OPINIÃO

Conjuntura Internacional

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A França parece colher as consequências de décadas de concessões políticas que enfraqueceram a autoridade do Estado, relativizaram a importância das fronteiras e transformaram a segurança pública em um problema crônico. Os recentes protestos, marcados por violência, expõem o desgaste de um país em busca de estabilidade e coesão social. Vejo nesse cenário o esgotamento de uma concepção política que, em nome de uma integração social deficiente, subestimou os efeitos da imigração desordenada e a preservação de referências culturais. Os protestos têm causas diversas, mas seria equivocado ignorar o peso que a imigração, a insegurança e as dificuldades de integração adquiriram no debate francês. Emmanuel Macron encerra seu ciclo político diante de uma França fragmentada, com instituições pressionadas e uma população cansada com as respostas oferecidas pelo centro tradicional.

A direita e a recuperação da autoridade

O crescimento eleitoral de Marine Le Pen deve ser compreendido nesse ambiente. A sua liderança nas pesquisas para 2027 revela uma transformação que vai além da candidata: muitos franceses desejam recuperar o controle sobre as fronteiras, restabelecer a autoridade das instituições e exigir que a integração dos imigrantes ocorra com respeito às leis. Considero legítima essa demanda. A soberania nacional pressupõe capacidade de decidir quem ingressa no território, sob quais condições e com quais responsabilidades. A França possui uma tradição republicana que exige a prevalência da lei e a preservação de uma identidade nacional histórica. A imigração legal e bem integrada pode contribuir para o país; fluxos irregulares e políticas deficientes de integração exigem respostas firmes. O avanço da direita francesa encontra correspondência em outros países europeus, onde forças conservadoras ampliaram sua representação ao defender segurança, soberania e autonomia nacional. A mudança no espírito político europeu nasce também da impaciência com governos que prometem proteção e entregam incerteza.

Os cenários de uma nova França

Considero provável que a agenda conservadora continue avançando, independentemente do resultado presidencial. Segurança pública, imigração e autoridade estatal já ocupam posição central no debate. O cenário possível envolve a vitória de Le Pen ou de outra liderança do Reagrupamento Nacional, condicionada às alianças eleitorais, à elegibilidade da candidata e à conquista da maioria no segundo turno. O cenário desejável, sob minha perspectiva, seria a chegada ao poder de uma direita conservadora, capaz de recuperar a ordem, fortalecer a soberania e promover reformas econômicas para recuperar a competitividade. Para isso, precisará demonstrar competência administrativa, responsabilidade fiscal e capacidade de articulação institucional. Na dimensão europeia, essa mudança poderia fortalecer o campo conservador e alterar o equilíbrio político em Bruxelas, sobretudo nas discussões sobre imigração, fronteiras e autonomia dos Estados nacionais. Entendo que a escolha francesa pode influenciar toda a Europa, estando em jogo a capacidade de transformar a insatisfação popular em autoridade legítima e estabilidade duradoura.

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