Eficácia do tratamento com antirretrovirais em crianças

Por
· 3 min de leitura
Você prefere ouvir essa matéria?
A- A+

O primeiro dia de Congresso Médico de Passo Fundo, realizado de 18 a 21 de abril, foi o momento das apresentações dos temas livres, que englobaram quatro áreas: cirurgia, pediatria, ginecologia e clínica médica. Este ano 26 trabalhos foram inscritos e todos concorreram ao Prêmio Sabino Arias, que contemplou com prêmios em dinheiro para o primeiro e o segundo colocados com os melhores temas. As apresentações dos trabalhos são feitas de forma oral e em pôsteres. Depois das exposições, uma banca, composta por médicos se reuniu para escolher o melhor trabalho, que foi então o vencedor do Prêmio Sabino Arias.

Na edição deste ano, o tema livre vencedor foi a pesquisa intitulada Análise da Resposta Imunológica e Viral ao Uso de Terapia Antirretroviral em Crianças com Aids após 12 Meses do Tratamento, dos alunos do curso de medicina da Universidade de Santa Cruz, William Scheffer Chaves, Eduardo Chaida Sonda, Geison Hausen, Fernanda Weberk, com orientação da professora Cristiane Pimentel Hernandes Machado. Os estudantes realizaram a pesquisa no Centro Municipal de Atendimento à Sorologia CEMAS/SAE/CTA do município de Santa Cruz do Sul.

O Medicina & Saúde conversou com um dos integrantes do grupo, William Scheffer Chaves, que é natural de Passo Fundo, que explicou sobre como funcionou a pesquisa e quais os resultados obtidos.

Medicina & Saúde – Em que período foi realizada a pesquisa?

William Scheffer Chaves – A pesquisa foi realizada de dezembro de 2011 a abril de 2012.

M&S – Quantas crianças foram pesquisadas?

WSC – Foram pesquisadas 19 crianças HIV positivas, das quais 15 entraram no estudo por estarem fazendo uso da Terapia Antirretroviral (TARV).

M&S – Qual foi a metodologia da pesquisa?

WSC – Foi realizado um estudo de corte retrospectivo baseado na análise dos prontuários das crianças HIV positivas atendidas no serviço referenciado de HIV/Aids do município de Santa Cruz do Sul. Foram coletados dados epidemiológicos, contagem de linfócitos CD4+ e carga viral para HIV da primeira consulta e CD4+ e carga viral 12 meses após o início do tratamento das crianças com indicação de TARV. Foram excluídas do estudo crianças que não haviam completado 12 meses de tratamento até a data da coleta de dados.

M&S – Quais os resultados obtidos?

WSC – São 19 crianças HIV positivas atendidas no serviço, sendo que 15 estão em tratamento- TARV. São sete meninas (46,7%) e oito meninos (53,3%). A média de idade foi de 10,5 anos (desvio padrão de mais ou menos 4,1). A média de idade de início da TARV foi de 5,8 anos (desvio padrão de mais ou menos 4,1). Em relação à contagem de CD4+, a média pré-TARV era de 727 células/mm³ (desvio padrão de mais ou menos 635); nove crianças (60%) apresentavam carga viral maior que 100 mil cópias/ml pré-TARV. Após 12 meses de tratamento, a média de CD4+ aumentou para 1037 células/mm³ (desvio padrão de mais ou menos 632); 14 (93,3%) apresentaram melhora nos níveis séricos de CD4+; seis (40%) apresentaram carga viral detectável ainda, sendo que uma criança permaneceu com carga viral maior quer 100 mil cópias/ml; nove (60%) apresentaram carga viral indetectável.

M&S – É possível descrever a eficácia dos antirretrovirais?

WSC – Com 12 meses de TARV houve uma redução significativa na carga viral, indicando efetividade do tratamento. Porém aquelas crianças que não tiveram boa adesão ao tratamento, ainda apresentavam carga viral detectável indicando falha virológica. Estes dados alertam para a grande dificuldade de manter a adesão ao tratamento medicamentoso nas crianças, o que indica a necessidade de implementar medidas mais eficazes para conseguir a adesão do paciente e sua família. Em relação ao CD4+, mesmo com significativa melhora da resposta imunológica, é necessária uma avaliação clínica individual de cada criança para avaliar a real efetividade do tratamento.

M&S – Como fica a qualidade de vida das crianças com o uso do medicamento?

WSC – Sabe-se que a qualidade de vida das crianças com aids que fazem uso adequado da Terapia Antirretroviral melhora significativamente, permitindo um desenvolvimento adequado e reduzindo drasticamente as chance de desenvolver doenças oportunistas.

Colaboraram

William Scheffer Chaves, Eduardo Chaida Sonda, Geison Hausen e Fernanda Weberk, acadêmicos de medicina da UNISC

Gostou? Compartilhe