Passo-fundense está entre os velejadores presos em Cabo Verde

Daniel Guerra e outros dois brasileiros foram presos no continente africano após a polícia encontrar mais de uma tonelada de cocaína no casco do barco. Campanha nas redes sociais defende inocência dos tripulantes

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O sonho de atravessar o mar Atlântico se tornou em uma viagem desconfortável para três brasileiros e um francês. Há mais de cinco meses, os velejadores foram presos em Cabo Verde, país do continente africano, após a polícia encontrar mais de uma tonelada de cocaína no fundo do casco da embarcação. Entre os tripulantes, há um passo-fundense. Trata-se de Daniel Guerra, que viajou ao lado dos irmãos brasileiros Rodrigo e Daniel Dantas e do capital Christian Oliver.


Desde agosto os brasileiros tentam provar sua inocência quanto à origem da droga encontrada. Uma petição online do site Chance.org, que está circulando pelas redes sociais, informa que Daniel Guerra e Rodrigo Dantas foram contratados por uma agência holandesa de recrutamento de tripulação. O trabalho era transportar um veleiro de 72 pés, com rota que saia de Salvador, no Brasil, com destino aos Açores, em Portugal.
No dia 22 de agosto, o passo-fundense fez a última postagem em sua página no Facebook. Com um check-in em Cabo Verde, Guerra descreveu as intempéries e os problemas mecânicos que dificultaram a primeira etapa da viagem. Animado com a cultura local, a pretensão do jovem era carimbar o passaporte, consertar o veleiro, surfar e, caso sobrasse um tempinho, curtir a cultura cabo-verdiana. “Fé em Deus e nos bons ventos a trip continua... Destino, Arquipélago das Ilhas Canárias”, escreveu Guerra.


Porém a viagem não continuaria, já que neste momento a polícia localizou a droga escondida no duplo fundo do casco – abaixo dos tanques de água e revestidos com cimento e placas de aço. Conforme a petição há forte pressão para que eles assumam a culpa pela cocaína. Caso sejam considerados culpados, podem receber pena de até 15 anos de prisão.


Revistado pela PF
Antes de iniciar o trajeto, o barco foi vistoriado por mais de seis horas pela Polícia Federal, com cães farejadores, e foi liberado. “Em nenhum momento os brasileiros contratados tiveram qualquer contato ou sabiam o que o barco trazia escondido, sob placas de aço, soldadas ao casco e revestidas com cimento”, defende a petição.


Dono da embarcação
De acordo com a petição, o veleiro esteve por mais de um ano no Brasil e passou por reformas no casco. O verdadeiro proprietário da embarcação seria George Saul, conhecido com Mr Fox, um cidadão inglês com residência em Gibraltar e Norwich (UK). O abaixo-assinado informa que Mr Fox estaria desaparecido e que existiria um mandado de prisão contra ele. “O Sr George Saul esteve inúmeras vezes no Brasil para acompanhar a remodelação de seu barco, sendo que, em pelo menos uma ocasião, ele ficou sozinho ancorado em uma praia semideserta do litoral brasileiro, onde havia uma residência e amplo tempo e privacidade para fazer o carregamento da droga”, diz o documento.


Abaixo-assinado
A meta é conseguir 10 mil assinaturas para pressionar a embaixada brasileira em Cabo Verde e sensibilizar as autoridades para a inocência dos velejadores. Até sexta-feira, mais de sete mil pessoas haviam assinado a petição. A reportagem de ON tentou contato com a família de Daniel Guerra, mas até o fechamento dessa edição não havia sido atendida.

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