Caminhoneiros mantêm mobilização nas rodovias da região

Em Passo Fundo, grupo se concentra às margens da BR 285, sem interrupção da rodovia

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Manifestantes afirmam que estão convidando colegas para paralisação (Foto: Luciano Breitkreitz/ON)Manifestantes afirmam que estão convidando colegas para paralisação (Foto: Luciano Breitkreitz/ON)
Manifestantes afirmam que estão convidando colegas para paralisação (Foto: Luciano Breitkreitz/ON)
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A mobilização nacional dos caminhoneiros e produtores rurais, em continuação aos atos desencadeados no feriado de 7 de setembro, reuniu centenas de manifestantes na região de Passo Fundo nesta quinta-feira (9). A movimentação, que acontece em todo país, começou ainda na quarta (8) e deve seguir até, pelo menos, esta sexta-feira (10). No município, os grupos se concentram às margens da BR 285, em um posto de combustível, convidando os caminhoneiros que transitam pelo local a aderirem ao movimento.

Os manifestantes chegaram a divulgar que a rodovia seria totalmente interrompida para o trânsito, inclusive de carros de passeio, mas a expectativa não se confirmou e o fluxo pôde seguir normalmente. O presidente do Sindicato dos Transportadores Autônomos de Cargas de Passo Fundo e Região, Flávio Lunelli, que participou da mobilização, negou ainda o questionamento da reportagem sobre uma suposta obrigatoriedade imposta aos caminhoneiros para que aderissem à paralisação. “Não foi preciso. Nós estamos convidando a parar e eles estão parando porque concordam que o país está degradado”, afirmou. Ele adiantou, no entanto, que o cenário deve ser diferente a partir desta sexta-feira. “Vamos continuar aqui e, de hoje em diante, não vamos mais abrir a estrada. Pretendemos montar barreiras e não vai ser aberto a carro nenhum, exceto ambulâncias e cargas perigosas”.

A movimentação foi semelhante em municípios como Mato Castelhano, Pontão, Sarandi, Tio Hugo, Ijuí, Getúlio Vargas, Soledade, Santo Ângelo e Erechim, mas em parte deles, ao contrário de Passo Fundo, o trânsito chegou a ser interrompido parcialmente. Em Erechim, os caminhoneiros se reuniram no entrocamento da BR 153 com a RS 135 e houve bloqueio com liberação a cada 15 minutos. Em Pontão, também houve interrupção com liberação a cada 15 minutos. Em outras regiões, a Polícia Rodoviária Federal precisou interferir e trabalhar na liberação do trânsito. É o caso da BR 153, em Cachoeira do Sul, da BR 101, em Osório, e da BR 116, em Camaquã.

 

Manifestantes exibem estátua de Bolsonaro durante a mobilização

Em Passo Fundo, os manifestantes montaram uma estrutura às margens da BR 285 para facilitar a alimentação e o pernoite dos participantes. O grupo organizou ainda a exibição de uma estátua em homenagem ao presidente Jair Bolsonaro. O objeto foi apresentado ao público pela primeira vez na última terça-feira (7), no feriado de Independência do Brasil, durante um ato promovido na Praça da Mãe. Construída em Passo Fundo pelo artista plástico Jorge Luiz Grigolo e custeada pelo Comitê pela Vida e Liberdade, com apoio do Sindicato Rural de Passo Fundo, a figura é feita de ferro e tem seis metros de altura.

  

Presidente pede que a categoria desbloqueie as vias

Os caminhoneiros têm carregado como bandeiras dos protestos, em todo o país, pautas igualmente defendidas pelo presidente Jair Bolsonaro, como o apoio ao Marco Temporal relacionado às terras indígenas e ataques direcionados ao Supremo Tribunal Federal, pedindo especialmente a saída do ministro Alexandre de Moraes. Apesar disso, na quarta-feira, em um áudio direcionado aos caminhoneiros e ainda não publicado de forma oficial, o presidente Bolsonaro pediu às lideranças do movimento que desbloqueassem as vias para evitar desabastecimento e aumento da inflação.

No áudio, o presidente comunica: “Fala para os caminhoneiros que são nossos aliados que esses bloqueios atrapalham, nossa economia. Isso provoca desabastecimento e inflação. Prejudica todo mundo, em especial os mais pobres. Dá um toque para os caras, para liberar, para a gente seguir a normalidade. Deixa com a gente em Brasília, aqui, agora. Não é fácil negociar e conversar por aqui com outras autoridades, mas a gente vai fazer nossa parte e vamos buscar uma solução para isso, tá ok? Aproveita e em, meu nome dá um abraço em todos os caminhoneiros”. 

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