“Dizem que o raio não cai duas vezes no mesmo lugar, mas no meu caso infelizmente aconteceu”. O desabafo é de um comerciante de Passo Fundo, que teve seu estabelecimento comercial assaltado duas vezes em 24 horas. Em ambas as ações, os ladrões levaram o dinheiro do caixa, celulares, chocolates e cigarros. Apesar do prejuízo e do susto, ninguém ficou ferido.
Proprietário de uma casa de carnes, na rua João de Cesaro, vila Rodrigues, Adalberto Balbinotte, 50 anos, tentava se refazer do drama de ter ficado duas vezes na mira de um revólver. “Ontem me deu um baixo astral, o cara fica com o trauma, não adianta” comenta. O primeiro assalto ocorreu na quarta-feira, por volta das 15 horas. Balbinotte estava na calçada, em frente ao estabelecimento, quando dois homens a pé, aparentando 25 e 18 anos, se aproximaram perguntando se ele era o responsável pelo atendimento. Ao responder afirmativamente e entrar no estabelecimento, a vítima teve uma arma apontada em sua direção. “Me calçaram com um revólver na barriga e mandaram eu ficar atrás do balcão. Estavam de cara limpa” conta. Em seguida, a dupla começou a recolher as mercadorias das prateleiras e o dinheiro do caixa. Eles colocaram os objetos em uma mochila e, antes da fuga, mandaram o comerciante deitar no chão. “Ainda pegaram meu celular. Pareciam tranquilos. Quase não falaram durante o roubo” lembra. A ação durou pouco menos de 10 minutos. Assim que deixaram a casa de carnes, a vítima ligou para o 190 da Brigada Militar. Uma guarnição se deslocou rapidamente. Os policiais realizaram buscas, mas não conseguiram localizar a dupla.
No dia seguinte, o comerciante estava novamente diante do mesmo drama. Por volta das 17h30min, de quinta-feira, um homem, usando um capacete, entrou com a arma na mão anunciando o roubo. “Quero dinheiro ele dizia, onde está o cofre. Respondi que já havia sido assaltado no dia anterior, mas não adiantou. Ele disse que não interessava e queria o dinheiro mesmo assim” recorda a vítima. Demonstrando bastante nervosismo, mandou o comerciante deitar no chão e colocou o pé sobre a cabeça dele. A sogra da vítima, que estava sentada lendo a bíblia, permaneceu imóvel. Instantes depois, uma cliente abriu a porta, deixada entreaberta pelo marginal, e foi surpreendida com a cena do comerciante deitado. “Ela levou um susto, perguntou para minha sogra se eu estava passando mal. O assaltante rapidamente mandou ela deitar com o rosto virado para a parede” recorda. O homem pediu uma sacola onde colocou parte das mercadorias que havia sobrado do roubo anterior. Também levou certa quantia em dinheiro e o celular, recém-comprado pela vítima. “Logo após o assalto de quarta-feira, eu liguei para minha esposa, que estava no centro, contei do roubo e pedi que comprasse um celular. Não cheguei a ficar um dia com o aparelho” lamenta. O assaltante deixou o local e fugiu na carona de uma moto, conduzida por outro indivíduo. O condutor estacionou ao lado da casa de carnes e permaneceu com o motor ligado aguardando o comparsa.
Momento antes da ação, moradores da rua já haviam percebido a dupla circulando pelas proximidades. Instalado há 31 anos no mesmo endereço, Balbinotte disse ter sofrido o quarto assalto neste período e pretende reforçar a segurança. “Era um lugar tranquilo, mas agora está ficando complicado. Estou pensando em contratar uma pessoa para ficar aqui comigo, pelo menos até o final do ano, depois vou pensar no que fazer. O prejuízo material a gente recupera, o problema é o psicológico, abala demais” comenta.


