O tribunal do Júri condenou Michel de Morais Rodrigues, 23 anos, a 9 anos e meio de prisãoem regime fechado, pela morte da sogra e ativista Silvia Aparecida de Miranda, 36 anos. Logo após a leitura da sentença feita pelo juiz Orlando Faccini Neto, por volta das 19h15min, de ontem, o réu foi recolhido ao Presídio Regional de Passo Fundo. Os advogados de defesa pretendem recorrer da decisão. Na saída do salão do júri houve um desentendimento entre as famílias do réu e da vítima, mas a situação foi logo controlada pelos policiais militares e seguranças.
O crime que chocou os passo-fundenses e desencadeou uma onda de protestos aconteceu em 25 de outubro de 2012, no bairro Jaboticabal. Por volta das 23h50min, ela foi até a casa da filha, ambas residiam na rua Valter Vargas, e encontrou o acusado descontrolado e bastante violento. Na tentativa de defender a jovem, ordenou que ele deixasse o local. O rapaz investiu contra a sogra, que saiu da casa, mas foi perseguida e atacada com vários golpes de faca. Sílvia caiu nos braços de uma vizinha. Levada imediatamente ao Hospital São Vicente de Paulo, não resistiu aos ferimentos, principalmente na região do coração e pulmão, e morreu durante a madrugada.
Ao ser interrogado na abertura do júri ontem à tarde, Michel alegou ter agido em legítima defesa. “Peguei o canivete para abrir a porta. Ela estava em frente a minha casa, com uma pedra na mão. Começamos a discutir. Eu só lembro que estiquei os braços para me defender” declarou. Conforme apontou o laudo de necropsia, Sílvia foi morta com três golpes, um deles pelas costas. O réu também afirmou nunca ter agredido a filha da vítima, de 19 anos.
Integrantes do projeto Mulheres da Paz afirmam que por várias vezes Sílvia comentou sobre as agressões que a jovem sofria. No primeiro depoimento à polícia, ela chegou confirmar a rotina de violência física e psicológica por parte do agressor, com o qual convive desde os 15 anos. Ouvida em audiência na 1ª Vara Criminal, a jovem mudou a versão e passou a defendê-lo. Ontem, Michel confirmou no interrogatório que os dois voltaram a viver juntos. O casal tem uma filha de 6 anos.
Michel permaneceu por cerca de um ano e meio preso, mas aguardava julgamento em liberdade. Ele havia sido denunciado por homicídio qualificado (motivo torpe), mas uma decisão do Tribunal de Justiça do Estado desqualificou o crime para homicídio simples. “Na segunda-feira entraremos com um habeas corpus. Entendemos que a sentença foi exagerada” afirmou o advogado de defesa, José Rossini, que atuou ao lado do colega Iunes Hassan Sobrinho.
Para o promotor Diego Mendes de Lima, que trabalhou desde o início no caso, a sentença foi satisfatória. “Como a qualificadora havia sido derrubada pelo Tribunal de Justiça, a pena de 9 anos e seis meses ficou dentro do esperado. Este caso deve servir de exemplo para a sociedade” afirmou. O advogado Leandro Scalabrin atuou como assistente de acusação. Bastante emocionada, Gabriele Miranda, 26, filha mais velha de Sílvia, agradeceu ao apoio e envolvimento das Mulheres da Paz e Comissão dos Direitos Humanos, ao longo dos últimos dois anos. “Foi uma vitória” definiu.


