A enxaqueca é reconhecidamente uma das doenças mais limitantes, afetando a qualidade de vida de pessoas que, não raro, chegam a passar dias com dor de cabeça, aversão ao barulho e à luz, náuseas, irritabilidade, falta de concentração, tontura e visão embaçada. Diante de um quadro desses, que afeta diretamente o convívio do paciente dentro de casa e no trabalho, a ciência se apressa em encontrar novos tratamentos. O botox é um deles, tendo sido aprovado pelo FDA para o tratamento de enxaqueca crônica em 2010 e pela Anvisa no ano passado.
“Mais do que suavizar rugas de expressão, a toxina botulínica pode realmente atenuar a dor de cabeça crônica e proporcionar melhor qualidade de vida para quem sofre a agonia frequente das crises”, diz Leandro Calia, neurologista de São Paulo.
Calia cita dois estudos clínicos publicados na revista médica Cephalalgia, em que 1.384 adultos com enxaqueca crônica foram randomizados para botox ou placebo. Todos foram submetidos a três ciclos de tratamento durante mais de um ano e registravam num diário os sintomas de cefaleia e os medicamentos utilizados para diminuir a dor. Ao final, aqueles que receberam doses fixas de toxina botulínica nas sete áreas musculares específicas da cabeça e do pescoço (frontal, corrugador, prócero, temporal, occipital, cervicais paraespinhais e trapézio) demonstraram importante diferença em relação aos demais. O tratamento com botox melhorou significativamente a qualidade de vida daquelas pessoas.

