Protesto contra onda de assaltos em coletivos

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Gerson Lopes/ON
    
Motoristas e cobradores paralisaram as atividades durante uma hora, ontem à tarde, para protestar contra a onda de violência enfrentada pela categoria. Nos sete primeiros meses de 2011, o Sindicato dos Trabalhadores de Transportes Coletivos Urbanos de Passo Fundo – Sindiurb, registrou 90 assaltos nos ônibus da Codepas, Coleurb e Transpasso.
No período entre às 14h30min até 15h30min, aproximadamente 100 ônibus permaneceram estacionados em fila simples, entre as quadras centrais da Avenida Brasil. A concentração dos trabalhadores aconteceu em frente ao fórum. Para o presidente do sindicato, José Doeber, o ato serviu como uma alerta para as autoridades responsáveis pela segurança na cidade. Ele pede mais rigor no policiamento ostensivo realizado pela Brigada Militar e agilidade nas investigações da Polícia Civil para identificação dos assaltantes. “Saímos de casa para trabalhar e não sabemos se voltaremos. Do jeito que está não dá para continuar” desabafou.

A categoria decidiu desencadear uma seqüência de protestos e manifestações depois que um cobrador e um motorista, da empresa Codepas, foram esfaqueados semana passada, na vila Donária. Em solidariedade às vitimas, no dia seguinte ao fato, colegas da empresa trabalharam com uma tarja preta amarrada ao braço e outra no veículo.

O ato de ontem contou com apoio de representantes do Sindicato dos Vigilantes e também do Sindicato dos Trabalhadores de Hotéis, Bares, Restaurantes e Similares. O debate em busca de soluções para reduzir os índices de assaltos nos ônibus continua no próximo domingo. Uma reunião marcada para às 16 horas, na Câmara de Vereadores, deverá reunir trabalhadores, integrantes da Brigada Militar, da Polícia Civil e também da Secretaria Municipal de Segurança. “Vamos continuar o debate em busca de medidas concretas” garante Doeber.

Uma rotina de violência

Na mobilização, trabalhadores de diferentes empresas compartilhavam a dramática experiência de conviver com uma rotina de violência nos coletivos de Passo Fundo. A maioria deles conhece, pelo menos uma vez, os riscos de ficar sob a mira de um revólver ou de uma faca.

Preocupado com a onda de violência, o cobrador da Codepas, Marcelo Pinheiro, 35 anos, já pensou em mudar de profissão. Motivos não lhe faltam. Em apenas quatro anos na empresa, passou por 11 assaltos. Em cinco deles, os autores invadiram o ônibus armados com revólveres.

“A primeira coisa que eles dizem é - passa o dinheiro vagabundo-. O sangue da gente ferve. Nos primeiros assaltos quase reagi, mas felizmente consegui me controlar” relata.

Outro fator que vem preocupando a categoria é a incidência de assaltos durante o dia. Os roubos que ocorriam normalmente entre às 19h às 23h, estão sendo práticos em plena luz do dia, indiferente de horário e de movimento nos veículos. “Não tem mais essa de horário. Eles entram no ônibus e a gente não sabe o que vai acontecer. Convivemos com essa ansiedade o tempo todo” conta o cobrador da Codepas, Joir Fernandes Alves, 55 anos. Em 16 anos de empresa, passou por três assaltos, um deles ao meio dia e outro às 16horas.

“Mesmo esfaqueado, consegui dirigir até o hospital”
Em fase final de recuperação, o motorista,de 48 anos, esfaqueado, juntamente com o cobrador, no assalto ocorrido na vila Donária, participou do protesto de ontem e contou como teve forças para dirigir, mesmo ferido, até o Hospital São Vicente de Paulo, e socorrer o colega.

ON- Como foi sua reação ao perceber o assalto?
Motorista –
Foi a primeira vez que passei por isso. Vi que estavam pegando o dinheiro e outros objetos do meu colega. Um tinha uma faca e outro um canivete. Fiquei sentado ao volante quando começaram a me agredir com socos.

ON – Houve reação?
Motorista –
Nenhuma. Mesmo assim, ele me acertou um pontão de faca. Senti minhas costas ardendo. Quando vi o cobrador ferido, cheguei a gritar por socorro.

ON – Mesmo ferido conseguiu dirigir?
Motorista –
Sim. Tive muita tranquilidade, apesar da situação. Precisava ajudar meu colega e foi o que fiz. Segui até o hospital.  

ON- Chegaram a agredir os passageiros?
Motorista
Tinha aproximadamente 15 passageiros, mas felizmente não fizeram nada contra eles. Estou me recuperando para voltar a trabalhar e o meu colega também. Espero que esse protesto sirva para diminuir os assaltos.

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