Homem perde R$ 500 em Shopping e recebe de volta: "Ainda existe gente honesta"

Dinheiro foi encontrado por sargento de folga que decidiu só entregar nas mãos do dono

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A angustia do sargento da Brigada Militar João Carlos foi compartilhada de mesa em mesa na praça de alimentação do Bella Città Shopping, no domingo (29). Ele estava de folga e acompanhado da esposa, mas desde que encontrara um bolo de notas de R$ 100 e R$ 50, totalizando R$ 500, permaneceu a olhos altivos na procura pelo último homem que vira sentado naquela mesa. “Eu acho que sei quem perdeu”, dizia.


As notas estavam juntas e caíram ao lado de uma mesa, quase no centro de uma das praças de alimentação. Já João Carlos estava há cerca de quatro mesas dali, mas com o corpo voltado para aquele lugar percebeu quem era o último casal que a ocupara. “Era um homem moreno, de óculos e bermuda”, repetia às pessoas.


Passavam poucos minutos das 14h quando o sargento notou as notas perdidas. Levantou-se de onde estava, caminhou até o local e tomou em mãos, mostrando a outras pessoas: “Olha o que encontrei! Alguém perdeu!” Seu compartilhar era uma tentativa de pedir ajuda, indicação a quem buscar ou com quem deixar. Aí lembrou-se do homem moreno, de óculos e bermuda. Mas ele já havia saído e não o viu retornar.


De pronto começou a se especular na praça para que serviria o dinheiro. Quem sabe parte de um salário. Imagine nos últimos dias do ano perder logo R$ 500? Quem sabe para uma conta. Quem sabe para pagar o quê? Só o dono do dinheiro saberia.
A esposa de Oliveira fazia questão de frisar: “E dinheiro é difícil, não tem dono, não tem marca, não tem registro”. Mas João Carlos estava obstinado. Deixou o dinheiro em cima da mesa. Falou com uma das mulheres que cuidava da limpeza. Ela não sabia o que fazer. Pediu em um dos restaurantes se poderia deixar ali. Mas foi colocado em xeque: “Será que era só esse valor?” E não pode. Voltou à sua mesa. Só quando estava decidido a deixar seu endereço para que o verdadeiro dono o buscasse, caso viesse perguntar no Shopping sobre os valores, é que notou o homem “moreno, de óculos e bermuda”, caminhando ao lado da esposa.


Não correu em sua direção. O homem caminhava tranquilamente. Não procurava por nada. João Carlos chegou a pensar: “Antes dele havia outra pessoa. Será que não foi ela?” Mas algo lhe dizia que não estava errado.


O homem sumiu da vista do sargento, e o sargento e a esposa foram atrás. Minutos depois voltaram à praça, juntos.


O homem, “moreno, de bermuda e óculos”, chamava-se Sergio Augusto de Oliveira, que não hesitou em se emocionar ao receber de volta o dinheiro que não sabia ter perdido. Dinheiro que tampouco era dele, mas do Lar Emiliano Lopes, entidade que coordena há anos.


“Eu tenho um bolso onde guardo coisas para os meus gastos e um bolso pro Lar. E esse dinheiro arrecadamos com o projeto Mão na Massa e seria usado para pagar contas da entidade”, compartilhou.


Em um dos corredores do Shopping o sargento se aproximou de Oliveira e, sem dizer que estava com seu dinheiro, perguntou: “O senhor não perdeu nada?” Oliveira disse que não. O sargento insistiu: “Tem certeza?” Foi quando Oliveira meteu a mão no bolso em que estava o dinheiro do Lar e descobriu a perda.


Já com o dinheiro, Oliveira nem imaginava o que faria se realmente o tivesse perdido. Na própria praça de alimentação disse ter mudado três vezes de mesa. Especulou que dependendo onde se desse conta da falta jamais pensaria em buscar no Shopping. Mas ao lado do sargento, ofereceu um abraço e o agradecimento: “Ainda existe gente honesta, obrigado ao amigo que mesmo dinheiro não tendo marca, devolveu”.

 

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