Erechim entrou nesta semana em uma das maiores operações de reconstrução de sua história. A forte tempestade de granizo que atingiu o município no fim da tarde de domingo (23) provocou estragos que já superam R$ 50 milhões, conforme estimativa da Prefeitura. O cenário, segundo autoridades municipais, é inédito: casas destelhadas, lavouras destruídas, escolas danificadas e serviços públicos pressionados.
A Defesa Civil atualizou na manhã desSa quarta-feira (26) o número de atingidos: mais de 41 mil pessoas sentiram os efeitos diretos da tempestade. Dessas, 268 ficaram feridas, com diferentes graus de gravidade. Cinco permanecem hospitalizadas — duas delas em UTI.
Os registros incluem moradores feridos ao tentar reparar seus telhados logo após o temporal, muitos deles sem equipamentos de segurança. A Prefeitura reforça os alertas sobre risco de acidentes, especialmente com quedas de altura.
O levantamento aponta ainda duas pessoas desabrigadas e um número expressivo de moradias danificadas: mais de 16 mil residências sofreram algum tipo de destelhamento ou dano estrutural. “Estamos falando de um impacto coletivo, que atinge bairros inteiros, não apenas áreas isoladas”, destacou o prefeito Paulo Polis.
Prejuízo agrícola passa de R$ 20 milhões
Na área rural, o cenário também é grave. Com lavouras de trigo prontas para a colheita e áreas de milho e soja, os prejuízos estimados pela Emater chegam a R$ 20 milhões. O granizo destruiu também videiras, hortaliças e estufas, afetando propriedades familiares e cadeias produtivas locais. “Só na agricultura, é um baque muito significativo. E isso sem contar a soma dos danos urbanos, que devem passar de R$ 30 milhões”, explicou o prefeito.
A soma entre área rural e urbana coloca o impacto financeiro acima de R$ 50 milhões. “Trabalhamos sem parar desde domingo”, relata Polis.
O prefeito detalhou o ritmo de trabalho adotado desde o temporal. “A primeira fase foi entregar lonas, porque não havia telhas disponíveis no mercado regional. Hoje concluímos essa etapa”, relatou.
Segundo ele, a logística foi desafiadora, pois a demanda ultrapassou a capacidade de abastecimento local. Sem telhas de brasilit e aluzinco disponíveis, a Prefeitura precisou buscar materiais em outras regiões. Os primeiros carregamentos começam a chegar ainda nesta quarta-feira. “Agora iniciamos uma fase ainda mais complexa, que é recolocar telhas em milhares de casas. Isso deve levar entre 30 e 60 dias, dependendo das condições climáticas e do recebimento dos materiais”, afirma.
Entrega de vouchers começa nesta quinta
Para organizar a distribuição das telhas, o município adotou o sistema de vouchers, que começam a ser entregues diretamente nas residências das famílias mais vulneráveis a partir desta quinta-feira (27). As equipes municipais percorrerão os bairros para identificar prioridades, orientar moradores e evitar aglomerações no ponto de coleta.
A Prefeitura reforça que ninguém deve retirar a lona do telhado antes da avaliação técnica, evitando que novas chuvas causem mais prejuízos internos.
Escolas danificadas e retorno gradual das aulas
As escolas da rede municipal e estadual também sofreram danos significativos em seus telhados. Como medida emergencial, lonas foram instaladas nas estruturas para garantir a retomada das aulas. A rede estadual voltou na quarta-feira (26) e a municipal retorna quinta-feira (27), de forma provisória. “Precisamos que as crianças voltem para garantir rotina às famílias e permitir que os pais trabalhem. Mas sabemos que ainda convivemos com improvisos”, disse Polis.
Energia e água quase totalmente restabelecidas
A RGE e a Corsan atuam desde domingo para recompor os serviços de energia elétrica e abastecimento de água. Segundo o prefeito, ambos já foram restabelecidos em 95% da cidade, restando casos pontuais em áreas isoladas.
Defesas Civis atuam em conjunto
O município recebeu equipes da Defesa Civil da região, Estadual e Nacional, que confirmaram o reconhecimento da situação de emergência nos níveis estadual e federal.
O Estado destinou R$ 1,5 milhão e enviou seis carretas de telhas, que começam a ser distribuídas a partir desta semana. “Estão consolidados os decretos de emergência e os levantamentos técnicos. Agora precisamos de recursos federais para dar continuidade ao processo de reconstrução”, explicou o prefeito.
A estimativa é de que o município necessite de pelo menos R$ 30 milhões em apoio direto para recomposição de habitações e estruturas comunitárias.
Voluntários são essenciais
A Prefeitura pede apoio de voluntários para auxiliar na triagem de doações, descarregamento das telhas e apoio às equipes que atuam nos telhados.
Profissionais com experiência em construção, instalação de telhados e uso de EPIs são especialmente bem-vindos, mas qualquer ajuda é necessária.
A administração alerta para golpes: todos os servidores, equipes e voluntários cadastrados estarão identificados com crachá.
Recebimento de doações
Com a fase de lonas encerrada, o Grupo de Resposta a Atendimento de Urgência, Grau, localizado na Avenida Caldas Júnior, 597, passa a ser o ponto oficial de recebimento de doações.
Também é possível contribuir financeiramente pelo PIX oficial ‘SOS Reconstrução Erechim’ — chave (54) 99171-1152 (Banrisul). O governo municipal reforça que este é o único PIX autorizado.


