O câncer de estomago e intestino grosso no RS

A gordura do churrasco respinga no carvão e produz substâncias que podem causar o câncer

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Carvão e gordura: resíduos contaminantes orgânicos e inorgânicos que podem causar doençasCarvão e gordura: resíduos contaminantes orgânicos e inorgânicos que podem causar doenças
Carvão e gordura: resíduos contaminantes orgânicos e inorgânicos que podem causar doenças
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Dados do Instituto Nacional do Câncer (INCA) apontam uma elevada incidência do câncer do cólon e estômago no Rio Grande do Sul. De acordo com o Dr. Luis Alberto Schlittler, médico gestor do Instituto do Câncer Hospital São Vicente, são tumores muito frequentes em Passo Fundo. Dentre as possíveis causas, um dos fatores determinantes pode ser a gordura do churrasco que, ao pingar no carvão, produz um tipo de hidrocarboneto.

 

Mas, como explicou o oncologista, os tumores malignos do intestino grosso (cólon e reto) e os tumores de estômago são habituais no RS e em Passo Fundo. As estimativas do Instituto do Câncer Hospital São Vicente seguem o panorama brasileiro da doença. O tumor de intestino ocupa o terceiro lugar em frequência e os de esôfago, o quarto lugar. Ambas são altamente tratáveis e curáveis em fases iniciais, de acordo com Schlittler, que é especialista em tumores gastrointestinais.

 

Churrasco e chimarrão

 

Vários estudos demonstram que o consumo de chimarrão não parece aumentar o risco de câncer. Um cuidado especial a ser tomado é evitar a água quente, com temperatura superior a 65 graus. O calor pode causar uma inflamação crônica no esôfago/estomago e com o tempo até mesmo um câncer. Isso também está bem evidente em estudos asiáticos com o uso do chá muito quente. Devemos ter bons hábitos de saúde para evitarmos a doença.

 

A associação do tabagismo e álcool é extremamente prejudicial e aumenta o risco em 6 vezes. Alimentação saudável e equilibrada é um ponto chave para evitar a doença, com aumento da ingesta de frutas e verduras e diminuição do consumo de carnes vermelhas, frituras e enlatados diminui o risco da doença. Na carne vermelha existem resíduos contaminantes orgânicos e inorgânicos que podem causar doenças. Hidrocarbonetos policíclicos aromáticos (HPA) são formados quando a gordura da carne respinga no carvão por conta do calor. Depois, juntam-se à fumaça e aderem à carne. Estudos americanos indicaram que a ingestão elevada de HPAs pode representar riscos à saúde, como o desenvolvimento de câncer. Existem estes dados, mas o principal fator ainda é o excesso de carne vermelha e a falta de equilíbrio entre obesidade, sedentarismo, consumo de frutas e verduras.

 

 

Os sintomas

Os tumores de esôfago/estomago e de intestino em fases iniciais geralmente são assintomáticos, onde medidas preventivas são fundamentais. Em geral os sintomas do câncer de estomago são:

  • dificuldade de deglutição
  • dor para engolir
  • dor de estômago
  • estufamento
  • má digestão
  • vômitos 

 

Nos tumores de intestino devemos ter atenção especial a:

  • alteração do hábito intestinal (constipação e diarreia)
  • dor abdominal
  • perda de peso
  • anemia inexplicada
  • sangramento nas fezes (que muitas vezes acaba sendo confundido com hemorroidas)

 

Vale lembrar que estes sintomas não indicam que a pessoa tenha câncer. Indica que ela deva consultar com um médico de confiança para saber mais detalhes e descartar esta doença tão frequente atualmente.

 

A importância do diagnóstico precoce

 

Se o paciente apresentar algum dos sintomas, deve-se indicar exames complementares com endoscopia digestiva e/ou colonoscopia. Através de aparelhos especiais de fibra ótica, com visão direta, podemos analisar a parte interna do esôfago/estômago e do intestino grosso, descartando a doença ou realizando uma biópsia se for necessário.

 

Vale lembrar que todos pacientes acima dos 50 anos de idade, mesmo assintomáticos, são candidatos a realizar a colonoscopia para avaliar a possibilidade de pólipos no intestino grosso. Se esses pólipos (semelhante a uma verruga) estiverem presentes podemos realizar a retirada deles pelo exame, diminuindo o risco de evolução para um câncer no futuro. Pacientes com história familiar de câncer devem comentar este dado com seu médico, pois o rastreamento pode ser intensificado ou realizado de forma mais precoce ainda.

 

Tratamento cirúrgico

 

Se a doença permanece limitada ao estômago a cirurgia é o tratamento padrão, com chances altas de cura da doença. Pode ser necessária a retirada parcial ou total do estomago, mas o paciente consegue conviver muito bem com esta situação, ajustando alimentação e quantidade ingerida. Atualmente um ponto importante é procurar uma equipe com experiência e treinamento neste tipo de cirurgia, que apresenta muitos detalhes técnicos e necessita cuidados especiais no pós-operatório. Quanto mais experiência o centro tiver, melhores serão os resultados de cura.

 

Pesquisa genética

 

Atualmente vários genes estão sendo descobertos nesta doença, principalmente no câncer de intestino. De rotina o Instituto do Câncer realiza a pesquisa genética de síndromes hereditárias que podem causar a doença e ser transmitida de pai para filho. Isso é muito importante, pois podemos prevenir gerações futuras de desenvolver a doença. Existem várias maneiras de realizar o teste, o mais frequente e analisarmos detalhes na própria biopsia do tumor, onde acabamos sabendo se a doença pode ou não ter caráter genético. Mas também existem exames de sangue e saliva que avaliam situações especiais.

 

Videolaparoscopia

 

Atualmente temos feitos cirurgias e tratamentos cada vez menos invasivos e agressivos. A videolaparoscopia (muitos conhecem ou chamam cirurgia por laser) é uma cirurgia menos agressiva com uma recuperação pós-operatória excelente, menos dor e necessidade de transfusão de sangue. Vale ressaltar que os resultados oncológicos, isto é, as chances de cura são as mesmas da cirurgia aberta, que faz um corte bem maior no abdômen. A cirurgia por videolaparoscopia é o padrão em centros bem treinados e habilitados.

 

Quimioterapia e radioterapia

 

O reto, parte final do intestino grosso, é um tumor com características peculiares e de forma bem comum utilizamos a radioterapia, quimioterapia e cirurgia para podermos combater a doença. Uma forma bem frequente hoje é indicarmos quimioterapia e radioterapia antes para diminuir a doença e dar condições clínicas ideais para a realização da cirurgia posterior. Por isso é importantíssimo termos uma equipe de oncologistas, radioterapeutas e cirurgiões bem conectados, de forma interdisciplinar, para tomar a decisão certa e conduzir o caso aumentando as chances de cura.

 

Para prevenir

  • É indicado que todos procurem seu médico de confiança e façam exames regularmente, preventivos, principalmente pacientes acima dos 50 anos ou com história familiar de câncer.
  • Além disso, tenha hábitos de vida saudável. Isso diminui muito a incidência de muitos tumores malignos, principalmente do trato digestivo.
  • Não fume, evite o excesso de álcool, pratique exercícios físicos regulares, evite sedentarismos e obesidade e tenha uma alimentação equilibrada (estimule o consumo de frutas e verduras e evite o excesso de carnes vermelhas, fritas e embutidos). 
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