A ameaça que vem da China

Especialista explica sobre o vírus que deixou o mundo em alerta

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Nova variante do coronavírus foi isolada em janeiro na ChinaNova variante do coronavírus foi isolada em janeiro na China
Nova variante do coronavírus foi isolada em janeiro na China
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Mortes, dúvidas, certezas, cuidados e um alerta mundial. A China tem mais de 200 mortos em consequência do coronavírus. O número de casos está se elevando também fora da China continental. Mais de 120 casos de infecção foram constatados em mais de 20 países e territórios. A Organização Mundial da Saúde declarou a epidemia emergência global, em uma tentativa de evitar que o vírus se alastre ainda mais além das fronteiras. Esta é a sexta vez que é aplicada a medida. Até sexta-feira, o Brasil tinha nove casos suspeitos de coronavírus. Quatro casos foram descartados e quatro novos são monitorados. Os números mudam a cada instante e, entre mitos e certezas, a preocupação aumenta.

 

O coronavírus

A médica infectologista do Hospital de Clínicas de Passo Fundo, Clarissa Giaretta Oleksinski, explica que os coronavírus são uma grande família de vírus, conhecidos desde meados da década de 1960. Podem causar desde um resfriado comum até síndromes respiratórias graves. O surto atual se deve a uma nova variante do coronavírus, denominada 2019-nCoV, até então desconhecida, isolada na China em 07 de janeiro de 2020. A origem exata ainda não está definida. Acredita-se que a fonte primária do vírus seja animal, provavelmente em um mercado de frutos do mar e animais selvagens vivos em Wuhan (capital da província de Hubei, na China). Estudos inicialmente publicados relatam que o novo coronavírus pode ter em morcegos a sua origem.

 

Emergência global

Em relação às proporções do episódio, a infectologista lembra que a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou estado de emergência global em razão da disseminação do coronavírus. Uma emergência de saúde pública de interesse internacional é uma declaração formal da Organização Mundial da Saúde (OMS) de “um evento extraordinário que pode constituir um risco de saúde pública a outros países por meio da disseminação, e que requer uma resposta internacional coordenada”. Essa é a sexta vez em que o recurso é usado. A declaração de emergência havia sido emitida no surto de síndrome respiratória aguda grave (Sars), em 2002/2003; na pandemia de 2009 de H1N1 (também chamada de febre suína); na declaração de emergência de poliomielite, em 2014; na epidemia de ebola na África Ocidental, também em 2014; no surto de microcefalia em decorrência vírus Zika, cujo principal foco de infestação foi o Brasil, em 2015/2016, e na epidemia de ebola em Kivu, no Congo, em 2019.

 

Os esclarecimentos necessários sobre o vírus

Para acabar com muitas dúvidas ou informações distorcidas sobre o coronavírus, a médica Clarissa repassou conhecimentos fundamentais. São referências científicas que permitem uma compreensão mais ampla sobre o vírus e a situação que colocou o planeta em alerta. Para complementar as informações, a médica ainda utilizou como fontes a OMS e a Sociedade Brasileira de Infectologia.

 

A transmissão
O vírus e transmitido através de gotículas respiratórias, que são diminutas partículas de saliva expelidas ao falar e tossir. Ainda não se sabe ao certo se o toque ou aperto de mão ou mesmo o contato com objetos ou superfícies contaminadas pode transmitir a doença. 


 
O combate
Até o momento não existe um tratamento antiviral especifico e eficaz para o coronavírus, fazendo com que o mesmo seja de difícil tratamento. Indica-se repouso e ingestão de líquidos, além de medidas para aliviar os sintomas, como analgésicos e antitérmicos. Nos casos de maior gravidade com pneumonia e insuficiência respiratória, suplemento de oxigênio e mesmo ventilação mecânica podem ser necessários. (Fonte: Sociedade Brasileira de Infectologia)


A prevenção
Com as informações atualmente disponíveis para o novo coronavírus, a OMS recomenda que medidas para limitar o risco de exportação ou importação da doença sejam implementadas, sem restrições desnecessárias ao tráfego internacional. Entretanto, o Ministério da Saúde do Brasil e o Centro de Controle de Doenças dos Estados Unidos (CDC) recomendam que viagens para a China devam ser realizadas somente em casos de extrema necessidade.

 

O risco
Como não existe vacina para este vírus e não há imunidade estabelecida entre a população, todos estão em risco.

 

Em Passo Fundo
As medidas genéricas já orientadas pelo Ministério da Saúde estão sendo observadas pelos serviços de saúde do município. Neste momento não há nenhum caso confirmado no estado do Rio Grande do Sul. Já o Ministério da Saúde do Brasil está adotando outras medidas, como avisos sonoros nos aeroportos, distribuição de pôsteres, folhetos, boletim eletrônico, com o objetivo de alertar os viajantes sobre os sinais e sintomas da doença. Desde o dia 14 de janeiro de 2020, os aeroportos começaram a veicular avisos sonoros da Agência de Vigilância Sanitária (Anvisa) em português, inglês e mandarim sobre o coronavírus. A mensagem, com duração de um minuto, alerta sobre os sintomas da doença e informa sobre medidas para evitar a sua transmissão.

 

Os sintomas iniciais
Os sintomas incluem febre, tosse e dificuldade respiratória. Porém, as pessoas com infecção podem não ter sintomas, ou apresentar um quadro semelhante a um resfriado comum, até casos graves com pneumonia e insuficiência respiratória. Crianças de baixa idade, pessoas acima de 60 anos e pacientes com condições que comprometem a imunidade podem ter manifestações mais graves. Importante ressaltar que para que se defina suspeita de infecção por coronavírus, o paciente deve ter tido passagem pela China ou contato com casos suspeitos ou mesmo confirmados de coronavirus.

 

A recomendação
Recomendo que a população busque as informações em fontes confiáveis, como os sites do Ministério da Saúde, OMS e ANVISA, e não compartilhe informações sem procedência através de grupos e redes sociais, pois isso gera insegurança e medo desnecessário entre as pessoas.


A prevenção

- Evitar contato próximo com pessoas com infecções respiratórias agudas; 
- Lavar frequentemente as mãos por pelo menos 20 segundos, especialmente após contato direto com pessoas doentes ou com o meio ambiente e antes de se alimentar. Se não tiver água e sabão, use álcool em gel 70%, caso as mãos não tenham sujeira visível; 
- Usar lenço descartável para higiene nasal; 
- Cobrir nariz e boca ao espirrar ou tossir; 
- Evitar tocar nas mucosas dos olhos; 
- Higienizar as mãos após tossir ou espirrar; 
- Não compartilhar objetos de uso pessoal, como talheres, pratos, copos ou garrafas; 
- Manter os ambientes bem ventilados.

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