Seria o regresso de meus pesadelos? Sei lá, ao que parece, meus levianelos já estariam em retrocesso.

80 Anos de Radiodifusão I

Há duas semanas, o Instituto Histórico de Passo Fundo promoveu a única comemoração alusiva aos 80 anos da radiodifusão em Passo Fundo. A história do rádio no norte do Estado começou com a Rádio Passo Fundo, inaugurada em 19 de agosto de 1946.

A proposta arrojada e inovadora foi de Arnaldo Ballvé, que abriu emissoras de rádio pelo interior. Eram as Emissoras Reunidas Rádio Cultura Ltda., então a maior rede radiofônica do Sul do país. O pioneirismo de Ballvé foi fundamental para que o interior ganhasse voz e as vozes do interior ganhassem as ondas hertzianas. Foi impactante para uma época em que existiam raros receptores de rádio.

 80 Anos de Radiodifusão II

O IHPF, instigado pelos irmãos Carlinhos e Juliano Flores, filhos de Gildo Flores, abraçou a ideia e promoveu um maravilhoso encontro no Stage UPF Parque. Um pouco da história do rádio foi contada pelos irmãos Flores, Jorge Antônio Gerhardt e Dirne Terezinha, homenageados juntamente com Divair Cavalheiro.

Do rádio à válvula ao streaming, muita coisa mudou. Em outro painel, o pessoal olhou para o futuro do rádio. Belas considerações de Gerson Pont, da Rádio UPF, que enfatizou a importância da segmentação. Se, há 80 anos, o rádio era eclético, hoje tem públicos cativos em faixas específicas.

CRT

Encontro os queridos Juarez Pereira e Dagmar da Luz. Como sempre, o casal esbanjou simpatia nas palavras e no carinho. Os sorrisos evaporaram quando coloquei na roda a situação do antigo prédio da CRT, na Coronel Chicuta. Juarez, engenheiro e ex-gerente regional da saudosa Companhia Telefônica, não teve palavras para expressar tamanha tristeza.

Lembrou que no local estariam (ainda estão?) as velhas cabines telefônicas e outros aparatos da antiga e boa telefônica dos gaúchos. São peças importantes da memória das telecomunicações em Passo Fundo. E, certamente, da nossa história. Alguém poderia salvar o prédio, as cabines e os equipamentos?

Reflexões

Após o processo eleitoral em primeiro turno, há vencedores e perdedores. Faz parte. Porém, para melhor assimilar os resultados, é fundamental uma ampla reflexão. Por todos os ângulos, encontramos ensinamentos. Incluam-se na avaliação méritos, trairagem, decepções humanas e humanos que decepcionam. O que vale mesmo é a linha entre passado, presente e futuro.

Pastelaria

Passo Fundo, com 214 mil habitantes, elegeu apenas um deputado estadual. E nenhum federal. Situação triste e até revoltante, assim como o fedor da pastelaria aqui embaixo.

Trilha sonora

The Temporal Orchestra - Parfum d’Absence


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