O trabalho é um fenômeno social revestido de diversas representações. Nos dias atuais não é mais visto apenas como fonte de renda ou meio de obtenção de bens materiais e de consumo. Ao contrário, tem papel de extrema importância na construção da identidade do indivíduo, a qual se constitui sob influência de fatores biológicos, ambientais, culturais e sociais (Hall, 2006). O ser humano necessita ser reconhecido por outras pessoas, ou seja, o indivíduo constitui-se, em parte, da percepção que os outros têm dele (Hall, 2006). Daí a importância social do trabalho no sentido da busca pela consideração do outro, uma vez que o sucesso e a satisfação profissional reafirmam o senso de identidade individual (Magalhães & Gomes, 2005).
A partir destas considerações, pode se pensar numa definição ampliada do termo trabalho. Brown (1972) nos trazia um conceito ortodoxo, o qual, de acordo com o autor, serviu de inspiração para administradores e psicólogos industriais durante muito tempo, baseado na crença do Velho Testamento de que o trabalho físico é uma maldição imposta ao homem como punição pelos seus pecados. Giddens (1997) inclui na sua definição a noção de trabalho intelectual, agregando a ideia de dispêndio de esforço mental juntamente com o físico, a fim de se produzir bens e serviços para a satisfação das necessidades humanas. Ambos os autores compreendem que o trabalho inclui ainda uma dimensão social, à medida que a sociedade elevou o trabalho a fator estruturante não só da organização econômica, mas também das relações sociais. Neste sentido, o trabalho constitui um aspecto da vida que dá status ao homem e o liga à sociedade.
Gênesis Marimar Rodrigues Sobrosa é psicóloga graduada pela Universidade Federal de Santa Maria – UFSM, mestre em Psicologia – ênfase em Psicologia as Saúde – UFSM, doutoranda em Psicologia Clínica - UNISINOS e professora da Escola de Psicologia da IMED



